Situação grave no HGG e dolorosa espera por tratamento: pacientes com câncer estão em leitos clínicos; Wladimir apela pra Couto

Ex-prefeito fala sobre a gravíssima situação da área de oncologia e alvo de matérias do Campos 24H, revelando dado preocupante sobre o HGG


  • Atualização em 24/05/2026, 10h07, Foto: Campos 24 Horas.

Postado Fabiano Venancio - (Vídeo ao final das informações) - Em Campos, continua a via crucis de pessoas com câncer à espera de tratamento. Depois perderem o chão com a devastadora notícia do diagnóstico da doença, a outra etapa do sofrimento agora é suplicar por tratamento. Se nas gavetas da burocracia do Estado, a frieza estatística dos números contabiliza 85 pacientes com nomes em seus protocolos, do outro lado há o drama de seres humanos submetidos à uma dolorosa e desesperadora espera que se arrasta indefinidamente na Central Estadual de Regulação (CER) da Secretaria Estadual de Saúde, órgão ao qual compete efetuar a regulação e autorizar a internação dos doentes em hospitais com especialização em oncologia. Além do drama dos pacientes oncológicos, o ex-prefeito Wladimir Garotinho (PL) revelou (vídeo abaixo) nas últimas horas em sua rede social algo que aumenta a preocupação no município: pacientes com câncer já ocupam metade dos leitos clínicos do Hospital Geral de Guarus (HGG) à espera de tratamento, provocando a falta de vagas para pacientes com outras doenças. Wladimir fez um apelo ao governador interino Ricardo Couto.

Desde o início da semana, o jornalismo do Campos 24 Horas tem produzido reportagens (Aqui, Aqui e Aqui) denunciando a situação de abandono a que estão relegados pacientes com câncer em Campos. Este ano, lamentavelmente, a luta contra o tempo foi inglória para alguns pacientes à espera de tratamento e que morreram no Hospital Geral de Guarus (HGG) à espera da bendita regulação. Os vereadores Anderson de Mattos (Republicanos) e Juninho Jubiraca (PP) revelaram na Câmara, inclusive, dados sobre os óbitos e os tipos de câncer desses pacientes.  (Leia mais abaixo)

A SITUAÇÃO NO HGG  - “Não temos especialização em tratamento de neoplasias malignas ou outra comorbidade. Somos um hospital de emergência para tratar a agudização da doença e outras comorbidades”, explicou o diretor do hospital, Vítor Mussi.

Só o HGG recebeu 74 pacientes com câncer entre este ano e 2025. “Conseguimos transferir apenas 22 desses, demos alta a outros 29 para tentar essas consultas em casa e estamos com outros sete pacientes internados à espera da consulta ou transferência”, enumerou ainda Mussi.

Desses sete, dois estão com câncer no pulmão, mais outros cinco com a mesma doença no pulmão, no intestino, na próstata, no cérebro e hiporfaringe.  Alguns pacientes aguardam a regulação desde julho do ano passado.

“É uma luta contra o tempo. A neoplasia é uma doença em que as células se multiplicam a cada dia. Quanto mais o tempo passa sem o tratamento, é menos tempo de vida para esses pacientes. Ficamos de mãos amarradas porque dependemos desta regulação. Enquanto isso, fazemos o que se pode fazer e vivemos essa angústia para que eles iniciem logo o tratamento e suas chances de sobrevida sejam maiores”, esclareceu o diretor.  

COBRANÇA POR EXPLICAÇÕES  - Diante da fúria e do avanço implacável da doença, a agonia dos pacientes se agrava, assim como a sensação de impotência e abandono. E o risco iminente da perder a vida. Assim, o vereador Anderson de Matos  apelou para a empatia dos servidores do governo estadual.                     (Leia mais abaixo)

“É uma situação desesperadora e de emergência. Faço um apelo para que esses servidores da Central Estadual de Regulação se sensibilizem diante da situação dramática destes pacientes e da gravidade da situação”, disse o vereador Anderson, que encaminhou requerimento para cobrar informações à CER e à própria Secretaria Estadual de Saúde, cobrando explicações para a situação dos pacientes.

“Dei um prazo de 15 dias para que eles se expliquem e, se não houver solução ou explicação convincente, vamos entrar também com uma representação junto ao Ministério Público”, acrescentou.   

CAPACIDADE DE ATENDIMENTO - Em Campos, há três hospitais com Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons), casos do Hospital Escola Álvaro Alvim, a Beneficência Portuguesa e o Dr. Beda. O Ministério da Saúde autoriza a abertura de cada Unacon para regiões de 500 mil moradores. No caso de Campos, são oito municípios que totalizam pouco mais de 714 mil habitantes.

Com três Unacons, portanto, teria capacidade de atender a uma região com população de cerca de 1,5 milhão de habitantes, mas o Álvaro Alvim encontra-se sobrecarregado em face das limitações dos outros dois hospitais.

A Beneficência Portuguesa tem capacidade limitada, enquanto o Dr. Beda (privado) restringiu o atendimento além da quimioterapia e radioterapia. (Leia mais abaixo)

Anderson de Matos não considera as limitações como razões para a inércia ou descaso do Estado com os pacientes, até porque a própria cidade do Rio de Janeiro possui a maior infraestrutura de saúde do País, com uma rede de hospitais federais e outras unidades especializadas como o próprio Incra (Instituto Nacional do Câncer).

 “O sistema de regulação pode autorizar a internação em qualquer hospital do Estado, inclusive na capital, onde está o maior complexo hospitalar do país”, pontou ainda o legislador. “Eu tive câncer há 19 anos. Sei o quanto essa doença atormenta o psicológico com insegurança, medo e tristeza. Isso tudo se agrava com a espera. Quanto antes realizar o tratamento, menor é o sofrimento da pessoa”, explicitou Anderson.

“Na pandemia, eles aumentaram o número de leitos. Por que não agora, se estamos atravessando hoje uma situação de emergência, com as pessoas morrendo à míngua suplicando por socorro? Por que não uma maior oferta de leitos para socorrer essas pessoas?, questionou o legislador.

Outros pacientes que hoje lutam contra a doença também enfrentam o sofrimento. Alguns, cansados de esperar, apelam para a Justiça, como Solange Pareto. ‘Sou paciente oncológica com câncer de mama com metástase nos ossos. Tive que entrar na Justiça para ter uma medicação”.

AÇÃO JUDICIAL - Elane Toledo conta sobre a sua odisseia. “Eu descobri (o câncer) em fevereiro e só consegui a consulta na última segunda-feira (19/05). Mesmo assim, a médica me passou uma bateria de exames, mas o Dr. Beda não faz mais exames para quem é de outro município. Agora estou na fila novamente para fazer esses exames para a regulação em São João da Barra. Não marcaram ainda, e ainda dizem que é prioridade. É bonito fazer campanhas para descobrir o câncer precoce, mas na prática é diferente. Demora para se conseguir um tratamento”.   (Leia mais abaixo)

DIREITO PELO SUS - O tratamento de câncer é uma urgência e um direito garantido pela Constituição Federal, através do Sistema Único de Saúde (SUS).

No entanto, muitos pacientes enfrentam atrasos significativos no início e continuidade de seus tratamentos, o que pode comprometer seriamente sua saúde e chances de recuperação.

O atraso no tratamento pode ter consequências graves para a saúde do paciente, incluindo o avanço da doença, menor eficácia do tratamento e maior risco de complicações. Em alguns casos, os atrasos podem ser fatais.

Além dos impactos físicos, o atraso no tratamento também afeta o bem-estar emocional e psicológico dos pacientes. A incerteza e o medo associados à espera podem levar à ansiedade, depressão e sentimentos de desamparo.

 
 
 
 
 
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