Vereadores querem socorro urgente para pacientes com câncer em Campos e podem até abrir uma CPI

Grave situação de sobrecarga em unidades que tratam câncer no município e demora por tratamento tem novos dados revelados na Câmara Municipal


  • 20/05/2026, 07h47, Fotomontagem: Campos 24 Horas.

Postado por Fabiano Venancio - A Câmara Municipal de Campos aprovou na sessão desta terça-feira (19/05) um requerimento de informações encaminhado à superintendente do Complexo Estadual de Regulação (CER) da Secretaria Estadual de Saúde, Kitty Crawford, sobre a grave situação das filas de pacientes com câncer no município. São 85 pessoas que desde julho do ano passado aguardam tratamento de câncer; outras estão à espera da primeira consulta. Um vereador chegou a revelar que um dos hospitais que atendiam casos de câncer deixou de aceitar pacientes regulados pelo governo estadual desde o final do ano passado. Com isso, o único que atende casos de câncer é o Hospital Álvaro Alvim. Outros vereadores sugeriram medidas como a instalação de uma CPI e a participação do Ministério Público na apuração da grave situação no município. O drama desesperador da demora pelo tratamento que só agrava a situação de angústia e incerteza dos pacientes de câncer é acompanhado pelo do jornalismo do Campos 24 Horas (Aqui),  inclusive com dados revelados pelo diretor de um desses hospitais e nota do Governo do Estado. 

“Espero que, aprovado este requerimento pela Câmara, com a força dos 25 vereadores, as informações cheguem até nós e faça com que tenhamos uma resposta para nossa cidade e essas pessoas que se encontram em situação desesperadora possam ser atendidas”, disse o vereador Anderson de Mattos (Republicanos), autor do requerimento, que já havia denunciado o abandono e o desespero dos pacientes nas duas últimas sessões no Legislativo. (Leia mais abaixo)

“Essa senhora Kitty é enfermeira, pessoa que conhece o que é o sofrimento de pessoas que há meses estão neste desespero. Sabe da gravidade da doença. A ciência diz que as células malignas do câncer crescem de forma rápida e descontrolada. Se demorar, a pessoa vai morrer, o tratamento vai ser apenas paliativo”, acrescentou Anderson, que há 19 anos enfrentou um câncer.

Silvinho Martins (MDB) constatou uma saturação no atendimento especializado em oncologia em Campos. “Em Campos, nós temos três Unacons (unidades de atendimento oncológico), mas a única que está funcionando é a do Álvaro Alvim, porque a do Hospital Dr. Beda, a partir do final ano passado, interrompeu o atendimento. Eles fecharam as portas para a regulação porque não tiveram mais interesse no atendimento. Então, congestionou o Álvaro Alvim e causou essa fila”, denunciou.

Já o vereador Nildo Cardoso (PL) sugeriu a instalação de uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) a fim de apurar responsabilidades e punir os responsáveis

“Eu aconselho abrirmos uma CPI para apurarmos as responsabilidades e punir os responsáveis. Essa regulação é feita em Campos com a verba do Estado. É de competência dos Estado cuidar dos municípios. Há recursos para fazer esses repasses, há municípios que tem privilégios, que recebem seus repasses. Onde está esse dinheiro que pertence por direito a Campos?”, questionou Nildo.

Nildo também questionou a interrupção de atendimento em hospitais. “Por que o hospital atendia e deixou de atender? Omissão de socorro ou falta de atendimento a uma pessoa num momento de desespero e sob risco de perder a vida também gera processo”, lembrou. (Leia mais abaixo)

Abdu Neme (PL) propôs que se oficiasse um convite a um representante do governo estadual e um médico que atua na área da oncologia no município. “Vamos reunir e mostrar todos os dados e estatísticas. E, precisar, com o apoio do Ministério Público. Vamos agilizar porque não podemos mais esperar”, finalizou.

O vereador Kassiano Tavares também ocupou a tribuna no Legislativo para destacar a grave situação instalada no município no que diz respeito a demora no atendimento aos pacientes com câncer.

NOTA DO ESTADO -  O Complexo Estadual de Regulação (CER) da Secretaria Estadual de Saúde, em resposta a um questionamento da reportagem do Campos 24 Horas, alega que os agendamentos para consulta pela primeira vez em oncologia dependem da oferta disponibilizada pelas unidades de saúde. Segundo o CER, os pacientes são encaminhados com forte suspeita, mas ainda sem a confirmação diagnóstica. Os casos são avaliados e classificados por critérios de gravidade e, assim, os casos mais graves são encaminhados como prioridade. Além disso, o CER faz agendamentos de acordo com as características das vagas ofertadas pelas Unacons que podem ser indicadas para diferentes perfis de pacientes. Por isso, uma vaga liberada no sistema só vai para o primeiro paciente da lista se ela tiver condições para atendê-lo segundo a complexidade do tratamento. Caso contrário, necessitará aguardar vaga especifica em outra Unacon. No momento, na região Norte Fluminense, o prazo médio para o atendimento em oncologia geral (adulto) é de 37 dias. O acompanhamento pode ser feito no Painel Público do complexo Estadual da Regulação (https://painel.saude.rj.gov.br/usuario-do-sus/usuario-do-sus.html

DIREITO PELO SUS - O tratamento de câncer é uma urgência e um direito garantido pela Constituição Federal, através do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, muitos pacientes enfrentam atrasos significativos no início e continuidade de seus tratamentos, o que pode comprometer seriamente sua saúde e chances de recuperação. O atraso no tratamento pode ter consequências graves para a saúde do paciente, incluindo o avanço da doença, menor eficácia do tratamento e maior risco de complicações. Em alguns casos, os atrasos podem ser fatais. Além dos impactos físicos, o atraso no tratamento também afeta o bem-estar emocional e psicológico dos pacientes. A incerteza e o medo associados à espera podem levar à ansiedade, depressão e sentimentos de desamparo.  



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