Drama em Campos: Mais de 80 pessoas com câncer à espera de tratamento

Vereador chega a levar caixão para reunião da Câmara a fim de alertar para os casos das pessoas com vários tipos de câncer à espera do Estado


  • 14/05/2026, 11h07, Foto: Campos 24 Horas/reprod..

Postado por Fabiano Venancio - Pelo menos 85 pessoas de Campos com diagnóstico de câncer estão com seu destino entregue ao descaso do sistema de regulação do governo estadual. Desses, 81 se encontram na fila de espera para uma primeira consulta desde 28 de janeiro deste ano, enquanto outros pacientes aguardam autorização para fazer tratamento fora do município desde julho de 2025.  O Campos 24 Horas mostra o drama desses pacientes, que foi denunciado na sessão desta quarta-feira (13/05) da Câmara Municipal de Campos pelo vereador Anderson de Mattos (Republicanos). Foi a segunda vez que o assunto foi levado ao plenário da Câmara nos últimos dias. O vereador chegou a levar para a sessão um sino e um caixão, a fim de fazer um alerto para a grave situação. Nesta matéria, ainda mostram os hospitais que tratam de câncer em Campos.

São 34 pessoas com câncer de mama; 23 casos com câncer de próstata; oito com câncer clínico; outras seis com o mesmo diagnóstico no sistema reprodutor feminino; mais quatro com indicações para retirada de tumor e um com tumor neurológico. (Leia mais abaixo)

Há ainda os oito casos de pacientes com tratamento fora do município também à espera de regulação.   

“O tratamento do câncer já é um sofrimento imensurável. E algumas dessas pessoas aguardam tratamento fora do município desde julho de 2025.  Se não fizerem essa fila andar dentro de 15 dias pode ter certeza que irei fazer com que essas pessoas da superintendência estadual sejam responsabilizadas administrativamente”, disse Anderson de Matos.

Em seguida, o legislador comparou a situação na região metropolitana do Rio com Campos. E leu uma manchete de uma matéria:

“Vejo aqui: ‘Estado zera fila para consulta mastologia oncológica na capital e Baixada Fluminense’. Eu me recuso acreditar que lá a fila anda por uma questão de conveniência política, por ser um reduto eleitoral importante”, discursou.

Anderson de Mattos citou a lei 12.732 que dispõe sobre o direito do paciente com comprovação de neoplasia maligna que estabelece direito ao primeiro tratamento pelo SUS, num prazo de 60 dias contados a partir do dia em que for constatado o diagnóstico em um laudo patológico. (Leia mais abaixo)

“Há o artigo terceiro onde diz que o descumprimento dessa lei sujeitará os gestores direta e indiretamente a responsabilidade penal e administrativa. Se essas pessoas não fizerem essa fila andar, pode ter certeza que vou aparecer na porta da superintendência estadual e fazer com que haja responsabilização administrativa”.

O vereador chegou a levar para a sessão um sino e um caixão. “Trouxe um caixão e um sino para a sessão porque o sino é usado por lá (na região metropolitana) quando a fila é zerada. Aqui, eu coloco este sino aqui dentro desse caixão porque se depender da regulação, é isso que pode acontecer: as pessoas morrerem por falta de tratamento pelo descaso do governo estadual”, concluiu.

Em Campos há três hospitais com especialização em tratamento de câncer: Álvaro Alvim, Beneficiência Portuguesa e Dr. Beda. Contudo, para conseguir acesso ao tratamento, o paciente precisa de uma autorização da regulação, atribuição da Secretaria Estadual de Saúde. 

A Sectetaria Estadual de Saúde ainda não se manifestou sobre o caso. Já a Prefeitura de Campos emitiu a nota abaixo:

A Subsecretaria de Atenção Especializada à Saúde, responsável pelo gerenciamento do Núcleo Municipal de Regulação em Saúde, esclarece que o serviço de oncologia é classificado como de alta complexidade, cuja regulação dos pacientes é de responsabilidade do Governo do Estado. Dentro desse contexto, o município tem o papel de receber o paciente, seja ele encaminhado pela atenção básica ou pelo serviço de emergência onde foi realizado o diagnóstico. O atendimento ao paciente, que deve estar com encaminhamento médico, com imagem fortemente sugestiva para neoplasia ou biópsia, é feito na Sala 6 no Núcleo de Regulação, onde é aberto processo e feita a inserção no Sistema Estadual de Regulação (SER). (Leia mais abaixo)

A partir daí, inicia-se o monitoramento da regulação estadual desse paciente, que ocorre por meio da liberação da “chave Unacon”. Quando esta ocorre, o paciente ou familiar é contatado pelo Núcleo Municipal de Regulação em Saúde para fazer, presencialmente na Sala 6, a retirada da chave para a primeira consulta na Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON).

O Sistema Estadual de Regulação (SER) é o principal canal de comunicação e monitoramento desses pacientes entre os dois órgãos, para atualização dos exames, informações sobre paciente, como internação e urgências, mas eventualmente faz-se contato direto com a Secretaria de Estado de Saúde mediante algum caso que identifique maior prioridade.

Todos os pacientes que dão entrada no serviço de oncologia na Sala 6 são acolhidos e acompanhados através das regulações, com atualização da fila de espera municipal que é feita diariamente. O paciente, quando solicitado, pode ter acesso a posição dele na fila do município a partir das regulações feitas pelo Estado. Vale ratificar que o paciente é inserido na fila estadual, mas o município não tem gerência sobre ela. Cabe ao Estado informar a posição do paciente na fila estadual, sendo a porta de entrada a primeira consulta na UNACON.

Informamos também que o tempo médio decorrido entre o diagnóstico e o início do tratamento oncológico é variável, dependendo da especialidade à qual o paciente foi encaminhado e da posição na fila de espera estadual. Portanto, não é possível determinar um tempo específico, pois ele varia conforme o paciente, o tipo de caso e a prioridade clínica.

Cabe ressaltar que dentro do sistema estadual, o município informa os dados pessoais do paciente e os exames do paciente, a avaliação de regulação é uma atribuição do Estado. E, como já foi informado, Campos consegue visualizar os pacientes que são inseridos por aqui. Não temos conhecimento de quantos pacientes são de cada município da região. Campos tem Programação Pactuada e Integrada (PPI), que atende outros municípios nas suas Unacons, mas a quantidade de pacientes, a especialidade desses pacientes, não tem como visualizar visto que não é o órgão regulador. Essa visualização é da Central de Regulação Estadual. (Leia mais abaixo)

Campos possui três serviços de UNACONs estruturados: no Hospital do Dr. Beda, Hospital Escola Álvaro Alvim (HEAA) e Hospital Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos que atendem a fila única do Estado. Os pacientes regulados através dos serviços das três UNACON recebem todo o aporte, como biópsia, tomografia, ressonância, exames laboratoriais e todo tratamento. A UNACON para a ser a unidade de referência para o paciente. As vagas disponibilizadas pelos três serviços de UVACONs são ofertadas diretamente ao Estado, que realiza as regulações da fila estadual contemplando os munícipes de Campos e de outras cidades da Região Norte.

Também cabe informar que os pacientes que são atendidos na Sala 6 do Núcleo Municipal de Regulação em Saúde e não tem suas solicitações atendidas e, que procuram a direção, são acolhidos e encaminhados à Ouvidoria da Saúde para formular a queixa para possamos dar prosseguimentos as providências necessárias junto ao setor. A Ouvidoria funciona no prédio principal da Secretaria Municipal de Saúde.

Vale ressaltar ainda que saúde é tripartite, ou seja, de responsabilidade do Governo Federal, Estadual e Municipal. Existe uma pactuação para referência da Rede de Alta Complexidade em oncologia no âmbito do estado do Rio de Janeiro, onde Campos é referência na Região Norte, disponibilizando serviços para a rede estadual, atendendo os municípios como Macaé, Carapebus, Quissamã, São João da Barra, São Fidélis e São Francisco de Itabapoana.



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