Morreu nesta quinta-feira, aos 84 anos, o escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza. A informação foi publicada por sua esposa, a escritora Livia Garcia-Roza, numa rede social e confirmada ao GLOBO por sua agente, Lúcia Riff.
Garcia-Roza era conhecido por seus livros policiais, que costumam ter o seu personagem-fetiche, detetive Espinosa, no centro das atenções. Ele deixa a esposa e três filhos.
Nascido no Rio em 1936, Garcia-Roza estreou tardiamente na ficção. Professor universitário, especialista em psicanálise, publicou o primeiro romance em 1996, já com 60 anos de idade.
A espera foi justificada: elogiado pela crítica, “O silêncio da chuva” ganhou o Jabuti no ano seguinte, na categoria romance. O livro marca a primeira aparição do detetive Espinosa, um solteirão workhalic de meia idade, que vive metido na investigação de crimes sórdidos no Rio de Janeiro.
Nos últimos 20 anos, Garcia-Roza se firmou como um dos principais autores do gênero noir no Brasil, com histórias geralmente passadas no bairro de Copacabana. Parte desse sucesso é baseado na popularidade de Espinosa. Culto, metódico e ético, o heterodoxo funcionário da lei foi vivido pelo ator Domingos Montagner (1962-2016) na série “Romance policial: Espinosa”. No cinema, será interpretado por Lazaro Ramos na adaptação, ainda inédita, de Daniel Filho para “O silêncio da chuva”.
Entre 1996 e 2014, Garcia-Roza escreveu no total 11 romances, todos pela Companhia das Letras. Alguns dos mais conhecidos são “Achados e perdidos” (1998), Uma janela em Copacabana (2001), Espinosa sem saída (2006), “Céu de origamis” (2009), “Um lugar perigoso” (2014).
Ele deixou pronto o romance “A última mulher”, também com Espinosa como protagonista, desta vez investigando um homicídio no baixo meretrício da Lapa carioca. Sairá em julho, pela Companhia das Letras, segundo o seu editor, Mateus Baldi.
— Trabalhamos o material junto, foi um processo muito bonito — diz Baldi. — Ficamos muito amigos nos últimos anos e acabamos nos tornando uma espécie de mentor e discípulo, avô e neto. Ele era imenso. A literatura brasileira ganhou novo sopro com seus romances autenticamente policiais e brasileiros, sem imitações, um estilo único.
Fonte: Extra