Atualizado: segunda-feira, 03 de novembro de 2014 – Foto: Campos 24 Horas
Postado por: Fabiano Venancio
Vai longe o tempo em que aqui no Brasil sangue tinha valor comercial, ou seja, era vendido. Também faz tempo que, em Campos, a Santa Casa de Misericórdia era detentora do único Banco de Sangue da região, quase que para atender exclusivamente a ela. Muita coisa mudou dessa época para cá, menos o valor do sangue que, embora não seja mais comercial, continua sendo essencial para salvar vida e, também, difícil de conseguir. Que o diga o Hemocentro Regional de Campos, o HemoCampos que, dentro da história do sangue, surge em 1989 como Núcleo de Hemoterapia de Campos, com a função de atender a demanda de bolsas de sangue para os pacientes do Hospital Ferreira Machado (HFM), pelas mãos do então ousado prefeito da época, Anthony Garotinho.
E assim se passaram 25 anos. A realidade hoje é outra, o HemoCampos atende, além do município, mais 16 cidades da região e está perto de ser novamente remodelado, com verba já garantida de R$ 10,5 milhões, liberada pelo Ministério da Saúde, através dos deputados federais Anthony Garotinho e Paulo Feijó. E quem chegar com o “sangue quente” no HemoCampos pode esfriá-lo, se depender da Diretora Técnica do órgão, a hematologista com especialização em hematologia e hemoterapia e com Master Business Administration (MBA) em auditoria e serviço de saúde pública e privada, Daniela Tudesco. Sua educação, simpatia e sorriso constante fazem com que o ambiente frio do Hemocentro se torne suportável e os 40 minutos de doação mais prazerosos.
Confira a entrevista:
Campos 24 Horas – A necessidade de sangue no Hemocentro não acaba nunca. Por que?
Daniela Tudesco – Porque a demanda também não acaba e cada vez aumenta. Sem contar que o HemoCampos atende nosso município, além das cidades de Aperibé, Cambuci, Cardoso Moreira, Italva, Itaocara, Miracema, Santo Antônio de Pádua, São José de Ubá, Laje do Muriaé, Natividade, Porciúncula, Varre Sai, Quissamã, São Fidélis, São Francisco do Itabapoana e São João da Barra. E a contra partida desses municípios é captar doadores.
C24H– Muitas pessoas ainda usam a desculpa da falta de tempo para doar. Como o Hemocentro pode ajudar neste sentido?
Daniela – O HemoCampos funciona todos os dias, incluindo feriados, das 7 às 18h. E a pessoa não leva mais de 40 minutos aqui dentro para fazer sua doação. Ele chega, faz o cadastro com os dados pessoais, passa para uma sala para medir a pressão, ver a frequência cardíaca, fazer a pesagem e teste de hemoglobina. Depois passa por entrevista e, em seguida, se dirige à sala para doação. A partir da doação, esse sangue passa por vários testes, como se fossem filtros.
C24H – Filtros?
Daniela – Sim. O primeiro é o preenchimento de cadastro com a informações pessoais. Depois o sangue coletado passa por testagem sorológica (HIV, Hepatite B e C, Doença de Chagas e Sífilis). Se houver reatividade, o doador é convocado a comparecer ao HemoCampos para nova amostra. Tudo isso é para beneficiar o receptador, mas que acaba beneficiando também o doador, que fica sabendo que está bem. Mas nem por isso ele pode se descuidar lá na frente.
C24H – Qual é a real necessidade do HemoCampos e qual o tipo de sangue que precisa mais?
Daniela– Para manter o estoque precisamos de 70 a 80 doações/dia. E hoje estamos em torno de 30 a 40 doações/dia, bem abaixo do necessário. Quanto ao tipo sanguíneo que mais precisamos, varia muito. Tem época, por exemplo, que há mais necessidade de O-. Mas no geral precisamos de todos os tipos.
C24H– No início da nossa conversa, a senhora falou de agências transfusional. Pode explicar?
Daniela– Agência transfusional é uma unidade hemoterápica que tem como função armazenar sangue e seus derivados, realizar exames imunohematólogicos pré-transfusionais, liberar e transportar os produtos sanguíneos para as transfusões nos setores do complexo hospitalar. Temos uma no Hospital Geral de Guarus (HGG) e na região, em Pádua, Miracema e Natividade. Hoje é uma exigência do Ministério da Saúde que todo hospital tenha sua agência transfusional.
C24H – Quando se fala em Hemocentro, o leigo pensa que ele só serve para coletar sangue. Certo?
Daniela– Não, fazemos a coleta, testagem sorológica, processamento dos hemocomponentes e parte básica de imuno hematologia com várias especificações. E nosso espaço físico é pequeno para a demanda, por isso a necessidade de ampliação e reforma, como já está previsto.
C24H – Então vamos falar dessa novidade…
Daniela– A população está crescendo e com ela vêm as demandas. O novo HemoCampos será erguido na Avenida 15 de Novembro, esquina com a Rua Espírito Santo, ao lado do estacionamento do Hospital Ferreira Machado (HFM), onde funciona o atual Hemocentro. Contará com três pavimentos, divididos em sala de máquinas, estacionamento, salas de coleta, de atendimento ambulatorial e processamento do sangue, entre outros.