Hospitais temem colapso: presidente de sindicato fala sobre crise no atendimento

Com a suspensão da verba do governo estadual, os maiores hospitais da cidade estão no limite da crise


  • 07/07/2024, 16h24, Foto: Arquivo/Divulgação/SindhNorte.

Postado por Fabiano Venancio - A rede de hospitais contratualizados de Campos que mantém convênios com a prefeitura tem sido levada a fazer malabarismos financeiros para superar a crise financeira diante da resolução do governo estadual que suspendeu repasses do cofinanciamento tripartite (federal, estadual e municipal) que  mantém o atendimento do sistema de saúde no município. Os quatro maiores hospitais (Santa Casa de Misericórdia, Hospital Escola Álvaro Alvim, Plantadores de Cana e Beneficência Portuguesa) têm recorrido a empréstimos e outros expedientes para manter o atendimento, e até medicamentos são adquiridos em drogarias locais para casos emergenciais. O Campos 24 Horas ouviu o médico e diretor de um hospital público, Dante Pinto Lucas, e o presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Estabelecimentos de Saúde do Norte Fluminense (SindhNorte), Edgar Andrade Correa. Outra preocupação diz respeito a suspensão do atendimento a pacientes de cidades vizinhas, visto que pode afetar a habilitação dos hospitais junto ao governo federal para recebimento de verbas, como capacidade de atendimento, abrangência geográfica e população assistida. Em outra entrevista, o diretor do Hospital Álvaro Alvim, médico Geraldo Venancio, descreveu ao Campos 24 Horas a situaçã0 dos pacientes (veja AQUI) com a crise provocada pelo Governo do Estado.

Desde março, os repasses mensais não foram efetuados pela prefeitura aos hospitais, em razão de não ter recebido recursos da parte do governo estadual desde janeiro deste ano para Campos, o que ameaça colapsar o sistema.

Diante deste quadro, a Prefeitura determinou, na última quinta-feira, a suspensão do atendimento a pacientes das cidades vizinhas dentro do Programa de Pactuação de Internações (PPI), por questões orçamentárias. (Leia mais abaixo)

Há hospitais que têm recorrido a drogarias da cidade para a compra de medicamentos por causa de débitos acumulados com fornecedores.

Outros gestores temem que sejam obrigados a suspender a oferta de serviços de atendimento em especialidades onde médicos trabalham por produção, sem vínculos com o hospital, como pessoa jurídica, e podem parar a qualquer momento. (Leia mais abaixo)

Há o temor do risco de mortes de pacientes, cirurgias foram suspensas, médicos e cirurgiões estão sem pagamento, enquanto o estoque de medicamentos e insumos está perto de zerar em alguns hospitais.

HABILITAÇÃO DOS HOSPITAIS PODE SER AFETADA -  o presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Estabelecimentos de Saúde do Norte Fluminense, Edgar Andrade Correa, apontou um horizonte de preocupação na deliberação pactuada entre os hospitais e governo em não atender pacientes de outros municípios, cuja regulação é feita exatamente pelo governo estadual. (Leia mais abaixo)

"O hospital precisa atender uma determinada população e atingir certo teto de procedimentos. Se atende a 100 pacientes e passa a atender 40 ou 60, deixa de receber recursos e fica sem a oferta de atendimento", explicou Edgar Andrade.

Os recursos federais repassados para unidades que fazem procedimentos de média e alta complexidade, como oncologia, são direcionados a estabelecimentos de saúde habilitados para realizar tratamento de câncer mediante critérios definidos pelo Ministério da Saúde, entre eles a capacidade de atendimento, abrangência geográfica e população assistida. (Leia mais abaixo)

Os recursos financeiros são destinados a garantir o funcionamento e manutenção de serviço, cobrando custos de pessoal, manutenção, equipamentos, materiais e demais insumos.

"Os pacientes desses municípios dependem de Campos para serem assistidos, mas nós também dependemos dessas cidades para termos um teto de atendimento de modo a atender os critérios de habilitam hospitais a receber esses recursos e não impactar a oferta de atendimento nesta ou naquela especialidade", acrescenta Edgar. (Leia mais abaixo)

DIRETOR DE HOSPITAL E OS VALORES NÃO RECEBIDOS - O diretor do Hospital São José, o médico Dante Pinto Lucas, também expressou sua preocupação com o impasse. "Nós aqui, o Ferreira Machado e o HGG, mais as unidades pré-hospitalares, somos unidades de portas abertas de entrada de nossa cidade. Se passarmos a receber pacientes também de outras cidades, vai ser um problema muito sério", alertou.

"Se não vamos ter condições de atender aqui, como vou transferir o paciente para outro município, se não lá não tem hospital?", indagou Dante. (Leia mais abaixo)

"Vai virar um problema judicial, alguém vai judicializar contra o Município. Por sua vez, o Município vai acionar o Estado. Como vai ficar isso? O Ministério Público também vai ter que entrar nessa pendência. 

O diretor do HSJ, porém, disse esperar que o bom senso prevaleça. "Eu espero que não aconteça nada disso. Que haja bom senso é essa questão seja resolvida. Briga política tem limite", ponderou ainda Dante Lucas. (Leia mais abaixo)

Desde o ano passado o governo estadual de não repassa corretamente recursos que lhe cabe à Prefeitura de Campos. O Hospital Ferreira Machado deveria receber repasses que totalizam R$ 18 milhões este ano, enquanto o Hospital Geral de Guarus (HGG), um total de R$ 15 milhões.

No último dia 18, o governador em exercício Rodrigo Bacellar (União Brasil) publicou uma resolução no Diário Oficial revogando o envio de repasses estaduais para o cofinanciamento da Saúde. (Leia mais abaixo)

Como justificativa para a medida, Bacellar alegou "a importância de qualificação das unidades a fim de aumentar a resolutividade nas ações de saúde".

  (Leia mais abaixo)



fique bem informado