Postado por Fabiano Venancio - O médico Geraldo Venancio, que é diretor do Hospital Escola Álvaro Alvim, um dos maiores da região, no qual são atendidos pacientes de casos complexos como oncológicos e cardíacos, revelou, em entrevista ao Campos 24 Horas, dados que refletem a difícil situação vivida por unidades de saúde do município, em virtude da falta de recursos pelo fato do Governo do Estado do Rio deixar de fazer repasses desde janeiro de 2025 para a Prefeitura de Campos. Segundo o médico, além do risco de mortes de pacientes que não serão atendidos, cirurgias foram suspensas, cirurgiões estão sem pagamento e até o estoque de medicamentos e outros materiais está perto de zero em alguns hospitais contratualizados.
A tendência é que a situação se agrave nos próximos dias. A Prefeitura determinou nesta quinta-feira (3) que, a partir desta sexta-feira, dia 4, os pacientes de cidades vizinhas, que não fazem parte da Programação Pactuada Integrada (PPI), não poderão ser atendidos em Campos por questões orçamentárias. (Leia mais abaixo)
“A crise que ronda os hospitais de Campos é mais grave do que muitos imaginam. Já faltam alguns medicamentos, material para exames, entre outros insumos, além de cirurgiões sem receber desde abril”, revela Geraldo Venâncio.
Por outro lado, o diretor defende uma “medicina humanizada” e ressalta que não deixará de atender pacientes graves, mesmo com a falta de recursos do governo estadual. Ele cita como exemplo o caso de um paciente que deu entrada no Álvaro Alvim. (Leia mais abaixo)
“Um paciente com câncer e obstrução no intestino deu entrada no Álvaro Alvim nas últimas horas. Independente da cidade onde mora, nossa equipe médica o atendeu”, afirma Geraldo Venancio, acrescentando que: “O que vamos dizer para família de um paciente como esse quadro? Temos de olhá-lo como um ser humano, e não apenas como um caso de paciente que mora fora da cidade”, ressaltou.
Diante dessa realidade provocada pelo governo estadual, Geraldo Venâncio vê problemas maiores para o Hospital Ferreira Machado, em razão do tipo de paciente que é atendido na unidade. “Os municípios vizinhos não são dotados de hospitais. Eles têm mesmo é ambulância. E aí entra a situação do Ferreira Machado. Como dizer para a família de um paciente grave, que viajou até Campos, que ele não será atendido?”, indagou. (Leia mais abaixo)
Geraldo Venâncio defende um encontro urgente do prefeito Wladimir Garotinho com o governador Cláudio Castro. “Estamos falando de vidas. Não podemos banalizá-las. Por isso, é preciso esse entendimento com urgência, a fim de que mortes não aconteçam”, afirmou.
“Temos 140 leitos no Álvaro Alvin e vamos atender até quando conseguirmos meios para isso. Estamos otimizando os recursos e, até agora, mesmo com o cenário difícil em razão da falta de recursos do Estado, tratamos de pessoas com as mais diversas doenças e estamos em dia com nossa folha de pagamento”, finalizou o diretor. (Leia mais abaixo)
O problema na área de saúde foi causado após decisão do Governo do Estado do Rio de suspender, de forma unilateral, o cofinanciamento à Saúde do município. A decisão foi tomada pelo deputado Rodrigo Bacellar, no período em que estava interinamente no cargo de governador.