Diretor do HGG revela que 17 pacientes com câncer morreram em 2026 'sem oportunidade de tratamento'

A dramática situação da área oncológica em Campos foi levada ao Rio, onde o vereador Anderson de Matos fez apelo ao secretário estadual de Saúde


  • 26/05/2026, 00h12, Foto: Reprodução/Campos 24 Horas.

Postado por Fabiano Venancio - A situação de dezenas de pacientes com câncer que se encontram há meses na fila à espera de liberação da Central Estadual de Regulação (CER) da Secretaria Estadual de Saúde para iniciar tratamento em Campos foi considerada dramática pelo superintendente do Hospital Geral de Guarus (HGG), médico Vitor Mussi (foto à esquerda), que revelou dados impressionantes a respeito do número de pacientes oncológicos que morreram somente esse ano na unidade hospitalar 'sem oportunidade de tratamento'. São pessoas com sintomas agudos como sangramento, dores agudas e falta de ar. O ex-prefeito Wladimir Garotinho também usou suas redes sociais, conforme matéria AQUI do Campos 24 Horas para fazer um apelo ao governador interino Ricardo Couto. 

"Esses pacientes não deveriam ficar aqui (no HGG), pois não somos hospital especializado em tratar neoplasias malignas. Só para reforçar, em 2026 já recebemos 74 pacientes (oncológicos), sendo que 17 deles vieram a óbito sem a oportunidade do tratamento", afirma Vitor Mussi, que acrescentou. (Leia mais abaixo)

"Conseguimos transferir apenas 22 pacientes, ou seja 30% deles; demos alta para tentar conseguir essas consultas em casa para 29 deles, ou seja 40%.  E estamos com sete aguardando uma consulta ou a transferência. É uma luta contra o tempo, pois a gente sabe que a neoplasia é uma doença que as células vão se multiplicando dia-a-dia. Então, o tempo é vida para esses pacientes, mas ficamos aqui de mãos amarradas por dependermos da regulação desses pacientes. Enquanto isso, fazemos o que podemos aqui (HGG), mas naquela angústia que precisam iniciar o tratamento para que a chance de sobrevida deles seja cada vez maior", destacou o médico.

VEREADOR FAZ APELO NO RIO - A situação dos pacientes oncológicos de Campos reverberou no local de onde se busca uma solução. Em frente à Secretaria Estadual de Saúde, onde funciona a Centro Estadual de Regulação (CER), no bairro do Rio Comprido, na capital, o vereador Anderson de Matos (Republicanos), empunhando um microfone ao lado de uma caixa de som, um caixão simbólico e uma coroa de flores, apelou para a sensibilidade do secretário Ronaldo Damião. 

“Senhor secretário, 128 pessoas já morreram de câncer na minha cidade na fila da regulação estadual. Esses não os números da morte. Vim aqui reivindicar atendimento desses pacientes que suplicam por socorro por parte da regulação estadual que autoriza a internação em hospital com atendimento oncológico”, bradou Anderson.  

Esses 82 pacientes estão internados no Hospital Geral de Guarus (HGG) ou em casa à espera de atendimento num hospital especializado. “É inaceitável, é inadmissível. Essas pessoas estão internadas no HGG, que é referência no atendimento de urgência e emergência, mas não tem especialização em atendimento oncológico”, disse o vereador.

“Ali (no HGG), o paciente recebe atendimento para estabilização de sintomas agudos como sangramento, dores agudas e falta de ar, mas é só para garantir os sinais vitais e tratar eventuais intercorrências. Quando acaba esse tratamento o paciente é mandado de volta para casa, quando não morre”, explicou. (Leia mais abaixo)

“Enquanto isso, essas pessoas estão na fila com câncer. Uma doença que não está sendo tratada e que se espalha de forma descontrolada até a morte do paciente”, acrescentou.

Dos 82 doentes na fila da regulação, 4 estão desde de julho do ano passado à espera de iodoterapia, outras desde janeiro deste ano aguardando a primeira consulta.

‘Em 2024, morreram 51 pessoas na fila de espera; em 2025, outros 60 pacientes perderam a vida; em 2026 até agora são 17 que também não resistiram à espera de regulação para tratamento. O HGG deu alta a 29 pacientes que retornaram pra casa, sofrendo com câncer à espera de uma regulação”, enumerou.

“Este caixão e este sino são simbólicos. Por que aqui no Centro de Regulação, o sino toca quando a fila é zerada. Como em Campos ele não toca, vamos enterrar o sino. Não é possível que estas pessoas continuem na mesma situação. Estão lá entregues ao abandono e não houve nem a primeira consulta. Não aceitamos mais pessoas morrendo de câncer na maior cidade do interior do Estado por falta de atendimento”, concluiu o legislador.

TRÊS UNIDADES TRATAM PACIENTES EM CAMPOS - A autorização para internação dos pacientes em hospital especializados é feita pelo Complexo Estadual de Regulação (CER). Em Campos, há três hospitais especializados com Unacons (unidades de atendimento de alta complexidade em oncologia), casos do Hospital Escola Alvaro Alvim, o da Beneficência Portuguesa e o Hospital Dr. Beda. Mas falta a autorização de internação pela regulação da Secretaria Estadual de Saúde. (Leia mais abaixo)



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