Cientista político: 'Reeleição de Wladimir em 1º turno não pode ser descartada'

Em entrevista ao Campos 24H, George Coutinho, da Universidade Federal Fluminense (UFF), analisa as pré-candidaturas à Prefeitura de Campos


  • 10/04/2024, 18h12, Fotomontagem: Campos 24 Horas.

A hipótese da reeleição do prefeito Wladimir Garotinho (PP) em primeiro turno, nas eleições deste ano, não pode ser descartada, mesmo com a estratégia da oposição em lançar um número maior de candidaturas à Prefeitura de Campos para a pulverização dos votos a fim de forçar a realização de um segundo turno. A análise é do cientista político da Universidade Federal Fluminense (UFF), George Coutinho, ao avaliar o cenário político a menos de seis meses da disputa eleitoral em outubro nesta entrevista ao Campos 24 Horas.  Ele ainda frisa que a eleição deste ano será plebiscitária, além de analisar as pré-candidaturas a prefeito de todas as correntes políticas de Campos. "O eleitor vai dizer se quer continuar ou não com Wladimir". (Leia abaixo)

“O grupo dos Bacellar, ao que parece, teme esta hipótese, face ao esforço que tem sido feito para que o prefeito candidato a reeleição não seja vitorioso no primeiro turno. Caso contrário eles não teriam mobilizado tantos recursos para tentar forçar um segundo turno. Porque, inclusive, esta hipótese ainda existe”, afirmou. (Leia mais abaixo)

O professor George Coutinho frisou ainda que “os Bacellar, ao fazerem a terceirização de candidaturas, na concorrência com Wladimir, reconhecem também que não têm um nome do próprio clã com chance para vencer eleição.

A eleição deste ano, segundo Coutinho, será plebiscitária, a exemplo do que ocorreu em 2020. “Será uma eleição plebiscitária sobre a continuidade ou não do governo Wladimir. Assim foi como 2020, quando o campista decidiu pela não continuidade do Rafael Diniz”, disse.

Ainda na visão do professor George Coutinho, nas eleições municipais o eleitor mira os benefícios que o governo lhe proporcionou ou à sua cidade. "O eleitor deve votar de modo a mirar mais os benefícios e perguntar: “Com Wladimir, minha vida melhorou? A cidade melhorou? Vai fazer esse cálculo com um maior pragmatismo".

Na avaliação do professor da UFF, a tática de pulverização de votos é inteligente, mas perversa. “Pode ser inteligente, mas uma inteligência perversa, porque me parece que essas candidaturas de aluguel não possuem densidade programática. Não são candidaturas forjadas na discussão dos problemas de Campos, com as demandas e desafios que a cidade tem, e pode representar um certo empobrecimento de conteúdo na carga programática que venha de fato enriquecer o debate”.

Ainda também no campo da oposição, Coutinho examina as outras opções com perfis ideológicos bem definidos em lados opostos do espectro político e que devem oferecer uma discussão programática de maior densidade. “No PT há a improbabilidade da deputada Carla Machado em razão de sua problemas jurídicos, uma situação onde me parece que o professor Jéfferson Manhães desponta como nome mais viável. O Psol deve também lançar candidatura, enquanto à direita há a pré-candidatura do Alexandre Buchaul, do Partido Novo, que é uma direita assim, digamos, mais perfumada. Ou bem ou mal, essas não são candidaturas de aluguel, mas candidaturas orgânicas que deverão proporcionar uma discussão programática mais densa”, comentou. (Leia mais abaixo)

A boa avaliação do governo Wladimir, além do robusto orçamento e o controle máquina da prefeitura, segundo ainda Coutinho, deve ser creditada também aos méritos próprio do prefeito, além da pífia gestão de Rafael Diniz, seu antecessor. “Wladimir tem a máquina e um orçamento nas mãos, é verdade, mas há ainda outras variáveis. Entre essas, ainda está viva na memória recente do eleitor o governo Rafael Diniz, que foi muito mal avaliado, o que pode ser confirmado pelo percentual de votos que obteve em 2020”, lembrou.

CAPACIDADE DE ARTICULAÇÃO - Outro aspecto apontado por George Coutinho na entrevista ao Campos 24 Horas, é a capacidade de articulação política de Wladimir. “Ele tem conseguido transitar entre diferentes grupos políticos e manteve uma capacidade de diálogo plural, inclusive indo até além dos limites do que usualmente os Garotinho conseguiram, demonstrando uma capacidade de articulação e pragmatismo que seus pais não alcançaram”, analisou ainda.

“Bem ou mal, na média há uma boa avaliação e aprovação do governo devido a medidas no campo da saúde, que se não foram mudanças estruturais, são visíveis, além das operações de recapeamento que agora serão em menor grau por ser um ano eleitoral, além de manter em dia o pagamento dos servidores e dos RPA. Wladimir teve ainda a sorte lidar com a boa cotação do petróleo. Após a Guerra na Ucrânia houve elevação do preço barril”.

Na ótica de George, o fato de ter Lula na presidência da República não deve influenciar de forma relevante nas eleições em Campos. O cientista político descarta os efeitos preponderantes da polarização nacional numa eleição municipal. “Neste caso, a transferência de votos não tem efeitos lineares, automáticas ou mecânicas, excetuando-se os eleitores mais radicalizados. A temática dos problemas nacionais fica em plano inferior. Nos grandes centros, a polarização nacional tem impacto maior, mas bem menos em cidades pequenas ou de médio porte como a nosso caso”. LEIA TAMBÉM / ELEIÇÃO DE CAMPOS EM NÚMEROS: Votação da oposição, número de eleitores e Wladimir*



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