Detalhes exclusivos do sequestro de enfermeira: 'aviso' do cão, olhos tapados...

Exclusivo- Ao Campos 24H, enfermeira conta mais detalhes das horas do sequestro ocorrido no Partage Shopping e ainda revela como seu cão se comportou


  • 19/06/2026, 11h33, Foto: Campos 24 Horas.

Postado por Fabiano Venancio - A noite de 16 de junho de 2026 jamais sairá da memória da enfermeira campista Rita Paes Barros, de 42 anos. Era para ser um dia normal de alguém que foi ao Partage Shopping em Campos se encontrar com parentes e fazer algumas compras. Por volta de 20h, a rotina foi brutalmente interrompida no momento em que a mulher e seu cachorro entraram em seu carro. Um criminoso surgiu com uma mochila e um revólver a mão, sentou no banco do carona para logo em seguida amarrar suas mãos e os pés com um cabo de aço, colocá-la no banco traseiro junto com o cachorro até assumir a direção do veículo e percorrer vários bairros. Na manhã do dia seguinte, o Campos 24 Horas foi o primeiro órgão de imprensa a ter contato com Rita através do jornalista Fabiano Venancio (vamos preservar o endereço onde a entrevistamos). Na entrevista exclusiva (AQUI), ela revela detalhes impressionantes, como o momento em que procurou socorro em casas após conseguir se desamarrar; o jeito agressivo do sequestrador nos momentos em que não conseguiu fazer transferências por Pix; o momento em que o criminoso perguntar se ela "era da igreja"; a forma como seu cachorro deu uma espécie de aviso quando não queria sair do shopping antes do sequestro; o momento em que pensou em tentar abrir a porta do carro para fugir, as paradas em duas comunidades antes de ser libertada, entre outros detalhes que publicamos abaixo. 

PENSOU EM SAIR DO CARRO - “Sempre fui uma pessoa de muita fé. Eu só pedia a Deus que estivesse comigo, me deixasse eu sair viva. Que tivesse uma oportunidade. Eu nenhum momento perdi a fé. Tive alguns pensamentos em tentar reagir. Num sinal de trânsito, quando ele parou, pensei em tentar abrir a porta. Mas não deixei de acreditar e eu tinha certeza que ia sair dali com vida. Só pedia a Deus para me proteger. Quando vi ele sair com o carro, agradeci a Deus por estar com viva”, disse a enfermeira.  (Leia mais abaixo)

Primeiro, o bandido levou o carro até a Estrada do Carvão, no bairro da Chatuba, próximo a um canavial. Em estado de choque ela conta que suplicava para que o bandido não lhe tirasse a vida.

BANDIDO ENTROU PELA PORTA CARONA - “Quando eu entrei e sentei no banco do motorista, a porta do carona abriu, ele já me abordou, amarrou minhas mãos com um cabo de aço e pediu que eu fosse para o banco traseiro. Eu pedia para que ele levasse o que fosse, mas me deixasse viva, enquanto ele pedia pra eu calar a boca".

AMEAÇA MATÁ-LA JUNTO COM O CACHORRO - Começou a me ameaçar, mas que aquilo era um acordo em que se eu colaborasse ele me deixaria viva. Em seguida, foi direto para a Estrada do Carvão, onde abriu minha carteira, viu o que tinha na minha bolsa e disse que a partir dali ele iria decidir se ia me manter viva ou me matar junto com meu cachorro”, disse.

Durante cerca de quatro horas de pavor, a enfermeira foi ameaçada o tempo inteiro, inclusive o próprio cachorro bulldog inglês, que se manteve em silêncio o tempo todo, o criminoso falava em matar. Um detalhe que chamou a atenção sobre o comportamento do cachorro: minutos antes do sequestro, ainda na porta de saída do shopping, ele "empacou". Rita acredita que era uma espécie de aviso para que ela não saísse do Partage.

SEQUESTRADOR PROCURA O "PARÇA" - “Depois ele amarrou ainda os meus pés, também o meu tórax com o cinto de segurança e colocou vendas nos meus olhos, alegando que ia encontrar com seu “parça” e que eu não podia ver onde ele iria encontrar com o cara. Neste momento eu pensei que ele fosse me dar um tiro, ele pedia que eu ficasse quieta porque seu “parça” era menos paciente que ele e poderia mandar dar um tiro na minha cabeça”, contou. (Leia mais abaixo)

Durante várias vezes, o criminoso dizia não ter nada a perder quando tentou fazer uma transação pelo Pix no celular da vítima, mas não conseguia.

“Quando ele parou no canavial começou a tentar fazer o Pix, não conseguiu, achou que eu estava dando a senha errada e falou que se eu estivesse mentindo ele iria me matar. Que ele era um foragido e não tinha nada a perder. Eu muito nervosa, com as mãos imobilizadas, não conseguia colocar o dedo direito no número. Ia mandar dar um tiro na minha cabeça e que pra ele eu seria apenas mais uma pessoa”, disse ainda a enfermeira.

A via crucis da enfermeira teria uma segunda etapa quando o criminoso voltou da Chatuba em direção ao Centro e estacionou o veículo em frente à Escola XV de Novembro, próximo à Rodoviária Roberto Silveira, já por volta de 21 horas. “Ele voltou da Chatuba revoltado porque não fez o Pix, precisava das minhas digitais e eu, com as mãos amarradas e muito nervosa, não estava conseguindo digitar o número certo”.

PARADA EM COMUNIDADE DE GUARUS - O martírio da enfermeira cumpriu uma terceira parada, agora em Guarus. O bandido parou o carro inúmeras vezes em diferentes ruas de Guarus para fazer as transações em Pix e dizendo para as pessoas que estava usando o celular da vítima. “Ele entrou em várias ruas, uma rua fez isso várias vezes e parou duas vezes numa mesma casa”, continuou.

Na última etapa dos momentos de aflição da enfermeira, o bandido demonstrou irritação porque não estava satisfeito com o resultado da empreitada criminosa. “Como não conseguia fazer o Pix, pediu para que eu resetasse o telefone, eu falei que não sabia fazer, e ele ficou extremamente irritado comigo, dizendo que eu estava de brincadeira com a cara dele e que ele não sabia o que ia fazer comigo se não conseguisse resetar. Depois, pegou informação no Youtube sobre como resetar, pegou mais uma vez minha digital, e conseguiu”, acrescentou. Enfim, o criminoso conseguiu transferir pouco mais de R$ 19 mil seus para outras contas. (Leia mais abaixo)

PENSOU QUE MORRERIA A CAMINHO DE GUANDU - Já a caminho de Guandu, a enfermeira imaginou pudesse acontecer o pior. Que o criminoso fosse para um local ermo para dar fim à sua vida.  “Depois, ele perguntou o que eu tinha de ouro, pediu para tirar meu brinco, meus dois anéis, parou o carro depois do Aeroporto, tirou o chip do celular, jogou longe e seguiu em frente. Eu não sabia para onde estava sendo levada. Na verdade, eu imaginava que ele ia me levar a algum lugar pra me matar porque ele não dizia nada, nem eu perguntava porque ele não deixava eu falar. Dizia que qualquer coisa que eu perguntava só o deixava irritado e aumentava nele a vontade de me matar. Eu vi a placa indicando pedágio a dois quilômetros, ele me perguntou se eu tinha algum dinheiro em espécie, eu disse que não. Eu pensava que ele iria me levar para algum lugar para me matar”.

PERGUNTOU SE ERA DA IGREJA - Assim que o bandido entrou no carro, ele lhe viu rezando, rogando a Deus para lhe proteger, ficou incomodado. “Perguntou se eu era da igreja, eu disse que sim. Ele disse que estava fazendo besteira, como se tivesse arrependimento. Mas ele pediu que rezasse quieta porque estava lhe irritando qualquer barulho que eu fizesse. Entendi que, embora tensa e preocupada. Precisava ficar quieta, por minha vida e a do cachorro”, declarou.

Já era quase meia noite quando o marginal, enfim, liberou a enfermeira em seu fim de sofrimento, mas com um final feliz num canavial em Guandu, perto da linha férrea e próximo de algumas casas.

“Quando ele me liberou e eu consegui me desamarrar, disse pra eu procurar um posto de combustíveis a 500 metros dali. Vi ele levando o carro, me deu uma crise de choro, mas ao mesmo tempo uma sensação de alívio. Ficamos eu e meu cachorro, toda descabelada, quando fui procurar ajuda em algumas casas. Algumas pessoas abriram e logo fechavam a janela, mas uma família, enfim, percebeu que eu estava em apuros. Eles me ajudaram a sair daquela situação e consegui voltar para casa”, finalizou.

As quatro horas de pavor da última terça-feira foram as mais longas que Rita Paes viveu em toda sua existência. Na linguagem figurada, uma eternidade. Mas também suscita um debate sobre a questão da segurança em locais de grande movimento como o Shopping Partage, o maior de Campos. Afinal, houve falha na segurança? A qualidade do serviço de vigilância pode ser melhorada para evitar um novo sequestro improvável como o que aconteceu no último dia 16? E os bancos, sem conseguir identificar o beneficiário de uma transferência criminosa, estão isentos de ressarcir o cliente nesta situação quando do pagamento através de um Pix aleatório? LEIA TAMBÉM SOBRE O SEQUETRO: --ADVOGADO FALA SOBRE RESPONSABILIDADES DO PARTAGE SHOPPING --SEQUESTRADOR DE ENFERMEIRA É PRESO (Leia mais abaixo)



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