Veja vídeo ao final das informações - Em entrevista coletiva nesta terça-feira (04), a delegada Madeleine Farias, da 134º DP (Centro), deu detalhes do caso da universitária que matou o companheiro, relevando o que aconteceu na noite do crime e como era o relacionamento conturbado de muitas brigas e agressões constantes. Esta era a rotina da universitária Gabriela Medeiros, 19 anos, na vida a dois com seu companheiro José Maurício Dias, de 22. A relação do casal terminou com a estudante matando o companheiro a facadas, no apartamento onde ambos residiam, no Parque São Caetano, na madrugada de segunda-feira (03) (AQUI). Em entrevista coletiva, a delegada relatou que este seria mais um caso de feminicídio, se não houvesse a reação da universitária, que alegou legítima defesa, em depoimento prestado na delegacia, e responde em liberdade por homicídio.
“No sábado, os dois retomaram o relacionamento, receberam em casa um casal de amigos e ele começou fazer ingestão de álcool, começou a se apresentar agressivo. E segundo Gabriela, todas as vezes em que isso acontecia (com uso destas substâncias) sempre acabava mal. Quando o casal saiu, por volta de 2h30 da madrugada, eles começaram a discutir, ele trancou a porta, sumiu com a chave do apartamento, mantendo ela em cárcere, escondeu o celular (dela) e começaram a discussão, depois vieram as agressões. Neste momento em que começou agredi-la, ele esgana ela, que desmaia. Ele vai a algum lugar no apartamento e volta agredi-la novamente, ela tem a oportunidade de ir a cozinha com um objeto cortante, dá uma primeira estocada nele, ele não para, parte para cima dela, continua a agredi-la novamente e ela dá mais duas estocadas nele. A Gabriela avisa ao porteiro e ao Corpo de Bombeiros, que chegam ao local, quando o companheiro já tinha entrado em óbito”, declarou a delegada. (Leia mais abaixo)
— O ciclo desta violência que se repete é muito comum que aconteça com mulheres. O que acontece normalmente num caso desse é um feminicídio. Só não ocorreu em razão da situação na qual ela se encontrava, em situação de legítima defesa e diante de risco iminente, conseguiu se defender.
LEGÍTIMA DEFESA - A delegada Madaleine Farias explicou a situação de legítima defesa alegada pela vítima e considerada pela autoridade policial. “Queria deixar aqui bem claro que ela (Gabriela) não vai deixar de ser investigada e será processada, só não foi levada ao cárcere. Mas todas as circunstâncias vão ser apuradas, inclusive será ouvido o casal de amigos que esteve na casa na noite do crime, e ainda os parentes que relatam as agressões anteriores. Ao final, o inquérito será concluído e levado ao Ministério Público que encaminhará o caso à Justiça. A vítima não deixará de ser julgada pelo crime que cometeu. Mas a autoridade policial entendeu que, diante das circunstâncias do caso, ela estava em nítida situação de legitima defesa”.
— Tem sido muito questionado o que levou a autoridade policial entender a situação de legítima defesa. Primeiro, ele já tinha histórico de outras anotações de agressões anteriores, não em relação a ela. A Gabriela, que conta toda esta situação de agressões, relata que nunca registrou o fato porque tinha vergonha. Levada para a delegacia e ouvida em razão de lesões nítidas da esganadura que foram constatadas através de laudo pericial prévio, fez-se concluir de que versão apontada por ela indica uma situação de legítima defesa — concluiu.
Veja vídeo abaixo.
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