‘Viveu por um propósito’, diz capelão da PM em velório da PM Vaneza Lobão

O enterro da policial militar Vaneza Lobão, de 31 anos, aconteceu às 16h deste domingo, no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. Cerca de 200 pessoas estiveram presentes, entre parentes, amigos e agentes da Polícia Militar, Civil e Federal. Bandeiras do Brasil e do Fluminense foram colocadas sob o corpo de Vaneza, velada sob aplausos. (Leia mais abaixo)

Ao final do velório, que durou cerca de duas horas, o capelão da Polícia Militar fez uma reflexão sobre a morte de Vaneza, confortando os parentes sobre seu legado. (Leia mais abaixo)

— A Vaneza teve uma vida curta, é verdade, mas temos certeza de que ela cumpriu a vocação. Abraçou seu propósito. Ela amava ser policial militar. E escreveu capítulos lindos nessa história breve. (Leia mais abaixo)

A PM foi assassinada na noite de sexta-feira, quando estava de folga, em frente ao portão de casa, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio. Ela trabalhava como cabo em um setor dedicado à investigação de milícias e contraventores. (Leia mais abaixo)

Ela entrou na Polícia Militar em 2013 e, segundo a família, sonhava continuar crescendo profissionalmente no militarismo. Ela era valorizada pela equipe e, recentemente, havia sido condecorada pela seriedade e lealdade no trabalho. (Leia mais abaixo)

Policial determinada

Uma mulher determinada e que desempenhava com seriedade suas funções na estrutura da 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). É dessa forma que colegas de profissão descrevem a Cabo PM Vaneza Lobão, de 31 anos, assassinada na sexta-feira à noite, em frente de casa, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. Há 10 anos na Polícia Militar e formada em Direito, Vaneza foi condecorada com o distintivo “Lealdade e constância” pela corporação e se formou com nota máxima no curso especial de formação de cabos. (Leia mais abaixo)

— Estamos devastados. Estava em casa quando soube da notícia, não acreditei. Minha irmã sempre foi muito tranquila, idônea. Nunca soube de ameaças, ou se ela tinha inimigos. A gente tinha receio pela profissão que ela exercia, mas nunca imaginei que ela poderia ser vítima de uma tragédia — diz aos prantos Andreza Lobão, irmã mais velha da policial. (Leia mais abaixo)

A descrição feita pela irmã, que define Vaneza como “tranquila, idônea” bate com informações obtidas pelo Globo junto a colegas de farda. A policial dava expediente em serviços internos de inteligência na 8ª DPJM e não participava rotineiramente de operações de campo. (Leia mais abaixo)

As duas principais hipóteses para explicar a motivação do crime, por enquanto, são: retaliação dos criminosos por conta do trabalho realizado pela policial — que investigava a atuação de milícias — ou o fato de milicianos suspeitarem que ela estaria passando à corporação informações sobre a movimentação dos bandidos no cotidiano da localidade onde vivia. (Leia mais abaixo)

Criadas na época áurea das Unidades de Polícia Pacificadora, as DPJM são voltadas hoje, basicamente, para a investigar a participação de policiais tanto nas milícias quanto no jogo do bicho. De acordo com colegas de Vaneza Lobão, a policial raramente participava de operações na rua. De acordo com a família, o enterro será realizado neste domingo às 16h no Jardim da Saudade de Sulacap. (Leia mais abaixo)

Tiros na porta de casa

Era por volta de 21h30 da última sexta-feira, dia 24, quando a policial militar Vaneza Lobão, de 31 anos, já em um momento de folga, estava pronta para ir à academia e acabou alvo de tiros de fuzil na porta de casa em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. (Leia mais abaixo)

— Às vezes ela ouvia dos parentes perguntas como: “Por que você não muda de área? É muito perigoso”. Mas o militarismo era o que ela mais amava. Ela falava do futuro por lá. (Leia mais abaixo)

Mas nem tudo se resumia ao trabalho. Vaneza era apaixonada por futebol e pela esposa, Thais, com quem dividia uma casa e a vida. (Leia mais abaixo)

— Ela não comentava de investigações ou rotina de trabalho conosco. Era policial lá dentro. Aqui fora, era a nossa Vaneza. Gostava de jogar bola e sempre foi muito ligada à família. Dedicada até demais — diz Andreza, novamente em lágrimas. (Leia mais abaixo)

Polícia prende miliciano

No início da madrugada deste sábado, dia 25, a Polícia Militar do 27ºBPM prendeu um miliciano no loteamento Madean, também em Santa Cruz. A ação ocorreu durante as diligências em busca de suspeitos no caso da morte de Vaneza Lobão. Com ele foi encontrada uma arma de fogo, que foi apreendida. (Leia mais abaixo) 

De acordo com o Disque Denúncia, com a morte da policial sobe para 52 o número de agentes mortos em ações violentas no estado do Rio de Janeiro em 2023. Sendo 46 da Policia Militar, três Policiais Penais, um da Polícia Civil, um do Corpo de Bombeiros e um da Guarda Municipal. (Leia mais abaixo)

Governador determina celeridade na investigação

Governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro usou as redes sociais para lamentar a morte da policial militar Vaneza Lobão, que foi alvo de tiros na porta de casa, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio. Ele disse ainda que determinou celeridade na investigação do caso. (Leia mais abaixo)

— Me solidarizo com a família da nossa policial militar Vaneza Lobão, que foi brutalmente assassinada ontem. Há indícios de que sejam milicianos, o qual ela investigava, ela fazia parte da nossa corregedoria. E eu determinei que a resposta fosse rápida e dura. Nós não deixaremos que policiais, que fazem o seu trabalho bravamente, corram o risco e fiquem a mercê dessa bandidagem. Pode ser miliciano, traficante, estamos combatendo e iremos atrás. Só vai aumentar cada dia mais a nossa vontade de botar esses criminosos na cadeia. (Leia mais abaixo)

Flávio Dino oferece ajuda da PF
 
Em uma publicação nas redes sociais, o ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, lamentou o assassinato da PM Vaneza Lobão, ocorrido na noite de sexta-feira, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, e afirmou ter solicitado à Polícia Federal que ajude nas investigações do caso. (Leia mais abaixo)

Na publicação, o ministro lamentou “o terrível crime cometido contra a policial Vaneza Lobão, no Rio de Janeiro”, prestou solidariedade à família e “aos colegas da corporação” e afirmou ter orientado “a Polícia Federal a ajudar nas investigações, de competência das autoridades estaduais”.