Violência prejudica quase 70 mil alunos no Rio apenas nos três primeiros meses do ano

Após os recentes casos de violência perto de escolas do Rio, a secretaria municipal de Educação informou que está conversando com a secretaria estadual de Segurança para melhorar a rotina das unidades educacionais. As ações policiais atrapalham as atividades das escolas e já deixaram alguns funcionários e alunos feridos.

Apenas em 2017, já foram 30 dias de interrupção de atividades nas escolas do município e cerca de 70 mil alunos ficaram sem aula. Nesta terça-feira (18), 792 alunos da rede municipal ficaram sem aula no Rio.

Dos estudantes afetados, 228 deles frequentam unidades da Praça Seca, na Zona Oeste, e os outros 564 em creches em Acari, na Zona Norte. Nos dois casos, tiroteios interromperam as atividades das escolas.

“Uma das balas atingiu de raspão o ombro dessa professora, que estava em sala de aula, dando aula pros seus alunos”, disse o coordenador do Sepe, Antônio Claudio de Andrade.

Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que, nos últimos anos, o rendimento dos alunos de escolas em áreas violentas é duas vezes pior do que os das outras escolas. O pesquisador Marcelo Burgos afirmou que o problema dessas escolas é de todas as pessoas que vivem na cidade.
“Há uma certa tendência a se abandonar a ideia de que criança é um problema de todos, para você pensar apenas no seu filho, perdendo de vista que o seu filho cresce num contexto mais largo, cresce numa cidade. A gente tem que voltar a falar com ênfase ‘nossas crianças’, ao invés de, ‘meu filho’ porque não tem como criar o seu filho numa bolha”, afirmou o professor.

Fonte: G1