Veja vídeos ao final das informações – O Subsecretário de Atenção Básica, Vigilância e Promoção da Saúde (Subpav), Charbell Kury, concedeu uma entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (21), para levar informação a população sobre a febre maculosa, doença que causou a morte de uma criança de apenas seis anos no dia 31 de agosto, em Campos (AQUI). Charbell apresentou a infectologista Elba Lemos, representante do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que informou sobre a importância de Campos atualmente ser área de interesse na febre maculosa, apesar de não causar epidemia. Ainda segundo o subsecretário, o objetivo da coletiva foi informar a população que nem todo carrapato é disseminador da doença. (leia mais abaixo)
De acordo com a especialista é importante ter conhecimento sobre a doença para que seja identificada rapidamente e assim dê início ao tratamento de forma precoce. (leia mais abaixo)
INFORMAÇÕES SOBRE A DOENÇA
O que é a febre maculosa? A febre maculosa é uma doença infecciosa febril aguda, que pode causar desde formas assintomáticas até casos mais graves, com alta possibilidade de óbito. No Brasil, é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida pelo carrapato da espécie Amblyomma cajennense, popularmente conhecido como carrapato-estrela. No entanto, existem no mundo mais de 20 espécies de Rickettsia que podem causar febre maculosa.(leia mais abaixo)
Por que a doença recebe esse nome? Por dois motivos: o primeiro, por causar um quadro de febre no paciente, e em segundo, por provocar o aparecimento de manchas avermelhadas na pele, conhecidas como máculas.(leia mais abaixo)
Quais são os sintomas? O quadro clínico é marcado por início brusco, com febre alta e dores de cabeça, podendo haver dores musculares intensas e prostração. Na evolução da doença, podem ocorrer hemorragias, náuseas e vômitos. As manifestações clínicas surgem após um período de incubação que leva em média 7 dias, podendo variar de 2 a 15 dias. O surgimento de lesões na pele, no 3º ao 5º dia de doença, aumenta o grau de suspeição, muito embora existam casos nos quais este sinal pode não ser detectado – no caso de pacientes idosos, submetidos a tratamento específico precocemente, ou mesmo em pacientes negros, pela dificuldade de se observar as manchas negras, por exemplo.(leia mais abaixo)
Como ocorre a transmissão? A doença é transmitida ao homem basicamente pelo carrapato infectado, não havendo risco de transmissão pessoa a pessoa. Para que a infecção ocorra, o carrapato precisa ficar aderido à pele, em média, por quatro horas. Se houver lesões na pele, o contágio pode ocorrer no momento do esmagamento do inseto. Uma vez infectados, os carrapatos permanecem assim durante toda a vida, que, de forma geral, dura 18 meses.(leia mais abaixo)
Há tratamento para a doença? Por ser causado por uma bactéria, o tratamento tem como base o uso de antimicrobiano específico e de baixo custo, ministrado por via oral quando o paciente tem condições de ingerir a medicação. No entanto, em pacientes graves, com edema (inchaço) e vômitos, por exemplo, o antibiótico deve ser ministrado por via endovenosa, além do tratamento de suporte, dependendo da gravidade do caso. Como a bactéria destrói a parede do vaso sanguíneo, o tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível. A partir do 7º dia de doença, a lesão torna-se, geralmente, irreversível e o óbito, inevitável.(leia mais abaixo)
Embora exista vacina para a febre maculosa, a sua utilização não é indicada considerando a sua proteção parcial e a falta de indicação de vacinação para o controle de uma doença que responde muito bem ao tratamento antimicrobiano.(leia mais abaixo)
O grau de letalidade é alto? Sim. Apesar de ser considerada uma doença de baixa frequência, a taxa de mortalidade é elevada devido à falta de diagnóstico adequado e de tratamento precoce. No Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, nos últimos 20 anos praticamente todos os casos de óbito por febre maculosa tiveram o diagnóstico inicial de dengue. Diante de um caso suspeito, deve-se coletar o sangue para a análise laboratorial e iniciar o tratamento imediatamente, mesmo sem a confirmação laboratorial.(leia mais abaixo)
Quais as formas de prevenção da doença? A melhor forma de se prevenir é evitando áreas infestadas por carrapato, principalmente durante o período de maio a outubro. Vale mencionar a importância de animais como o cachorro, o cavalo e a capivara no ciclo de transmissão da doença, que, além de fonte de alimentação para os carrapatos, podem auxiliar no deslocamento de insetos infectados e estão próximos ao homem. Por isso, é preciso ficar atento à presença do vetor nos animais.(leia mais abaixo)
É essencial que toda a população e os profissionais de saúde tenham conhecimento sobre os riscos do contato com carrapatos, direta ou indiretamente, pois esses artrópodes são o segundo maior transmissor de doença para o homem, depois dos mosquitos vetores. Ao ser observado algum carrapato aderido à pele, é importante removê-lo com cuidado e rapidez.(leia mais abaixo)
Outro ponto importante: o controle de carrapatos em animais, assim como o uso de inseticidas/carrapaticidas devem ser realizados somente sob orientação de profissionais de saúde pública, agricultura e meio ambiente, considerando a concentração do produto, o melhor período do ano para o seu uso, e acima de tudo, os efeitos prejudiciais e a presença de resistência.(leia mais abaixo)
Assim como ocorre com outras doenças, também é possível que haja surtos de febre maculosa? Diferentemente da dengue, da malária e da leishmaniose, por exemplo, na maioria das vezes a febre maculosa apresenta-se como casos isolados ou como pequenos surtos, geralmente entre membros de uma mesma família ou grupos de indivíduos com atividades em comum. Surtos com dezenas ou centenas de casos não ocorrem na febre maculosa e, assim, outras doenças precisam ser consideradas.(leia mais abaixo)
Como é realizado o diagnóstico? O diagnóstico da febre maculosa é geralmente realizado a partir do teste sorológico, mais especificamente pela reação de imunofluorescência indireta. O diagnóstico sorológico permite identificar a presença de anticorpos anti-Rickettsia no sangue do paciente. É importante destacar que durante a doença, principalmente entre o 7º e 10º dia, o indivíduo não tem anticorpos para a febre maculosa e que o resultado da análise de sangue coletado no início da doença pode ser negativo. Assim, a coleta de uma segunda amostra de sangue passa ser necessária. O Ministério da Saúde recomenda que isso aconteça do 14º ao 21º dia após a primeira coleta de sangue.(leia mais abaixo)
Outro teste disponível para o diagnóstico, porém menos utilizado, é a análise molecular a partir da Reação em Cadeia de Polimerase (PCR) que permite detectar a presença do material genético da bactéria. Recomendado especialmente em casos graves e óbitos, este teste deve ser realizado na fase inicial da doença, quando anticorpos anti-Rickettsias ainda não são detectados. Existem outras técnicas diagnosticas como a histopatologia associada à imunohistoquímica e isolamento, mas raramente são realizadas. Veja vídeos abaixo:
VÍDEO 1 – Charbell Kury dá início a coletiva e apresenta a infectologista Elba Lemos, da Fiocruz
VÍDEOS 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9 – Especialista faz esclarecimentos sobre a doença (VEJA ABAIXO)