Vídeo com duas sucuris intriga biólogo Sérgio Rangel; entenda a cena

Registro mostra uma serpente menor se afastando da região da boca de outra; especialista explica por que o comportamento chama atenção, mas diz que as imagens não revelam o que aconteceu antes.


Um vídeo analisado pelo biólogo Sérgio Rangel mostra uma cena incomum com duas sucuris à margem de um rio. Nas imagens, uma serpente menor se movimenta, separa-se da região da boca e do corpo de outra, maior, e depois se afasta pela margem.

Sérgio Rangel analisa vídeo que mostra duas sucuris à margem de um rio
Reprodução/Facebook — Biólogo Sérgio Rangel

O registro começa quando a interação já está em andamento. Por isso, não permite confirmar se a cobra menor havia sido ingerida ou se houve regurgitação. A própria análise de Rangel termina sem uma explicação definitiva para o que ocorreu. (Leia mais abaixo)

Nota editorial: as perguntas abaixo foram formuladas pela reportagem a partir das respostas presentes no vídeo original. Elas não fazem parte da gravação de origem.

O que torna esta cena tão incomum?

Rangel apresenta o flagrante e destaca a surpresa causada pelas imagens. “Essa sucuri enorme foi flagrada na beira de um rio. Até aí, tudo bem. Sucuri é uma cobra semiaquática que fica na beira de rio mesmo, fica na água”, afirma.

Na sequência, ele descreve sua interpretação do registro: “Só que ela estava com a boca aberta assim e, de repente, saiu uma outra sucuri de dentro, e a gente ficou sem saber o que aconteceu”. O vídeo recebido é uma composição editada e não mostra o início da interação; por isso, a origem exata da cobra menor não pode ser comprovada apenas por essas imagens.

Sucuris podem comer outras serpentes?

Sim. Sucuris têm dieta oportunista ampla, e há registros técnicos de predação de outros répteis, inclusive serpentes. O comportamento é chamado de ofiofagia.

No vídeo, Rangel explica: “As sucuris são animais generalistas quanto à sua dieta. Ou seja, elas comem quase todo tipo de animal, inclusive outras serpentes. Sim, a ofiofagia também é presente na sucuri”. (Leia mais abaixo)

Um artigo de pesquisadores ligados ao Instituto Vital Brazil, publicado em 2018, documentou uma sucuri-verde (Eunectes murinus) predando uma jiboia (Boa constrictor) adulta em cativeiro. O caso sustenta a ocorrência desse comportamento, mas não permite concluir que toda interação entre sucuris resulte em predação.

Por que a posição da serpente menor chama atenção?

Segundo Rangel, a orientação observada não corresponde ao que ele esperaria após uma ingestão. “Ela geralmente mata a cobra por constrição primeiro e depois ela engole a cobra sempre sentido cabeça-cauda”, diz. Em seguida, ressalva: “Ela engoliu, teoricamente, essa cobra pela cauda, porque a cabeça está saindo junto com a cabeça dela”.

Estudos sobre orientação de presas indicam vantagens e preferência frequente pela ingestão a partir da cabeça, mas também registram ingestão pela cauda. Assim, os termos “sempre” e “nunca” devem ser entendidos aqui como parte da avaliação atribuída ao entrevistado, e não como regra universal afirmada pela reportagem.

O que as imagens mostram no desfecho?

É possível observar que a serpente menor se movimenta, separa-se da região da boca e do corpo da maior e segue pela margem. Rangel avalia que ela estaria “viva e saudável” e que sai “perfeita”, mas o vídeo permite confirmar apenas o movimento e o afastamento — não uma condição clínica ou ausência de ferimentos.

O especialista resume a incerteza logo depois: “O que aconteceu a gente não sabe”. (Leia mais abaixo)

É possível saber o que aconteceu antes?

Não a partir deste registro. O vídeo não mostra o antecedente da cena e, portanto, não comprova ingestão ou regurgitação. Rangel também encerra sem uma conclusão: “Mais uma cena que a natureza nos deixou sem saber o que falar. Eu não sei o que aconteceu aí”.

Fonte e crédito: Biólogo Sérgio Rangel/Facebook. A autoria separada da captação das serpentes ao fundo não foi identificada.



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