Atualizado: segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015 – Foto: Campos 24 Horas
Postado por Fabiano Venancio

Parece clichê, mas não é. Bem no Centro da cidade, mas precisamente na Praça São Salvador, tem um local que, quando você entra, começa uma verdadeira viagem no tempo e no espaço, que começa no Século XVI e se estende até o Século XX. Para isso é só a pessoa percorrer os espaços do primeiro e segundo andares, dotados de salas e muita história do Brasil. Não é a toa que por ali já passaram, em menos de três anos, quase 60 mil pessoas, entre estudantes, campistas e turistas de todo Brasil, além de outros até do Afeganistão, Hong Kong, Rússia e Alemanha.
É assim o Museu Histórico de Campos, que guarda verdades e até desmistifica fatos que nossos livros contam, mas de outra maneira. Que o diga a história da “heroína” Benta Pereira, mulher que lutava, mas também, muito em causa própria. A professora de História e historiadora, Graziela Escocard Ribeiro, gerente do Museu, diz que as pessoas que passam pelo espaço, principalmente os campistas, ficam encantados com as histórias guardadas nas quadro paredes do prédio, apresentadas através de fotografias (mais de cinco mil), material escrito na linha do tempo e, especialmente, objetos de fizeram parte de séculos, séculos e séculos de vida.
Confira a entrevista:
Campos24Horas – O museu é de Campos, mas os campistas o visitam?
Graziela Escocard – Sim, mas entre estes quase 60 mil visitantes, incluem estudantes até de outros municípios e, também, turistas que chegam à cidade em datas festivas e vêm aqui para conhecer a história do município. E engraçado é que todo mundo que chega pergunta se a entrada é gratuita, como de fato é. O que acontece é que todo museu precisa de um tempo para ser conhecido. O de Petrópolis, por exemplo, levou 10 anos pra isso. E nenhum deles está completo, até o Museu de Louvre, em Paris, não está, porque sempre falta mais a ser acrescentado.
C24H – Exposições são uma atração a mais. Quantas já aconteceram aqui?
Graziela – Já fizemos 26 exposições temporárias, pela necessidade de se falar da cultura local e, também, pela necessidade dos artistas de terem um espaço para apresentar seus trabalhos. E estamos sempre mudando os temas, focando patrimônio popular, material, entre outros. Temos demanda de artistas pelo espaço e até hoje para nenhum dele foi negado. As obras ficam expostas, mas não são comercializadas. Os artistas somente expõem e, claro, a partir daqui fazem seus contatos.
C24H – Pode citar algumas exposições?
Graziela – Tivemos exposição do artista francês, Dominique Lecond, sobre Surrealismo, exposição de Boi Pintadinho, que recebeu mais de seis mil alunos e foi acompanhado de exposição teatral sobre o auto do boi, exposição sobre José Cândido de Carvalho realizada na festa de São Salvador e com alto índice de visitação, exposição do artista Rodrigo Espinosa sobre Pop Art, exposição do artista João Oliveira, exposição do fotógrafo Antônio Cruz sobre comunidades quilombolas e por aí vai.
C24H – Você falou no início sobre turistas de fora do Brasil no museu. Vocês estão preparados para receber esses turistas internacionais?
Graziela – Estamos a cada ano nos capacitando mais. Inclusive, em parceria com a Secretaria de Igualdade Racial, alguns dos nossos monitores estão fazendo curso de línguas na antiga Fundação Zumbi e outros por conta própria, na iniciativa privada. E este ano vamos continuar investindo em capacitação. Sem falar que estamos sempre nos reciclando em cursos, seminários e fóruns promovidos nesta área de museus.
C24H – E o que as pessoas podem ver e aprender, de fato. aqui?
Graziela – Toda a trajetória histórica do município e, em alguns momentos, do país. Temos exposições permanentes no segundo piso, que é dividido por salas e cada uma falando de um século, começando no XVI, até o XX. Tem história sobre o período de colonização, ossada dos índios goitacaz, tudo nos Séculos XVI e XVII. No Século XVIII temos os vultos como Benta Pereira, onde desmistificamos o mito de heroína, além de Couto Reis, entre outros. No Século XIX tem a escravidão que aumentou muito neste período, contando ainda a história da produção de açúcar, a elevação de Vila à Cidade, entre outros. No Século XX tem a cultura da cidade, a urbanização, o surgimento dos bondes e a entrada dos ônibus, do Cine Teatro Trianon que foi demolido, inclusive temos em exposição cadeiras daquele tempo. Sem falar na Sala de Nilo Peçanha, Presidente da República em 1909, com fotos, documentos como cartas e telegramas endereçados a sua esposa, além de peças de uso pessoal dele.
C24H – Todos os objetos que fazem parte do museu são doados pela população?
Graziela – Sim, as pessoas doam muitas coisas, entre elas, máquinas de escrever, máquinas registradoras (doação das Drogarias Isalvo Lima), objetos pessoais que pertenceram a famílias ilustres, como por exemplo, uma senhora chamada Maria Estela Carneiro, que doou conjunto de chícaras e talheres que pertenciam ao Visconde de Araruama, com brazão e tudo. Também temos doação de documentos, como uma “ação” do Canal Campos-Macaé mostrando como o canal era navegável para barco a vapor. Também o professor Vilmar Rangel doou aparelho de som para disco de vinil e muito mais.
C24H – E o museu desenvolve algum projeto cultural?
Graziela – Temos um projeto chamado Clássicos do Museu, que reúne artistas da música clássica para apresentação num espaço que temos aqui, que denominamos Espaço do Café. É um local muito simpático, de passagem de um pavimento para outro, onde temos um piano e colocamos mesinhas e cadeiras para as pessoas curtirem uma boa música, poesia ou qualquer outra manifestação cultural. Esse projeto acontece na última quarta-feira do mês. Também temos um projeto em andamento que vai comparar fotos antigas do município com atuais, mostrando o ontem e hoje. E mais outro, de Educação Patrimonial, que será trabalhado com escolas, abordando projetos de capacitação, através de cursos de extensão para professores, para confecção de livros paradidáticos abordando temas regionais, levando em consideração que na rede não há material específico neste sentido.
C24H – E como o Museu de Campos é divulgado lá fora?
Graziela – Em congressos que participamos sobre museus e o mais recente foi no final do ano passado, o 4º Fórum de Museus Estaduais, evento que forma museólogos. Participamos de atividades do Instituto de Museus Brasileiros, divulgando nossa programação e eles preparam catálogos. Também o Museu Histórico de Campos está inserido dentro do Circuito de Museus Brasileiros. Desde o primeiro ano de atividades, em 2012, estamos no circuito nacional.
C24H – Para terminar, qual o horário de funcionamento?
Graziela – De terça à sexta-feira, das 10 às 17h, porque na segunda-feira o trabalho é interno, de higienização do espaço e do material. Sábados e domingos de 9 às 14h. Também funcionamos nos feriados e pontos facultativos, além do período de festas tradicionais da cidade, como por exemplo, São Salvador, com horários especiais. Já as escolas, acima de 10 estudantes, têm que agendar visita pelo telefone (22) 2728-5058, porque assim a gente disponibiliza monitor especialmente para o acompanhamento. E se a escola quiser trazer o lanche das crianças, disponibilizamos o Espaço do Café para ela.