O subsecretário de Atenção Básica e Vigilância Sanitária de Campos, Charbel Kuri, arriscou uma previsão de que o município pode iniciar a campanha de vacinação contra a Covid 19 no mês de fevereiro. O epidemiologista disse que governo municipal pode implementar novas medidas de restrições ainda este mês de janeiro para evitar a propagação de novos casos de novo coronavírus. O médico evitou falar a palavra lockdown. “Lockdown é uma palavra bonita, mas é algo para a China, que é um país autoritário ou a Alemanha, onde o povo é disciplinado. Ou ainda na Argentina e Chile, onde o povo é mais educado. Aqui vamos falar na possibilidade real de medidas de restrições agora mesmo em janeiro”, disse Charbel, em entrevista nesta quinta-feira (07) a uma emissora de rádio local. (leia mais abaixo)
— Se este mês percebermos nestes três indicadores índices mais elevados, como nos casos de contaminação, mortes e pressão na rede de atendimento que está hoje em cerca de 80%, já teremos medidas de restrições para frear isso, nem que seja por sete dias. No início de ano tivemos festas de Ano Novo e Natal, os impactos virão agora — afirmou. (leia mais abaixo)
Charbel disse que dentro de 15 dias deve acontecer uma reunião entre representantes do governo e presidentes de entidades representação como a Associação Comercial e industrial de Campos (Acic) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) a fim de traçar as diretrizes quanto às medidas restritivas para o final do mês, que alcançarão locais com as maiores taxas de transmissão como templos religiosos, academias, salão de beleza, bares e restaurantes. (leia mais abaixo)
O subsecretário também admitiu a instalação de “barreiras sanitárias inteligentes” nas entradas de Farol de São Thomé e Lagoa de Cima com testes na população. “Eu soube que Lagoa de Cima é um negócio terrível nos fins de semana. No Farol não é diferente. Barreira quando e como vai ser? Mede temperatura e entra? A barreira só não basta, não funciona… Se funcionasse, o vírus não sairia da China. A barreira inteligente só funciona quando acoplada a dois mecanismos, entre eles a Vigilância Sanitária que terá um novo papel, será mais valorizado e fará cumprir 10 pontos que os estabelecimentos comerciais terão que cumprir”. (leia ais abaixo)
Sobre a inclusão de Campos no programa de vacinação contra a Covid, o subsecretário arriscou uma previsão de que o município pode iniciar a campanha em fevereiro, mas ainda vai depender de autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Segundo o subsecretário, há um Plano de Contingência de Vacinação da Covid estabelecido pelo governo estadual.
Pelo protocolo de intenção para aquisição de vacina anunciado pelo prefeito Wladimir Garotinho junto ao Instituto Butantan (SP), a Coronavac deve ser a primeira vacina a chegar em Campos. (leia mais abaixo)
— A Coronavac é uma vacina muito segura, produzida aqui no Butantan em convênio com a China. Precisamos ver quanto o governo municipal tem em caixa, mas não acredito que será uma vacina cara. Só precisamos esperar os seus resultados da fase três. A Astrazêneca é também uma ótima vacina mas terá que vir importada, é produzida fora. A vacina Moderna está chegando aí também no Brasil, uma vacina também interessante. Não teremos motivos para não vacinar porque vacinas não irão faltar. A questão é escolher qual iremos usar. Vamos seguir os preceitos da ciência, sem achismos— avaliou.
O epidemiologista acrescentou ainda que o governo estadual comprou oito milhões de seringas com previsão de mais oito, um total de 16 milhões. “Não vai faltar seringa, portanto. Vai também comprar câmaras frias para distribuir aos municípios, inclusive a câmara de conservação de menos 70 graus, caso Campos venha a comprar a vacina da Pfizer”, observou.
Charbell Kuri anunciou uma reunião com o governo estadual na próxima semana quando serão definidos prazos, esquemas de distribuição e armazenamento de vacinas. (leia mais abaixo)
Sobre o alcance de imunidade de rebanho em Campos, ele previu que o município só deve concluir até o final do ano. “Sou otimista, mas haverá resistência das pessoas em se vacinar por uma série de circunstâncias como a desinformação, preconceito, achismo, etc. Vivi isso com a vacina contra a HPV, que muitos diziam que significava abertura para liberdade sexual. Outra questão é que ainda não sabemos a verdadeira carga da Covid em Campos. O Brasil fez 3,5 testes a cada um caso positivo, que é muito abaixo de países como a Coreia, que registra taxa de testagem de 100 para cada um. Campos tem 2,5 testes para cada um positivo. É um índice de testagem muito baixo”.
Com a instalação do Gabinete de Crise, Charbel falou que em breve será editado no Diário Oficial um decreto com as medidas de combate a Covid implementadas pelo atual governo. (leia mais abaixo)
Na próxima segunda-feira, a Secretaria Municipal de Saúde irá treinar equipes para capacitação em 15 unidades a fim de implantar um programa de testagem em massa no município.
Charbel anunciou um plano de descentralização no Centro de Combate ao Coronavírus (CCC), no Hospital da Beneficência Portuguesa. “O CCC é um excelente hospital, mas está sobrecarregado e tem que funcionar como um centro de referenciamento. Ele está fazendo hoje um atendimento de base. A pessoa chega lá com o nariz entupido para ser atendido num local onde tem gente entubada. Temos que fazer isso na ponta, é o grande desafio da gestão. E já temos testes pra fazer isso em unidades descentralizadas”. (leia mais abaixo)
Ainda sobre a política de combate à Covid no governo passado, o subsecretário, também infectologista e pediatra, enfatizou a falha na comunicação na gestão do Rafael Diniz quando não havia liberdade para agentes públicos conceder entrevistas. (leia mais abaixo)
“É preciso um forte trabalho educacional. Houve uma falha grande de comunicação, que ficou toda ela centralizada na Secretaria de Comunicação (superintendência). Jornalistas ligavam para as pessoas do governo para falar, mas não podiam dar entrevistas. Doutor Luis José, uma das maiores autoridades de dengue no Brasil, ficou calado por quatro anos. Eu mesmo era procurado. Quando me perguntavam se havia necessidade de lockdown, eu dizia que eles teriam que falar com a Vigilância Sanitária. Não era comigo, mas ainda assim pude ajudar o governo com algumas sugestões porque as pessoas do governo eram proibidas de dar entrevistas”.