Campos 24 Horas - A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) passa a disponibilizar a vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) para crianças, a partir de dois anos de idade, vítimas de violência sexual. A nova indicação segue orientação do Ministério da Saúde por meio da nota técnica nº 96/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS, como medida adicional de proteção às crianças do sexo masculino e feminino. A vacina é ofertada em mais de 40 salas de vacinação distribuídas pelo município.
A aplicação da vacina ocorrerá após avaliação pelo Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual do município ou profissionais de saúde responsáveis pelo atendimento da vítima, com apresentação de registro ou receituário da condição clínica que fundamenta a indicação, além de consentimento do responsável legal. Também deve apresentar documentos de identificação com foto da criança, CPF ou Cartão do SUS, a caderneta de vacinas.
O esquema vacinal para as crianças será realizado com uma dose da vacina HPV, segundo explica o coordenador do Programa Municipal de Imunização (PMI), Leonardo Cordeiro. “É importante esclarecer que a aplicação da vacina ocorrerá mediante a apresentação do encaminhamento que será emitido pelo serviço de referência ou profissional de saúde que atender a criança. A imunização não é uma intervenção pós-exposição capaz de tratar uma infecção por HPV que tenha sido eventualmente adquirida durante a violência sofrida. O benefício da vacinação para esse público específico é a proteção contra tipos vacinais ainda não adquiridos e exposições futuras”, explica Leonardo.
Antes da ampliação para crianças a partir de dois anos, a vacina já estava disponível na rede municipal para homens e mulheres, de 9 até 45 anos, vítimas de violência sexual. Já na rotina do calendário de imunização, a vacina contra o HPV já é ofertada para crianças e adolescentes de nove a 14 anos, ambos os sexos.
“A decisão sobre a oferta da vacina para crianças a partir de dois anos, de acordo com a Nota Técnica, levou em consideração as evidências disponíveis de segurança e imunogenicidade da vacina em crianças menores de 9 anos, a elevada vulnerabilidade das crianças vítimas de violência sexual, o aumento das notificações de violência sexual em crianças, e a necessidade de fortalecimento das ações de proteção integral às vítimas”, acrescentou o coordenador. Outro público que vem sendo beneficiado com a aplicação da vacina contra o HPV são os jovens de 15 a 19 anos que não receberam a vacina contra o HPV na idade recomendada ou não possuem registro de vacinação na caderneta poderão se imunizar. A estratégia de resgate foi prorrogada até o final do ano com o objetivo de ampliar a cobertura vacinal desse público.
Também podem receber a vacina portadores do vírus HIV, imunossuprimidos, transplantados de órgãos sólidos e medula óssea, com neoplasias e usuários de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP).
O vírus do HPV afeta mucosas e a pele, e é considerado como a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo, podendo causar verrugas genitais, e está associado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como de colo de útero, ânus, pênis, boca e garganta.
A vacina HPV quadrivalente confere proteção contra os tipos virais 6, 11, 16 e 18, responsáveis pela maioria dos casos de cânceres atribuíveis ao vírus e pela maior parte das verrugas anogenitais.