Uenf / Especial do Campos 24 Horas: Professora, alunos e ex-alunos e o papel da universidade

Postado por Fabiano Venancio – Há 30 anos que a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) tem contribuído para milhares de pessoas ressignificarem suas vidas por meio da educação, do conhecimento e, através destes, perseguir os propósitos de transformação da realidade regional por meio do ensino, extensão, cultura, pesquisa científica em diversas áreas do conhecimento. A série de depoimentos de professores, alunos e ex-alunos ao site Campos 24 Horas evidenciam a força, a grandeza, a presença e a importância da Uenf, tanto para a criação de oportunidades, bem como para construção de belas histórias de vida e o desenvolvimento do Estado e do Brasil.  (Leia mais abaixo)

Nesta sexta-feira, as comemorações dos 30 anos da Uenf prosseguiram com o debate sobre “O legado de Darcy Ribeiro: universidade, desenvolvimento e soberania”, na Casa de Cultura Villa Maria, com as presenças dos reitores Raul Palacio (Uenf); Jeferson Manhães Azevedo (IFF/Campos); a diretora Ana Costa (UFF/Campos); e o professor da Waldeck Carneiro (UFF), ex-deputado estadual. (Leia mais abaixo)

Após o painel, houve o lançamento do segundo volume da coleção Diálogos com Pensadores da Educação Brasileira: Tributo ao Centenário de Darcy Ribeiro, intelectual, político e gestor insubmisso”, organizado por Waldeck . (Leia mais abaixo)

Entre os depoimentos, o da professora Luciane Soares Silva, ex-presidente da Aduenf (Associação dos Docentes da Uenf), que observa o nascimento da Uenf  “como uma forma muito estratégica, fruto da indignação do ex-governador Leonel Brizola e os ideais do professor Darcy Ribeiro”. (Leia mais abaixo)

“Vejo nascimento da Uenf de uma forma muito estratégica, quando você recupera experiência das brizoletas, a primeira forma de educação que Leonel Brizola utilizou de no Rio Grande do Sul e sua indignação com a falta de alfabetização das crianças no interior gaúcho. E nos remete à união de Brizola com Darcy, que já havia circulado pela América do Sul no exílio, e tinha essa vontade de construção do Brasil, ao mesmo tempo de contraposição ao atraso ligado ao racismo, a violência e o extermínio negro e indígena do que ele veio chamar de povo brasileiro.  (Leia mais abaixo)

Para a socióloga gaúcha, a Uenf tem um significado para a América Latina muito importante e também para a sociedade campista. “Não só pela sua composição, com peruanos, argentinos, cubanos, russos, mineiros, paulistas paranaenses e gaúchos, mas pela própria experiência que propõe ao ser criada com 100% de seu corpo docente de doutores. É importante lembrar o papel da sociedade campista no abaixo-assinado que cria a universidade, assim como a epígrafe à frente da Uenf que faz menção a uma sociedade mais justa, digna e feliz”. (Leia mais abaixo)

Luciane avalia que a Uenf enfrenta os mesmos problemas que as demais universidades enfrentam no Estado. “Mais do que o absoluto descaso, profeticamente a Uenf enfrenta um projeto de destruição que pós-Brizola se abate não só sobre a Uenf, mas sobre toda educação fluminense. Não se construiu mais escolas no Rio de Janeiro. Isso tudo foi dito por Brizola e Darcy e está posto, quando se pensa em construir presídios e não mais escolas. Precisamos mudar esta realidade”, acrescentou. (Leia mais abaixo)

“O nosso grande desafio do futuro é construir a biblioteca pública e o nosso colégio de aplicação, onde sonhamos com os alunos da Portelinha estudando na Uenf, assim como tratar questões de transfobia e novas tecnologias que tornem Campos independente do petróleo. Precisamos, sim, fazer desta cidade o que ela deveria ser. Se diz que Campos é uma cidade pequena, mas não é. Ela talvez se apequenou após a crise da cana como diria Brizola. Nosso outro grande desafio é produzir democratização, acesso a educação e mobilidade social ascendente a alunos filhos da classe trabalhadora e um campesinato empobrecido ao longo dos anos”, finalizou. (Leia mais abaixo)

Ana Beatriz Xavier, de 24 anos, graduada em sociologia política, que fez seu mestrado e agora seu doutorado na Uenf, destaca a relevância do papel da universidade em seus 30 anos. (Leia mais abaixo)

“A Uenf tem sido fundamental não apenas por cumprir seu papel em gerar oportunidades, ações afirmativas e incentivos aos que buscam o conhecimento científico e permanecer estudando em busca de novos horizontes, como é o meu caso, que aqui fiz minha graduação, mestrado e agora doutorado em sociologia política. Mas a Uenf cumpre ainda a outra função ao lançar luzes para o processo de desenvolvimento regional, com seus núcleos de pesquisa que servem de fonte de informações em diferentes áreas do conhecimento. A universidade, ao longo destes anos, tem contribuído com a produção de estudos e pesquisas que tem servido para o desenvolvimento e aplicação de políticas públicas para melhoria das condições de vida dos cidadãos e cidadãs na nossa região”, afirmou. (Leia mais abaixo)    

Daniella Costantini, de 36 anos, que hoje faz mestrado em medicina veterinária após a graduação na Uenf, realça as comemorações das três décadas da universidade na última quinta-feira e admite ser um orgulho ter estudar na instituição. “Foi uma festa belíssima, na última quinta-feira, um encontro de diversas gerações. Para mim é um orgulho e uma honra ter estudado e ainda estudar na Uenf, como estar aqui realizando meus sonhos. É uma universidade que, apesar de seus 30 anos, conseguiu este nível de avaliação extraordinário entre as universidades brasileiras. Fazer parte desta história e dos sonhos de Darcy Ribeiro, Leonel Brizola e Oscar Niemayer é uma grande honra”. (Leia mais abaixo)

Carioca que chegou a Campos quando tinha apenas cinco anos, Daniella afirma que divide seu coração e identidade com as duas cidades. “Sou meio carioca e campista. Cheguei aqui ainda criança, conheço bem a importância da cidade e da Uenf que foi projetada com estes propósitos tão nobres e este modelo conceitual de ensino, pesquisa e extensão que fez dela uma das 15 maiores do país. Temos que celebrar!”, declarou. (Leia mais abaixo)

Natural de Itaperuna, Júlio César Pinheiro de Oliveira, 42, fez sua graduação e mestrado na Uenf, doutorado na UFRJ, em Planejamento Urbano Regional, e hoje leciona no IFF/Cambuci, destaca a importância da universidade na geração de oportunidades. (Leia mais abaixo)

“Vejo a Uenf como uma oportunidade fundamental que se abriu para jovens do interior das camadas populares como eu, que pouco ou nada tinham quanto à expectativa ou maiores ambições em relação à educação, assim como considero relevante para as forças produtivas e o desenvolvimento regional”. (Leia mais abaixo)

Júlio salienta ainda a capacidade da Uenf em formar quadros para os setores público e privados, além de professores que lecionam em outras universidades. “É quase impossível não encontrar numa grande empresa da região ou do Estado um ex-aluno da Uenf. Tanto em empresas públicas como privadas. Tem sido de extrema importância na formação de pessoas, inclusive de quadros que hoje lecionam em outras instituições como a UFRJ e o próprio IFF”.