Tenente é 16º PM preso por execução de delator em aeroporto de SP

A Polícia Civil prendeu neste sábado (18) um policial militar suspeito de ser o motorista do carro usado pelos atiradores na execução de Vinícius Gritzbach, delator do PCC, no aeroporto de São Paulo. Ao todo, são 16 PMs presos por envolvimento no caso.(leia mais abaixo)

O policial é o 1º tenente Fernando Genauro da Silva. Ele foi preso em Osasco, onde mora. Ele foi levado para a sede do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e, depois, será encaminhado ao Presídio Romão Gomes da Polícia Militar. A reportagem tenta localizar a defesa dele. A operação que levou à prisão do PM teve o apoio da Corregedoria da Polícia Militar.(leia mais abaixo)

Assassinado no Aeroporto Internacional de São Paulo no ano passado, Gritzbach era acusado de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro para a facção. Na delação premiada assinada com o Ministério Público, ele entregou o nome de pessoas ligadas ao PCC e também acusou policiais de corrupção. A prisão dos outros 15 PMs aconteceu em uma operação na quinta-feira (16).(leia mais abaixo)

Como e quando as investigações começaram?
A investigação que culminou na prisão dos 16 policiais começou após uma denúncia anônima recebida em março do ano passado sobre o vazamento de informações sigilosas da polícia que favoreciam criminosos ligados à facção. O objetivo era evitar prisões e prejuízos financeiros do grupo criminoso.(leia mais abaixo)

Segundo a Corregedoria, informações estratégicas eram vazadas e vendidas por policiais militares da ativa e da reserva para integrantes do PCC. Um dos beneficiados pelo esquema era Gritzbach.(leia mais abaixo)

Em outubro, uma nova denúncia chegou à Corregedoria com fotos que mostravam PMs fazendo escolta para o empresário durante uma audiência no Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste da capital. Em seguida, um inquérito militar policial foi instaurado.(leia mais abaixo)

Em 8 de novembro, Gritzbach foi morto com dez tiros na saída da área de desembarque do Terminal 2 do aeroporto. Ele carregava uma bagagem contendo mais de R$ 1 milhão em joias e objetos de valor. O empresário voltava de uma viagem de Alagoas acompanhado da namorada.(leia mais abaixo)

No dia seguinte ao crime, quatro PMs contratados para fazer a escolta particular do delator foram identificados e afastados. Na ocasião, os celulares dos agentes também foram apreendidos.(leia mais abaixo)

A partir desse material, a Corregedoria da PM cruzou informações e descobriu que os policiais faziam parte de uma rede de proteção do PCC. Eles passavam informações para os criminosos poderem se antecipar às ações da polícia.(leia mais abaixo)

Quais elementos levaram à prisão dos PMs?
Os policiais foram identificados e presos pela Corregedoria por meio da quebra de sigilo telefônico, da utilização das estações rádio-base (equipamentos que fazem a conexão entre celulares e companhias telefônicas), do sistema de reconhecimento facial e de outras ferramentas de inteligência.(leia mais abaixo)

Durante coletiva de imprensa na quinta-feira, o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, explicou que essas ferramentas colocaram o suspeito de ser o atirador — o PM Denis Antonio Martins — na cena do crime.(leia mais abaixo)

Qual a tecnologia de rastreamento usada pela polícia?
O cabo Denis Martins, preso acusado de ser o atirador, foi identificado após um procedimento que detectou o sinal de celular dele.(leia mais abaixo)

Primeiramente, a polícia quebrou o sigilo telefônico do suspeito para rastrear seus movimentos e as mensagens trocadas. A localização do suspeito foi identificada por sinais de telefonia. O sinal do celular indicou, então, que ele estava na cena do crime no momento da execução.(leia mais abaixo)

Quem são os policiais presos?
Dezesseis policiais militares foram presos temporariamente por 30 dias pela Corregedoria e 15 deles já foram encaminhados ao Presídio Romão Gomes. O que foi preso neste sábado também será levado para lá.(leia mais abaixo)

Um dos alvos da operação de quinta foi o cabo Denis Antonio Martins, de 40 anos, acusado de ser o atirador que executou o delator do PCC. A identificação dele foi feita por uma tatuagem no braço, segundo a investigação.(leia mais abaixo)

Segundo Derrite, o material genético de Martins será coletado para comparar com o material coletado no dia do assassinato. “Tudo nos leva a crer que será positivo e aí essa prisão temporária poderá ser convertida em prisão preventiva”, disse.(leia mais abaixo)

Os outros 14 policiais presos na quinta eram do núcleo de segurança pessoal do delator e faziam a escolta privada dele.(leia mais abaixo)

O corregedor da Polícia Militar de São Paulo, coronel Fábio Sérgio do Amaral, explicou que dois oficiais da PM estão entre os presos. Um deles era responsável por organizar a escala de trabalho dos subordinados, permitindo que eles realizem o serviço de escolta para Gritzbach.(leia mais abaixo)

A polícia ainda não sabe se o suspeito de ser o atirador tem relação com os agentes que faziam a escolta particular do delator.(leia mais abaixo)

Neste sábado, foi preso o PM suspeito de ser o motorista do carro usado pelo atirador no dia da execução. Veja os nomes dos policiais presos:(leia mais abaixo)

  • Abraão Pereira Santana
  • Adolfo Oliveira Chagas – Serviu na 1ª Companhia do 18º Batalhão da Polícia Militar
  • Alef de Oliveira Moura – serviu no Primeiro Batalhão de Polícia de Choque e depois na 2ª Companhia do 1º Batalhão
  • Denis Antonio Martins – PM da ativa suspeito de ter feito os disparos
  • Erick Brian Galioni
  • Fernando Genauro da Vila – 1º Tenente do 23º Batalhão da Polícia Militar
  • Giovanni de Oliveira Garcia – serviu no Primeiro Batalhão de Polícia de Choque. Trabalhou na seção de rádio
  • Jefferson Silva Marques de Souza – serviu no Primeiro Batalhão de Polícia de Choque
  • Julio Cesar Scarlett Barbini
  • Leandro Ortiz – Serviu na 1ª Companhia do 18º Batalhão da Polícia Militar
  • Leonardo Cherry Souza
  • Romarks Cesar Ferreira Lima – serviu no Primeiro Batalhão de Polícia de Choque e depois no 2º Batalhão
  • Samuel Tillvitz da Luz – Serviu na 1ª Companhia do 18º Batalhão da Polícia Militar
  • Talles Rodrigues Ribeiro – serviu no Primeiro Batalhão de Polícia de Choque e depois na 2ª Companhia do 1º Batalhão
  • Thiago Maschion Angelim da Silva – 1º Tenente, já atuou no do 18º Batalhão da Polícia Militar
  • Wagner de Lima Compri Eicardi – atuou no do 18º Batalhão da Polícia Militar

Quem é o mandante do assassinato?
Diretora do Departamento de Homicídios de Proteção e Proteção à Pessoa (DHPP), a delegada Ivalda Aleixo afirmou que o assassinato de Gritzbach foi encomendado por um integrante do PCC. Mas ainda não se sabe a identidade do autor.(leia mais abaixo)

“Nós temos duas linhas de investigação para os mandantes, ambos de facção. Então, foi um crime encomendado por algum membro do PCC. Nós temos duas linhas, que já estão bastante adiantadas, de investigação”, disse Aleixo durante entrevista coletiva.(leia mais abaixo)

A delegada afirmou, ainda, que mais de uma pessoa pode ter sido mandante. Apesar de a investigação não descartar qualquer hipótese, ela não considera que o mando do crime tenha sido de alguém ligado às polícias.(leia mais abaixo)

Como o delator foi morto?
Câmeras de segurança registraram o momento em que o delator do PCC foi morto no Aeroporto Internacional de São Paulo. A ação ocorreu no desembarque no Terminal 2.(leia mais abaixo)

Pelas imagens, é possível ver que dois atiradores estão encapuzados. A ação dura 15 segundos.(leia mais abaixo)

Passageiros caminhavam tranquilamente com suas malas quando, no canteiro central da área de desembarque, dois homens saem do Gol preto, estacionado em frente a um ônibus da Guarda Civil Metropolitana (GCM), e começam a atirar.(leia mais abaixo)

Gritzbach estava de camiseta branca e levava uma mala preta. Ele passa pela calçada e atravessa na faixa de pedestre. Quando chega ao outro lado, o Gol preto para quase em frente ao empresário, e os dois homens saem do carro atirando.(leia mais abaixo)

Ele tenta fugir, mas tropeça na mureta e cai, quando é atingido por mais disparos. Os suspeitos, então, entram novamente no veículo e fogem.(leia mais abaixo)

Ao todo, Gritzbach foi atingido por dez tiros.

Fonte: g1