Tempo de procura por trabalho quase dobra em relação a 2010

25/08/2016      14h54      |    Foto: Divulgação 
carteira de trabalhOs efeitos da recessão sobre o mercado de trabalho são tão profundos que praticamente dobrou o tempo de procura por emprego em cinco grandes regiões metropolitanas do país, segundo levantamento do Dieese concedido com exclusividade ao GLOBO. Segundo especialistas, a lógica é simples: com mais gente procurando vaga em um mercado de raras oportunidades, demora-se mais para conseguir emprego.

O estudo mostra que o tempo médio de procura no primeiro semestre deste ano ficou em 36 semanas, ou 9 meses, entre os 3.025 milhões de desempregados das regiões metropolitanas de São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza e Brasília, que são as áreas nas quais o Dieese faz sua pesquisa de emprego. Há seis anos, quando o Brasil vivia o pleno emprego, a busca durava, em média, apenas 20 semanas, ou cinco meses, tempo coberto pelo seguro-desemprego.

Em todas as regiões, o grupo dos sem trabalho que consegue se recolocar enquanto ainda recebe o benefício caiu nos últimos três anos, enquanto o dos que levam pelo menos seis meses para se empregar cresceu. Em junho, em todo o Brasil, de acordo com o IBGE, havia 11,6 milhões na fila do desemprego.

— O mercado de trabalho está cada vez mais degradado, não só pelo crescimento no número de desempregados, mas pela maior permanência deles nessa condição, sem seguro-desemprego — avalia Lúcia Garcia, coordenadora do Sistema de Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Dieese. — Se a pessoa não tem renda, ela não compra, não faz a economia girar.

‘O mercado de trabalho organiza uma fila, que vai andando mais rápido para os que têm maior qualificação’

– WILSON AMORIMProfessor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP

Não é a toa que a massa de rendimento média real, que é o total pago à população ocupada, medido pelo IBGE, vem caindo. No segundo trimestre, a queda em relação ao mesmo período de 2015 foi de 4,9%. O professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP Wilson Amorim defende uma flexibilização do seguro-desemprego. Em épocas de crise, o benefício seria estendido além dos atuais cinco meses, já em momentos de crescimento econômico, poderia cair para dois meses.

— Quando nossa economia crescia, muitos se queixavam de que os trabalhadores pulavam de emprego em emprego para viver do benefício. Hoje, a realidade mudou. É um volume de recursos que poderia dar sustento não só às famílias, mas à economia. Existe um fundo para isso — pondera Amorim, em referência ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).