15/10/2016 00h42

Suledil Bernadino____________________
(*)Secretário de Controle Orçamentário e Auditoria
Esta semana, pude acompanhar a declaração do ex-secretário da Fazenda do governo Pezão, o engenheiro de Produção, Júlio Bueno, na comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal sobre a crise econômica pela qual está passando o governo do Rio de Janeiro. Em sua fala, ressaltou que, sem ajuda do Governo Federal, é impossível o Estado sair da sua pior crise econômica tendo em vista a recessão e o baixo valor do barril do petróleo no mercado internacional.
O governo federal também está em crise, com um déficit previsto da ordem de R$ 170 bilhões para este ano, portanto, não tem elasticidade para socorrer os estados em pior situação do ponto de vista financeiro, como por exemplo, o Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e outros.
O risco de atraso de pagamento dos servidores estaduais vem aumentando a cada mês e boa parte dos estados não terá como pagar o 13º salário. Os programas sociais do Estado do Rio foram suprimidos ao longo dos 10 anos do governo Cabral e Pezão. Agora, o secretário de Segurança Pública, Mariano Beltrame, pede demissão alegando que as UPPs se constituíram em um projeto incapaz de conter a violência, principalmente, por não terem sido implantadas políticas públicas de natureza social nas grandes comunidades carentes do Rio de Janeiro.
O ex-governador Garotinho, que já foi secretário de Segurança Pública, no governo Rosinha, já vinha apontando essa lacuna na política de segurança adotada por Cabral desde 2007. O ex-governador acabou com a política dos Programas Sociais Jovens pela Paz, Reservistas da Paz, Cheque Cidadão, Sopa da Cidadania e atividades culturais, que eram desenvolvidas desde 1999.
A cultura de não dar prosseguimento a obras e programas iniciados pelos governos anteriores tem demonstrado o quanto tem errado os gestores em nosso país. A classe política precisa amadurecer e reavaliar essa postura que vem sendo adotada ao longo de nossa história.
Nas crises, é que devemos tirar lições dos erros praticados e procurar corrigi-los para o bem-estar da população. Até agora, não conseguimos vislumbrar uma luz no fim do túnel por parte do governo do nosso Estado. Por outro lado, o governo federal conseguiu esta semana aprovar um Projeto de Emenda Constitucional para coibir o galopante crescimento da dívida pública brasileira, que se aproxima da casa dos R$ 3 trilhões. Certo ou errado, o governo federal não está de braços cruzados, ainda que a agenda de mudanças esteja andando de forma lenta. É melhor agir diante da crise do que cruzar os braços como tem feito muitos gestores em nosso país.