Sódio, gordura, açúcar, potássio, carne: o que é bom ou ruim para o coração

As doenças cardiovasculares (DCV) representam a principal causa de mortalidade e de incapacidade, em ambos os gêneros, no Brasil e no mundo. Nela, entram três grandes grupos de diagnósticos: doença arterial coronariana, doença cerebrovascular e doença arterial periférica. (leia mais abaixo)

Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento das DVCs estão: hipertensão arterial, diabetes, obesidade, inatividade física, tabagismo, alcoolismo e alimentação inadequada. (leia mais abaixo)

A mudança no estilo de vida, no padrão alimentar e a prática de exercícios físicos fazem parte da prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares. Com isso o incentivo à alimentação saudável mostra a sua importância na saúde do coração de todas as faixas etárias.

Os padrões alimentares associados à redução do risco cardiovascular são denominados de cardioprotetores. De forma geral, uma dieta saudável para o coração é caracterizada pelo consumo de frutas, legumes, verduras, castanhas, cereais integrais, fibras, azeite de oliva, carnes magras, laticínios desnatados, alimentos fonte de magnésio e potássio, e com baixo teor de gordura saturada, de colesterol dietético e de sódio.

Apesar dos benefícios, vale ressaltar que não existe uma única substância, nutriente ou alimento milagroso. O que se acredita é que a combinação entre eles, dentro de uma alimentação regrada e diária, é o que possibilitará que o coração continue a bater de forma saudável.

A seguir, três especialistas detalham o que é bom ou não para o seu coração:

Fibras

Alguns estudos já comprovaram que alimentos ricos em fibras são os mais benéficos para o coração. As fibras têm importante papel no funcionamento do intestino, aumentando a formação do bolo fecal e diminuindo o tempo de trânsito intestinal. Dessa forma, contribuem com a redução plasmática do colesterol “ruim” (LDL), aumentando a excreção fecal de colesterol. Elas também ajudam a reduzir a glicemia pós-prandial (valor da glicemia após a refeição), promovem saciedade e podem colaborar com o emagrecimento.

Entre os alimentos ricos em fibras temos as leguminosas: feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico, soja. Os grãos, farelos e farinhas integrais (arroz, linhaça, aveia, cevada, milho, trigo). Em frutas, como pera, maçã com casca e, ainda, em verduras, legumes e hortaliças.

Gorduras

Existem vários tipos de gorduras e nem todas fazem mal ao coração. Veja abaixo como elas são classificadas:

  • Saturadas: são aquelas que, em excesso, aumentam o risco de dislipidemia, promovendo o aumento dos níveis de colesterol total e LDL. Porém, não é recomendado retirá-las completamente da alimentação, mas sim consumi-la com moderação. Suas principais fontes são: manteiga, banha, toucinho, carnes e seus derivados, leite e laticínios integrais.
  • Monoinsaturadas: ajudam a controlar os níveis de colesterol. Suas principais fontes são: azeite de oliva, óleos vegetais (girassol, canola), abacate e oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas).
  • Poli-insaturadas: representadas pelo ômega 3 e pelo ômega 6. Quando consumidas em substituição às gorduras saturadas, ajudam a diminuir os níveis de LDL, sendo essenciais para o organismo. Suas principais fontes são: nozes, sementes de linhaça, soja, óleos vegetais e óleos de peixes (salmão, sardinha, pescada).
  • Trans: aumentam os níveis do colesterol “ruim” e diminuem os níveis do colesterol bom, causando o depósito de placas nos vasos sanguíneos. Vários estudos já mostraram os impactos negativos das gorduras trans à saúde do coração. Elas estão presente nas gorduras vegetais preparadas a partir da hidrogenação parcial de óleos vegetais, as quais são amplamente utilizadas pela indústria alimentícia e em produtos como bolos, tortas e biscoitos.

Sal e sódio

O consumo excessivo de sal está diretamente relacionado com o surgimento de casos de hipertensão. O aumento da pressão ocorre porque, quando o sal chega à corrente sanguínea, uma grande alteração no equilíbrio dos líquidos internos acontece. O excesso da substância leva à retenção de água e à uma sobrecarga no coração, ocasionando o aumento de pressão. Além de afetar o sistema cardiovascular, o excesso de sal no organismo pode ocasionar problemas nos rins, levando ao comprometimento do órgão. (leia mais abaixo)

O sal de cozinha é a maior fonte de sódio, mas não é a única. O sódio também é utilizado nos alimentos industrializados como conservador alimentar, que diferentemente do sal de cozinha, não apresenta sabor salgado, podendo estar presente em alimentos doces, diet, light, entre outros.

A orientação nutricional para pacientes hipertensos deve preconizar a não ingestão de produtos como: enlatados, embutidos, conservas, molhos e temperos prontos ricos em sódio, além da utilização de pouco sal no preparo dos alimentos e a não utilização de saleiro a mesa.

Potássio

O potássio é crucial para a função cardíaca e desempenha papel importante na contração do músculo-esquelético. Os benefícios do potássio para a saúde do coração são: diminuição da retenção de líquidos, regulação da pressão arterial e diminuição do risco de infarto e AVC.

No Brasil, como o consumo de sódio no preparo dos alimentos é muito alto, isso pode aumentar a necessidade de potássio. Esse mineral pode ser encontrado na banana, laranja, ameixa, maracujá, cenoura, beterraba e no feijão.

Carnes

As principais carnes consumidas são de boi, frango e suínos, e, do ponto de vista nutricional, são importantes fontes de proteínas de alto valor biológico, fornecendo todos os aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais. A quantidade de gordura, bem como a distribuição de ácidos graxos, varia de acordo com o animal e o tipo de corte.

As carnes de cortes mais gordurosos apresentam na sua composição a gordura saturada que, em excesso, pode elevar o colesterol no sangue, podendo levar ao acúmulo de gordura e entupimentos das artérias, aumentando o risco de infarto.

O peixe e o frango têm menor teor de gordura saturada que a carne vermelha, por isso deve-se dar preferência a esses alimentos. Todos os peixes são considerados saudáveis, a atenção é para o modo de preparo devendo evitar a fritura de imersão. Entre os peixes fonte de ômega 3, de águas frias e profundas, temos o salmão, atum arenque, sardinha, truta cavala.

Açúcar

A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda que apenas 5% do total de calorias ingeridas ao dia venha do açúcar, o que daria, em média, 25 g ao dia. O excesso de açúcar industrializado utilizado na produção de alimentos e bebidas pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, elevando os níveis de triglicérides e glicemia.

Vinho e suco de uva

Já ouviu falar que tomar uma taça de vinho por dia faz bem para o coração? Assim como no vinho, o resveratrol, um potente antioxidante, também está presente no suco da uva. Esse antioxidante protege o organismo contra o estresse oxidativo, podendo reduzir o LDL. Por isso, impede a formação de placas de gordura nas artérias e vasos sanguíneos, e melhora a elasticidade das veias e a circulação.

Vitaminas e minerais

As vitaminas têm potente ação antioxidante e reforçam o sistema imunológico, prevenindo doenças cardiovasculares, entre outros benefícios. Elas são encontradas em pequenas quantidades na maioria dos alimentos. (leia mais abaixo)

Assim como as vitaminas, os sais minerais são substâncias inorgânicas e não são produzidas pelo ser humano. Eles fornecem micronutrientes como o sódio, potássio, ferro, cálcio, magnésio, e estão presentes na água, frutas, legumes, verduras, entre outros.

Fonte: Viva Bem