Situação das pequenas empresas e autônomos de Campos: análise da crise

Pequenos comerciantes e empreendedores de Campos buscam se reinventar para sobreviver. A maioria não tem fluxo de caixa suficiente para bancar um período longo sem vendas e a possibilidade de levantar um financiamento é remota. Enquanto isso, trabalhadores autônomos “se viram nos 30” para sobreviver. Desde a produção de máscaras de proteção do coronavírus aos serviços de delivery, eles buscam driblar a crise aguda desencadeada pela Covid-19. O gerente regional do Sebrae, Gilberto Soares, faz uma análise do atual quadro. Ele considera que, diante da gravidade do momento, o microempresário ou empreendedor deve ter suficiente inteligência emocional e muita calma para encarar a situação de adversidade.(leia mais abaixo)

“É um momento muito difícil. Nunca passamos por uma situação semelhante, onde o comerciante e o empreendedor tentam se reencontrar neste cenário caótico com o isolamento social que tem sérias consequências presentes e futuras nos negócios e na economia em geral. É preciso inteligência emocional e muita calma para saber lidar com as adversidades. Neste momento, é fundamental reduzir seus custos ao máximo, buscar o uso das vendas em delivery com as entregas em domicílio e fazer uso das redes sociais. Você tem que fazer uma seleção de contas a serem pagar ou não neste momento. Pagar fornecedores e funcionários é prioridade. Pagando aos funcionários você mantem o seu atendimento e faz a economia girar. Tributos é uma das últimas coisas a ser paga”, recomenda Gilberto Soares.

TRABALHO REMOTO – Neste quadro de pandemia foi possível descobrir o funcionamento do trabalho “home office”, avalia o gerente do Sebrae. “Antes da pandemia, tínhamos em nossa gaveta uma discussão sobre como trabalhar remotamente, em home office e com uso mais intenso nas mídias digitais, mas que não havia saído ainda do papel. Com a pandemia, as pessoas descobriram esta necessidade e estão se reinventando para sobreviver a crise”.

Em suma, os microempresários atentaram para a utilização das vendas “e commerce” como um aliado importante em suas vendas, em razão da expansão do uso das redes sociais, especialmente pelas novas gerações.

“As compras via online no mundo que representavam 4% no mercado, mas nos últimos anos cresceu para em torno de 20%. Mas com esta pandemia há uma tendência em aumentar ainda mais”, disse.

TENDÊNCIA – Segundo o especialista, esta tendência contemporânea representa um recado para os empresários que deverão se adequar a esta nova realidade. “A internet permite maior agilidade e possibilita atingir outros nichos de mercado, além do público presencial. Até porque o consumidor nunca deixará de consumir. Mas não é um processo fácil. Para entregas em domicílio o comerciante tem que estar na rede social. Pela sua carteira de clientes, você pode fazer uso do Watsap para fazer o atendimento, são caminhos neste momento para se fazer algum caixa a fim de enfrentar a crise”.  

Gilberto Soares analisa que o sistema de entrega em domicilio exige mais. “É preciso criar uma estrutura de comunicação, de entrega, controle, estoque e logística. Mas nós temos consultores em condições de orientar o micro e pequeno empresário para que ele possa se adaptar a essa nova realidade do mercado”.

CRÉDITO – A gravidade da crise leva a que muitos empresários fechem suas portas temporariamente, outros de forma até definitiva. Para tentar respirar e readquirir fôlego durante e após a pandemia, os comerciantes recorrem ao crédito bancário.

“O Sebrae cumpre um papel de intermediação entre a empresa e os bancos, buscando sensibilizar as instituições para taxas juros mais baixas e flexibilização quanto a algumas exigências. Buscamos sensibilizar os bancos diante da necessidade de taxas de juros menores para micro e pequenas empresas. Quando há interesse do banco no financiamento, nós firmamos um convênio com a instituição bancária e entramos com um fundo de aval. Então as exigências diminuem um pouco, assim como as taxas de juros caem também porque com o fundo de aval do Sebrae o banco se sente mais seguro em receber aquele recurso de volta e baixa a taxa de juros”, explicou.

“É uma realidade bastante difícil. Mas estamos trabalhando home office para oferecermos uma consultoria e ajudar o comerciante. Basta o interessado ligar para 27232429, que vai cair em nossa central atendimento no Rio de Janeiro, que vai buscar responder as demandas. Se for uma questão mais regionalizada, nós aqui damos continuidade no atendimento. Além deste telefone temos o portal que é o especialcoronabirus.rj.sebrae.com.br.  

COMÉRCIO ABRE

Nos últimos dias, comerciantes nas Ruas João Pessoa e Barão do Amazonas do ramo de confecções abriram as portas para atender a clientes. Abrir as portas é força de expressão, já que uma grade separava os clientes dos atendentes, no caso os próprios proprietários das lojas.

“Estou atrás de uma máscara. Agora é obrigado usar e preciso me proteger”, disse a dona de casa Jandira dos Santos, na fila sobre a calçada ao lado de mais outros cinco clientes onde não era observado o distanciamento recomendado entre as pessoas.

Outra loja, que trabalha com aviamentos, atendia a senhoras que produziam máscaras em casa para vender e superar a crise. “Meu marido ficou desempregado há dois meses. A gente tem que se virar vendendo alguma coisa. Agora apareceu essa procura por máscara e quero aproveitar para ver de faturo alguma coisa”, disse Luana Bastos, recepcionista, também desempregada.