Seduct reúne orientações e habilidades em publicação para fortalecer Educação Escolar Quilombola


  • 26/08/2026, 10h24, Foto: Divulgação .

Campos 24 Horas - A Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Seduct) está disponibilizando o caderno “Orientações Pedagógicas em Educação Escolar Quilombola” para toda a rede de ensino de Campos. O material foi elaborado para apoiar uma formação escolar diferenciada, contextualizada e alinhada à realidade dos territórios quilombolas, contribuindo para assegurar os direitos educacionais coletivos das comunidades tradicionais. A publicação pode ser acessada no Portal PAE pelos educadores do município.

Produzido pela Gerência de Diversidade e Inclusão da Seduct, com a colaboração da Gerência de Ensino Fundamental, o documento foi estruturado para aproximar os conteúdos trabalhados nas escolas das experiências e dos conhecimentos construídos pelas comunidades quilombolas. Segundo o gerente de Diversidade e Inclusão, Diego Henrique Nascimento, a proposta considera a educação como instrumento de valorização das identidades e de reconhecimento dos diferentes modos de vida presentes no município. (Leia mais abaixo)

Para ele, a elaboração do material representa um avanço na construção de uma educação que reconhece a diversidade como parte do processo de aprendizagem. “Quando aproximamos o currículo das histórias, dos saberes e das experiências das comunidades, possibilitamos que os estudantes reconheçam sua própria trajetória e também aprendam a respeitar outras formas de viver e construir conhecimento”, afirma.

Para alinhar o ensino formal ao cotidiano territorial, o caderno estrutura a proposta pedagógica em cinco eixos articuladores fundamentais. Os temas definidos são Memória e Ancestralidade, Oralidade e Vivências, Cultura e Etnodesenvolvimento, Resistência e Identidade, além de Territorialidade. Diego aponta que essa organização permite que o planejamento escolar englobe os componentes curriculares oficiais com elementos que vão do debate fundiário e da agricultura familiar até as manifestações culturais regionais típicas.

O documento também reúne possibilidades metodológicas para aproximar a escola das comunidades, estimulando atividades como rodas de conversa, entrevistas com pessoas reconhecidas como guardiãs de saberes, produção de registros sobre o patrimônio cultural, elaboração de mapas afetivos e pesquisas sobre espécies e conhecimentos relacionados ao território. Manifestações como o jongo, o fado e a Folia de Reis, além de práticas ligadas à agricultura familiar e à cultura local, podem ser incorporadas às atividades pedagógicas de acordo com a realidade de cada unidade escolar.

Já o anexo de habilidades amplia essa orientação ao relacionar os eixos da Educação Escolar Quilombola às habilidades previstas para diferentes etapas da Educação Básica. A organização permite que professores identifiquem possibilidades de trabalhar competências e conhecimentos curriculares a partir de situações vinculadas às vivências dos estudantes, desde a Educação Infantil até o Ensino Fundamental. Entre as possibilidades estão atividades envolvendo narrativas familiares, cantigas tradicionais, culinária, brinquedos produzidos com materiais naturais, investigação da biodiversidade, registros históricos, produção de podcasts e recursos digitais e representação cartográfica dos territórios.

Segundo Diego, a associação entre habilidades curriculares e conhecimentos das comunidades contribui para transformar o material em um instrumento de planejamento e não apenas de consulta. “O caderno foi pensado para ajudar o profissional da educação a encontrar caminhos para desenvolver as habilidades previstas no currículo sem desconsiderar o contexto em que o estudante está inserido. A escola pode trabalhar os conteúdos curriculares a partir da memória, da oralidade, da cultura e do território, fortalecendo o vínculo entre aprendizagem e realidade”, explica. (Leia mais abaixo)

Com as orientações e o anexo de habilidades, a Seduct amplia os subsídios oferecidos aos profissionais da rede para o desenvolvimento da Educação Escolar Quilombola e para a valorização das relações étnico-raciais no ambiente escolar. O material serve como referência para professores, equipes gestoras, coordenadores pedagógicos, supervisores e demais profissionais da Educação Básica, especialmente aqueles que atuam em unidades localizadas em áreas quilombolas ou que recebem estudantes dessas comunidades.



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