Remédio em carro de motorista em Copacabana estava fora da validade

Um dos remédios encontrados no carro de Antonio de Almeida Anaquim, de 41 anos, motorista que atropelou diversas pessoas na orla de Copacabana na noite desta quinta-feira, estava fora do prazo de validade. Uma das embalagens do medicamento Depakote está vencido desde julho de 2017. A droga é um dos remédios usados para tratamento de alguns tipos de epilepsia. Em depoimento na 12ª DP (Copacabana), Anaquim alegou ter sofrido um ataque epilético ao volante, atropelando 18 pessoas no total e deixando uma bebê de oito meses morta.

A Polícia Civil não informou se os remédios encontrados no carro são usados por Anaquim. O resultado do exame de alcoolemia deu negativo. Os demais exames toxicológicos deverão sair nos próximos 15 dias. Além do Depakote, também foram encontradas duas cartelas de Lamitor e Tegretol CR. As medicações anti-epiléticas são usadas de acordo com o grau que a pessoa apresenta da doença.

De acordo com a neurofisiologista do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Priscila Oliveira da Conceição, os remédios que estavam no veículo são de uso comum para tratamento da epilepsia, inclusive a associação entre os três.

— A gente não trabalha com remédios fortes ou fracos. Cada um tem seus efeitos colaterais típicos, uns mais que outros e também depende da pessoa. O que temos são remédios para vários tipos de epilepsia. Não sabemos o tipo que ele (Anaquim) tem. De qualquer forma, o Depakote e o Lamitor são remédios de amplo espectro e funcionam para vários tipos da doença. O Tegretol provoca sonolência, mas também é muito utilizado. A associação entre eles também é muito adotada. É importante lembrar que qualquer medicação pode apresentar problemas com eficácia se for consumida fora da validade — disse.

Ainda segundo Priscila, uma crise epilética dura em média de um a três minutos, dependendo do grau da doença. Após a crise, o paciente pode demorar a sair do estado de confusão mental. Após o acidente, testemunhas relataram que Anaquim deixou o carro desorientado. Para Priscila, a reação é comum após crises.

— O pós-crise pode perdurar muito tempo. Em alguns casos, a pessoa pode voltar rápido ao estado normal. Outros podem demorar um pouco a deixar de ficar confusos. Há relatos de pessoas que ficam mais agressivas ou então completamente desnorteadas, como se quisessem sair correndo — relatou.