Quem é Rishi Sunak, o novo primeiro-ministro do Reino Unido

Rishi Sunak, ex-ministro de Finanças do Reino Unido, foi escolhido nesta segunda-feira pelo Partido Conservador como seu novo líder e, consequentemente, novo primeiro-ministro britânico, posto até então ocupado por Liz Truss, que renunciou na última sexta-feira após 44 dias de mandato. O parlamentar, que será o primeiro líder de minoria étnica do país, havia ficado em segundo lugar na corrida que levou Truss ao poder há pouco mais de um mês, e terá agora a missão de consertar o caos deixado por sua antecessora. (leia mais abaixo)

Sunak será o primeiro britânico de origem hindu e descendente de indianos a assumir o governo, como também a primeira pessoa não branca a comandar o Reino Unido. Com sorriso permanente no rosto, aparência de melhor aluno e apenas 42 anos, também será o governante mais jovem do país desde o século XIX. (leia mais abaixo)

Bilionário, Sunak é o parlamentar mais rico de todo o Reino Unido, com uma conta bancária que contrasta com as dificuldades enfrentadas por boa parte dos britânicos diante da maior inflação em 40 anos. (leia mais abaixo)

Ele foi nomeado ministro das Finanças em fevereiro de 2020, após apenas cinco anos no Partido Conservador. Um mês depois, eclodiu a pandemia de Covid-19 e seus impactos econômicos. (leia mais abaixo)

Graças ao seu enorme pacote de auxílios para mitigar os efeitos da crise sanitária, tornou-se um dos integrantes mais populares do governo. Boris, por sua vez, acumulou críticas pela catastrófica resposta inicial de Downing Street, sede do governo, à pandemia. O ex-premier até se recuperou com a rápida campanha de vacinação, mas pouco depois eclodiu o “Partygate”. O escândalo de festas celebradas na sede do governo enquanto os britânicos estavam de quarentena para impedir a disseminação do vírus ajudaria a derrubar Boris após meses nos noticiários.

Em 2015, quando virou deputado pelo distrito de Yorkshire, no Norte da Inglaterra, a maior das províncias britânicas, Sunak prestou juramento sobre o Bhagavad Gita, livro sagrado do hinduísmo, escrito em sânscrito.

Considerado por muito tempo como o braço direito de Boris, Sunak é visto agora pela órbita do ex-premier como um traidor. Sua renúncia das Finanças em 5 de julho foi uma das que catalisou outros 60 pedidos de demissão em cerca de dois dias e, em última instância, o colapso do governo.

Sua imagem contrasta como noite e dia com a de Johnson. Se o governo de Boris é visto como improvisado e caótico, Sunak transmite a impressão de ser superorganizado e meticuloso. Em contraste com o cabelo desgrenhado do ex-primeiro-ministro, Sunak está sempre com todos os fios no lugar e vestido com roupas de grife. (leia mais abaixo)

Ele toma extremo cuidado com a sua imagem de seriedade e modernidade nas redes sociais. Também afirma não beber álcool. (leia mais abaixo)

‘Ser responsável’
Nascido em 12 de Maio de 1980 em Southampton, na costa Sul inglesa, é o mais velho de três filhos de um médico e de uma farmacêutica, que tinham boas condições financeiras. Indianos, seus avós emigraram da África Oriental britânica para na década de 1960. (leia mais abaixo)

Sunak, que afirma ter sido vítima de racismo num restaurante de fast food na adolescência, frequentou o Winchester College, um chique internato privado para rapazes. Depois, estudou Política, Filosofia e Economia nas prestigiosas Universidade de Oxford, no Reino Unido, e Universidade Stanford, no estado americano da Califórnia. (leia mais abaixo)

Foi nos Estados Unidos que conheceu sua mulher, Akshata Murthy, com quem tem duas filhas. Defensor ferrenho do Brexit, ele é também um entusiasta do críquete, do futebol e da franquia “Guerra nas Estrelas”. (leia mais abaixo)

Durante muito tempo, era visto como o sucessor natural de Boris. Sua popularidade começou a cair, no entanto, após o alívio das restrições pandêmicas. O governo cortou os subsídios e começou a elevar os impostos em um cenário de inflação disparada e crise do custo de vida — medidas especialmente impopulares entre certos quadros conservadores. (leia mais abaixo)

— Para mim, ser conservador significa ser responsável pelo dinheiro, tanto pelo dinheiro do povo como pelas finanças públicas — disse Sunak. (leia mais abaixo)

Na lista das grandes fortunas
A imagem do ex-ministro das Finanças também foi manchada por um escândalo fiscal envolvendo sua mulher, filha do bilionário cofundador da gigante tecnológica Infosys, N. R. Narayana Murthy. (leia mais abaixo)

Akshata Murthy havia se registrado como “não domiciliada” no Reino Unido, apesar de viver com o marido em um apartamento oficial em Downing Street. Logo, os impostos britânicos não incidiam sobre seus milhões em rendimentos estrangeiros. (leia mais abaixo)

O status de “não domiciliado” é legal, mas a revelação não foi bem-vinda pelos britânicos em um momento que a inflação atinge seu maior valor em 40 anos. Murthy precisou alterar seus documentos e passará a pagar Imposto de Renda no Reino Unido. (leia mais abaixo)

Deputado mais rico do país, Sunak, que antes de entrar na política ganhou milhões trabalhando para empresas financeiras como a Goldman Sachs, tornou-se em maio o primeiro político de alto escalão a integrar a lista do jornal Sunday Times das maiores fortunas britânicas. Ele e a sua esposa têm uma riqueza estimada de 730 milhões de libras (R$ 4 bilhões). (leia mais abaixo)

Por ter participado do “Partygate”, o político conservador foi multado em 50 libras (R$ 298) pela polícia, assim como Boris. Sunak esteve em uma comemoração improvisada do 56º aniversário do chefe de governo, na sala do Gabinete, enquanto os britânicos eram instados a ficarem em casa e não se encontrarem com outras pessoas.

Fonte: Extra