Dos bicos com faxinas e manutenção à venda de alimentos e cosméticos em casa, quase metade (45%) dos brasileiros precisou realizar alguma atividade extra para complementar a renda no último ano, revelou pesquisa do Instituto Cidades Sustentáveis publicada nesta quarta-feira (10). (leia mais abaixo)
A atividade de serviços gerais, como faxina e marido de aluguel, foi a mais citada, por 13% dos respondentes, seguida pelas vendas de alimentos (8%) e de roupas e outros artigos usados (6%).(leia mais abaixo)
A crise econômica após a pandemia de Covid-19, a falta do auxílio emergencial e a inflação são apontados pelos especialistas ouvidos pelo R7 como os motivos de maior influência para que tantos brasileiros – 76 milhões, segundo a estimativa do estudo – procurassem uma renda extra.(leia mais abaixo)
Para sobreviverem e se alimentarem, comenta Jorge Abrahão, coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis, “as pessoas complementam a renda e realizam atividades extras que não são suas especialidades, pois não conseguem mais ter itens básicos à sobrevivência”.(leia mais abaixo)
A procura por atividades extras está diretamente relacionada à piora das condições de vida da população, avalia Marcelo Gomes Ribeiro, professor do Ippur (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional), da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).(leia mais abaixo)
“Pelo fato de, de modo geral, ter havido uma redução do rendimento médio das pessoas e nos domicílios. Isso se deu principalmente entre as pessoas mais pobres”, diz o pesquisador.(leia mais abaixo)
Gomes lembra que, com os aumentos inflacionários e a desvalorização do salário mínimo, a população perdeu significativamente seu poder de aquisição de bens e serviços.(leia mais abaixo)
Isso faz com que as pessoas, sobretudo as mais pobres, tenham de buscar alternativas de obtenção de renda para superar esse processo de desvalorização. “É uma situação que está em pleno compasso com aquilo que nós observamos na economia brasileira e no seu mercado de trabalho”, prossegue.(leia mais abaixo)
Para além da crise econômica, Jorge Abrahão cita a incapacidade do governo federal de oferecer uma resolução para o problema.(leia mais abaixo)
“Nossa população mais vulnerável podia ter uma resposta mais forte a isso. O país tem condições para isso, mas não houve sensibilidade, e [as pessoas] tiveram que apelar a esses serviços”, comenta o coordenador do Instituto Cidades Sustentáveis.(leia mais abaixo)
Abrahão cita como exemplo o auxílio emergencial, que sofreu reduções e cortes ao longo da pandemia. (leia mais abaixo)
“Em momentos como esse, o auxílio tinha que ser prioridade e permanente até que a crise fosse superada. As pessoas não têm acesso aos produtos. As empresas também trabalham com limitações, e isso tudo faz com que, com uma grande quantidade de pessoas no limite de vulnerabilidade, a população precise de apoio. E cabe ao governo ser mais ágil, mais sensível para atender a população”, conclui.(leia mais abaixo)
Os pesquisadores divulgaram os resultados por região. Os habitantes do Sudeste, Centro-Oeste e Norte foram aqueles que mais tiveram de recorrer aos bicos para complementar a renda. A realidade foi notada por 48% dos respondentes.(leia mais abaixo)
Já a região Sul foi aquela em que a renda extra se fez menos necessária: 63% da população não precisou de renda extra, além de mais 2% que não souberam ou não quiseram responder à questão.(leia mais abaixo)
As outras quatro regiões apresentam níveis bastante semelhantes, com exceção do Sul, comenta Marcelo Gomes.(leia mais abaixo)
“Isso ocorre porque lá é menor a proporção de pessoas que vivem em situação de pobreza, comparativamente às demais regiões do Brasil”, afirma.(leia mais abaixo)
Para essa pesquisa, foram ouvidas 2.000 pessoas com 16 anos ou mais de todas as regiões do país, entre 1º e 5 de abril de 2022.
O objetivo do estudo era obter um levantamento sobre a percepção da população brasileira acerca das múltiplas desigualdades (social, racial, de gênero e orientação sexual) no país.
A pesquisa tem um nível de confiança estimado em 95%, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados.