Quase metade das mulheres já sofreu assédio sexual no trabalho, diz pesquisa

Quase metade das mulheres que atuam no mercado de trabalho sofrem ou já sofreram assédio sexual no ambiente corporativo. É o que mostra uma pesquisa elaborada pela consultoria de inovação social, Think Eva, em parceria com a rede social LinkedIn, divulgada nesta terça-feira (06). (leia mais abaixo)

Isso porque, da cerca de 400 mulheres ouvidas pelo levantamento – com idades de 18 a 60 anos – 47% delas afirmaram já ter sofrido assédio sexual. A pesquisa foi feita no início deste ano, portanto antes da pandemia. Mas, durante o período de isolamento social o LinkedIn também viu o assédio crescer no ambiente online, proporcionalmente ao aumento de 55% das conversas entre os usuários na plataforma, quando comparado março de 2019 a março de 2020.

Definido pelo código penal como “ato de constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual”, a análise também mostra que o assédio sexual nas empresas também varia de acordo com a situação econômica das mulheres e da raça.

Segundo os dados, entre as mulheres que mais sofreram assédio, estão as que ocupam cargo de assistente, com 32,5%. Na sequência, aparecem as que estão em posições de pleno ou sênior, com 18,6% e estagiárias, 18,1%. Mulheres em cargos de liderança, como diretoras, são as que menos sofrem: apenas 2,4% relataram sofrer assédio.

“E mesmo que o número de mulheres que ocupam posições hierárquicas mais altas sejam quantitativamente menores, o assédio não deixa de ser uma realidade”, diz o relatório. “Entre as entrevistadas que declararam desempenhar a função de gerente, 60% afirmaram terem sido vítimas de assédio. No caso de diretoras, o número chegou a 55%”, aponta o estudo.

Mulheres negras sofrem mais 

De acordo com a pesquisa, a desigualdade social e de raça provoca uma maior suscetibilidade a trabalhos precarizados e, assim, maior violação aos direitos.

Não à toa, 52% das vítimas são mulheres negras (pretas e pardas). Além disso, 49% possuem uma renda entre dois e seis salários e 63% delas estão na região norte do país. 

“Partindo do cenário de objetificação e hiperssexualização do corpo da mulher, a pesquisa reconhece o racismo como um dos fatores que agravam a condição das mulheres negras”, revela o documento. “Por isso, combater o ciclo do assédio sexual no ambiente de trabalho também passa por considerar essas especificidades.”

Consequências do assédio

Uma das consequências é a evasão do mercado de trabalho: uma em cada seis vítimas pede demissão após passar por assédio. 

Ainda de acordo com a pesquisa, na maioria dos casos o agressor não sofre punições. Já a vítima vê a sua performance profissional afetada, além de enfrentar perda de autoconfiança no ambiente de trabalho. 

Nas classes mais baixas, 55% das mulheres declararam sentimento de insegurança. O índice é 11 pontos percentuais maior que a média geral. 

Fonte: CNN Brasil