Projeto Eco Aves transforma galinheiro em espaço de inclusão e aprendizagem na Escola Getúlio Vargas

Campos 24 Horas – Na Escola Municipal Doutor Getúlio Vargas, em Tócos, o cuidado com as aves também virou uma forma de aprender, conviver e encontrar equilíbrio. O projeto Eco Aves na Escola utiliza o espaço para atividades de Educação Inclusiva e para o ensino de diferentes componentes curriculares, envolvendo cerca de 60 alunos atípicos atendidos pela unidade. A iniciativa, que começou por meio do programa Mais Ciência na Escola entre 2024 e 2025, ganhou continuidade após o encerramento do projeto e passou a integrar a rotina escolar.

Com apoio das mediadoras, os estudantes atípicos participam de atividades que vão muito além da alimentação das galinhas. Os alunos ajudam nos cuidados com as aves, acompanham a coleta dos ovos e observam o ambiente ao redor, enquanto professores e profissionais da mediação aproveitam as situações para trabalhar conteúdos pedagógicos e estimular a interação. A experiência ganha relevância em uma escola que alcançou a maior nota da rede municipal no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 na etapa dos Anos Iniciais.

A proposta nasceu a partir das características da própria unidade, que funciona como escola do campo e possui uma área ampla para atividades práticas. O diretor Luiz Augusto Bernardo de Souza explica que a criação das aves também foi pensada para aproveitar recursos disponíveis na escola, incluindo restos de alimentos e produtos cultivados no local. “A gente conseguiu confeccionar esse galinheiro na nossa escola e fizemos dele um projeto interdisciplinar, em que as crianças conseguem aprender Ciências, Matemática e outros conteúdos a partir de uma experiência concreta”, afirma.

O contato com as aves também abriu possibilidades para o ensino de Ciências, especialmente em temas relacionados à reprodução e aos ciclos da natureza. Luiz Augusto conta que os alunos já acompanharam o nascimento de pintinhos e puderam observar, na prática, etapas que normalmente seriam apresentadas apenas por meio de livros ou explicações em sala. A produção de ovos ainda tem uma finalidade prática. Parte é utilizada pela própria escola e, em ocasiões especiais, pode ser empregada na preparação de chuviscos.

A experiência, porém, ganhou uma dimensão ainda mais significativa no atendimento aos alunos atípicos. Para Luiz Augusto, o galinheiro passou a ser um ambiente de acolhimento e regulação, especialmente nos momentos em que algum estudante precisa se afastar temporariamente da sala de aula. “Quando eles desregulam, cuidadores e mediadores conseguem trazer esses alunos para cá e ajudar a estabilizar as emoções. É um espaço mais familiar e atrativo, principalmente para os alunos atípicos”, explica.

A professora Janaína Guedes, que coordenou o projeto durante a participação no Mais Ciência na Escola, destaca que a continuidade foi uma decisão da própria unidade diante dos resultados observados no cotidiano. Depois do encerramento do programa, a escola incorporou a iniciativa às suas práticas.

“Quando o projeto se encerrou no Mais Ciência na Escola, a Escola Getúlio Vargas abraçou para ela. Usamos o projeto para desenvolver o afeto, a regulação das experiências e também como apoio às disciplinas. Muitas vezes, nossos alunos chegam aqui muito rígidos e encontram nesse espaço o afeto de que precisam para desenvolver a aprendizagem”, relata.

Na rotina da mediação, o galinheiro também se tornou uma alternativa. A mediadora Juliana Montes conta que utiliza o espaço tanto para ajudar os estudantes a se reorganizarem quanto para ampliar as oportunidades de aprendizagem. “Quando os alunos estão agitados ou entram em crise, costumo trazê-los para o galinheiro. Aqui eles interagem com a natureza e com as galinhas, e eu aproveito para conversar sobre os animais, os ovos, as penas, as flores e as plantas. Eles se regulam e depois voltam para a sala mais animados e engajados”, afirma.

Ao reunir cuidado com os animais, contato com a natureza, produção de alimentos, conteúdos escolares e estratégias de inclusão, o Eco Aves na Escola transformou um espaço simples da unidade em uma ferramenta permanente de aprendizagem e convivência. Para Luiz Augusto, a experiência mostra como iniciativas desenvolvidas a partir da realidade de cada escola podem produzir resultados em diferentes frentes. “É uma ação simples, mas que tem um retorno muito grande para toda a nossa comunidade escolar”, resume.