Professores da rede estadual entram em greve

segunda-feira, 12 de maio de 2014     –     Foto: Saulo Garcez / Campos 24 Horas/ arq

Milhares de alunos ficarão sem aulas em Campos. Segundo o Sepe, há previsão de adesão da maioria dos professores

alunos uenf greve de fome capaProfissionais de educação da redes estadual iniciam greve nesta segunda-feira (12) por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em assembleia da categoria na semana passada. Eles se juntam aos professores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em greve há dois meses, e do Instituto Federal Fluminense (IFF).

Marcelo Santana, da coordenação do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ), informou que entre as reivindicações conjuntas estão o reajuste de 20% nos salários, um terço da carga horária para planejamento de aulas fora de sala e redução de 40 para 30 horas na carga horária de funcionários administrativos.

Marcelo Santana antecipou que haverá outra assembleia na próxima quinta-feira (15) para avaliar o movimento, que teve início devido à falta de cumprimento do acordo firmado entre as secretarias de Educação do estado e do município com o Supremo Tribunal Federal, em outubro, após a greve do ano passado.

Os professores pedem também eleição direta para diretores de escolas estaduais. A secretaria estadual explicou que a escolha é feita por processo seletivo interno em quatro etapas: avaliação curricular, prova, entrevista e treinamento. “Eleição não é possível no estado devido ao fato de haver localidades com muita influência política e a eleição para diretor torna-se uma eleição com apoios de políticos. O processo seletivo também é mais democrático, pois permite que um professor se candidate ao cargo de diretor de escola na capital, mesmo que ele seja de outra região”, explicou acrescentando que o STF aceitou a posição e a interpretação da Seeduc.

Sobre o reajuste salarial, o órgão estadual informou que a proposta de aumento de 8% ainda precisa passar por votação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em relação a um terço da carga horária para o planejamento de aulas, a secretaria argumenta que já cumpre a medida, pois a hora-relógio em sala de aula equivale a 50 minutos.

Marcelo Santana reconheceu que a greve do ano passado foi extensa e de difícil negociação. “A greve acontece sempre quando todas as negociações estão esgotadas. No ano passado a greve foi para o Supremo Tribunal Federal. O governo estadual assinou um acordo com o sindicato e este acordo não foi cumprido, por isso, a categoria decidiu pela greve. Depende da boa vontade do governo. Ele nunca tem boa vontade. Tem dinheiro para investir na Copa, tem dinheiro para estádio e não tem dinheiro para educação?”, questionou.

De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, o percentual de reajuste com aumento real este ano foi apresentado em uma reunião com o Sepe, mas em relação à redução da carga horária para funcionários, ratificando uma posição do STF, a medida não pode ser tomada sem que haja diminuição dos salários.