
Aconteceu na tarde desta terça-feira (8), no Fórum Maria Tereza Gusmão, a primeira audiência de instrução e julgamento do caso Ana Paula Ramos. Luana Barreto Sales, apontada pela polícia como mandante da morte da universitária, negou e reafirmou que Ana Paula foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte), já os outros acusados Marcelo Henrique Damasceno, que teria, a mando da ré, intermediado a contratação de Wermison Carlos Sigmaringa e Igor Magalhães de Souza, executores do crime, resolveram ficar em silêncio.
Os acusados chegaram com atraso, por volta das 15h45, em uma viatura comum da Polícia Militar, devido a problemas no veículo da secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) que os levaria da Cadeia Pública Dalton Crespo de Castro ao fórum.
Participaram ainda da audiência, 11 testemunhas de acusação, entre elas o pai e a mãe da Ana Paula, o irmão da vítima e marido da Luana e a esposa de Damasceno, com quem Luana teria tratado a contratação pelo Facebook.
Às 16h45 começou a audiência com o depoimento do titular da 146ª Delegacia de Polícia (Guarus), Luís Maurício Armond. O delegado contou o que aconteceu no dia do crime, que estranhou a quantidade de disparos para um crime patrimonial. Armond disse, ainda, que estranhou que a Luana titubeou na hora de fazer o reconhecimento de um dos criminosos.
Na quebra de sigilo telefônico foi identificada uma série de ligações de Luana para Igor, entre às 16h da véspera e 2h do dia do crime. Segundo o delegado, esses contatos teriam sido para negociar a troca do local do crime.
Em seguida foi a vez do depoimento no policial militar que prendeu Igor. Ele contou que estava em uam outra ocorrência quando foi informado de uma tentativa de latrocínio e que o autor em um determinado local. Chegando, observou alguém pulando o muro de uma casa nos fundos, momento em que capturou Igor, que negou a autoria do crime e disse que não possuía arma.
Logo depois foi ouvido o marido de Luana e irmão da vítima, Paulo Roberto Ramos Filho. Ele disse que no dia do crime, chegou a casa e sua esposa disse que iria comprar um vestido no Centro com Ana Paula. Depois, ao ver que já estava tarde, ligou para os telefones das duas e que mais tarde Luana atendeu informando sobre o suposto assalto e dizendo ainda que Ana Paula tinha sido baleada. Porém, ele relatou que antes, o marido de Ana Paula havia falado com ela e ela disse que estava na Praça de Custodópolis a espera de uma amiga de Luana. Paulo disse que pediu para o cunhado ligar novamente porque o local era muito perigoso, mas não conseguiu contato. Ele disse ainda que sua mulher informou que iria levar uma diferença de caixa para uma amiga – o que ela não havia informado antes – e estranhou o fato das duas estarem naquele local.
Paulo contou que estava com Luana aproximadamente 10 anos e que nunca notou nada estranho em seu comportamento, mas que se recusou a ir a delegacia quando foi solicitada.
Uma mulher também prestou depoimento. Ela disse que não conhecia nenhum dos acusados e que estava no local no dia do crime. Que observou uma ‘moça bonita’ que saiu de um carro e encontrou um homem. Ambos teriam se dirigido para a lateral da praça e ficaram conversando por um tempo. Outros dois homens também estavam na praça. Depois viu quando os quatro retornaram juntos e a mulher teria entrado no carro, entregou um envelope a um homem e saíram.
Uma colega de trabalho de Luana também depôs. Disse que não tinha muito contato com ela, mas que no dia do crime recebeu um áudio de Luana pelo WhatsApp, pedindo que ela levasse uma quantia em dinheiro para cobrir o caixa, mas que ela não deveria contra a ninguém porque tinha feito um consórcio e o marido não tinha conhecimento, e que se o marido ligasse, que não era para ela atender.
Posteriormente foi a vez de uma amiga da ré. Ela disse que dias antes do crime, Luana havia ligado dizendo que o marido da tia tinha um amante e que ela e sua filha estavam sendo ameaçadas, e perguntou se tinha alguém que pudesse dar um susto. Ela então orientou Luana, dizendo que ela procurasse a polícia. A testemunha disse ainda que depois Luana falou friamente através de mensagem sobre um suposto assalto, no qual prestou solidariedade e não teve mais contato.
Por volta das 19h55 foi a vez da mãe da vítima, que contou que estranhou Luana ligar várias vezes, insistindo para ver o vestido e o mais estranho seria o horário, sábado a tarde. Ela teria questionado sobre o horário e Luana disse que se a loja não tivesse aberta, iriam tomar sorvete. A mãe de Ana Paula relatou também que foi a casa de Luana, na segunda-feira, após o crime, para tentar entender o que havia ocorrido e começou a desconfiar quando Luana a deixou esperando e depois entrou desesperada, perguntando porque Ana Paula tinha levado dois tiros e ela não, e em seguida disse que tinha que ir trabalhar.
A madrinha de casamento da ré e da vítima também falou em depoimento. Ela contou que era responsável pelo Chá de Lingerie de Ana Paula, mas que Luana não se manifestava no grupo, que havia pedido para adiar o evento – que seria no dia dos pais – para o dia em que aconteceu o crime. Disse ainda que encontrou com Luana na delegacia, que negou tudo, entre choro e seriedade.
Luana negou as versões da testemunhas mas não respondeu quando o promotor apresentou registro telefônico do celular dela e dos outros três réus. Também não comentou a versão da informante sobre o contato para dar um susto, nem a versão da testemunha que disse ter a visto um dia antes na praça de Custodópolis com os outros três réus.
Sobre a mudança da data do chá, Luana disse que não a ideia não foi dela e sim de um consenso entre a organizadora e participantes do grupo de WhatsApp. Ela também negou a versão de uma das testemunhas sobre ela não ter prestado socorro.
A audiência terminou por volta das 22h.