A Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal informou nesta segunda-feira (11) que já identificou o policial que entrou à paisana no CTI onde está internada a menina Heloísa dos Santos Silva, de 3 anos – baleada durante uma abordagem de policiais rodoviários federais no Arco Metropolitano, no Rio.(leia mais abaixo)
A denúncia foi feita no sábado (9) pelo chefe da segurança do Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, a representantes do Ministério Público Federal (MPF). Eles estiveram no local para iniciar as investigações sobre o caso.(leia mais abaixo)
“A Corregedoria da Polícia Rodoviária Federal foi ao hospital no mesmo dia e identificou o policial que esteve na unidade sem autorização. Por padrão, a PRF não divulga informações pessoais dos seus servidores. Como a presença se deu sem autorização e sem o conhecimento da PRF, foi aberto um procedimento na Corregedoria para apurar as razões”, informou a PRF em nota.(leia mais abaixo)
A instituição disse ainda que já instaurou procedimento para apurar a situação e que não exclui a possibilidade da aplicação de outras medidas decorrentes do próprio processo apuratório.(leia mais abaixo)
MPF cogita reforçar segurança
Ao saber da presença do agente da PRF no local, o procurador da República, Eduador Benones, cogitou ainda reforçar a segurança no local.(leia mais abaixo)
“O chefe da segurança do hospital informou aos agentes do MPF que esse policial não quis dar explicações e entrou sem autorização. A presença de um policial à paisana, e que não se justifica no CTI, causa preocupação. A gente vai olhar para reforçar a segurança ali no perímetro do hospital”, disse o procurador.(leia mais abaixo)
Eduardo Benones coordena o grupo do MPF que fiscaliza a atividade policial e que vai fazer uma investigação independente para apurar a conduta dos agentes que estavam na viatura quando a Heloísa foi baleada.(leia mais abaixo)
Policial admitiu tiro
No primeiro depoimento dos policiais prestado à Polícia Civil, o agente Fabiano Menacho Ferreira admitiu ter feito os disparos de fuzil que atingiram a menina.(leia mais abaixo)
Ele disse que os policiais tiveram a atenção voltada para o veículo Peugeot 207, e que a placa indicava que o carro era roubado. Eles seguiram atrás do veículo, ligaram o giroflex e acionaram a sirene para que o condutor parasse mas, que depois de cerca de 10 segundos atrás do veículo, escutaram um som de disparo de arma de fogo, e chegaram a se abaixar dentro da viatura.
Fabiano Menacho disse que disparou três vezes com o fuzil na direção do Peugeot porque a situação o fez supor que o disparo que ouviu veio do veículo da família de Heloísa.
Os outros agentes, Matheus Domicioli Soares Viegas Pinheiro e Wesley Santos da Silva, confirmaram a versão do colega.
Desde o primeiro momento, a família disse que o tiro partiu de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal.
Heloísa foi atingida por duas balas de fuzil: uma que entrou pelas costas, passou pela coluna e deixou fragmentos na cabeça, e outra está alojada no ombro direito da menina.
A Polícia Civil confirmou que o carro em que a família estava foi roubado no dia 20 de agosto do ano passado, em Petrópolis, e abriu uma investigação. Os envolvidos na negociação do veículo já prestaram depoimento.
A Polícia Federal também instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do fato. A investigação ficará a cargo da Delegacia de Polícia Federal em Nova Iguaçu, em razão do local da ocorrência.
A mãe de Heloísa disse que a família não sabia da irregularidade na documentação do carro.
O diretor-geral da PRF, Fernando Oliveira, prometeu investigar o caso da menina Heloisa e disse que atirar em veículos, mesmo que eles estejam irregulares, não é a conduta correta.
Levantamento feito pelo MPF com base em números da própria Polícia Rodoviária Federal, mostra que o Rio de Janeiro foi o estado que mais teve mortes em ocorrências da PRF, entre 2017 e 2022.
Fonte: g1