Em sequência à série de entrevistas iniciadas neste domingo (09) no Campos 24 Horas sobre “A era de receitas expressivas dos royalties do petróleo que chegou ao fim”, o entrevistado de hoje é o presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (ACIC), Leonardo Castro de Abreu, que assumiu a instituição em agosto de 2018 e será candidato à reeleição.
Prova de que “A era de receitas expressivas dos royalties do petróleo chegou ao fim” é a situação financeira crítica de Campos e outros municípios produtores de petróleo da região. Nos últimos anos Campos não conseguiu atrair empresas e investidores para geração de mais emprego e renda e vive problemas sérios em áreas como saúde, transporte, economia, entre servidores públicos e outros.
É em cima destes fatores que se dá a série de entrevistas com perguntas padrão aos pré-candidatos e representantes de diferentes segmentos da sociedade de Campos e região. Os demais representantes dos segmentos do setor produtivo, assim como pré-candidatos a prefeito de Campos, terão espaço idêntico ao longo dos próximos dias para colocar suas ideias e projetos.
ENTREVISTA
Campos 24 Horas – Que propostas defende para a diversificação da economia do município, a fim de que adquira um maior grau de autonomia e independência em relação aos royalties do petróleo?
LEONARDO ABREU – O município sempre teve uma vocação agrícola e não podemos deixar de lado esta característica. No entanto, é necessário investir em tecnologia, melhorar a área plantada e na infraestrutura para escoar a produção, investindo em estradas e, principalmente, oferecer linhas de créditos mais acessíveis, com taxas de juros menores para os pequenos e médios produtores. Temos acompanhando, o crescimento do setor agrícola no país, onde as empresas de tecnologia e inovação dão suporte tecnológico, desde o plantio até à colheita e até mesmo na hora ordenha. Os drones também contribuem neste processo tecnológico, ferramentas que poderão facilitar este trabalho de campo. O município conta com equipes técnicas e qualificadas como os pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF- e do pólo universitário que existem na cidade, além de mão-de-obra, terra e água.
C24H – Como atrair empresas e investidores para geração de mais emprego e renda?
LEONARDO ABREU – Oferecer incentivos fiscais é outro caminho para atrair os grandes investidores. As taxas de juros também têm que ser atrativas e voltadas para os produtores. Temos que pensar que Campos é localizada numa área estratégica, aproximadamente a 300 km do Rio de Janeiro ou de Vitória, no Espírito Santo. Atualmente, ainda temos o Porto do Açu, que fica a menos de 50 km do centro urbano de Campos, por onde toda a produção pode ser escoada. As grandes empresas estão se instalando no Porto, que tem pretensões de ser um dos maiores do país, e precisando de produção para escoar. Temos que aproveitar esses recursos e os avanços tecnológicos para mudar a forma de investir no setor agrícola.
C24H – Quais os principais programas que devem ser implementados? Como apoiar o homem do campo, com programas que ofereçam suporte técnico, qualificação e, também, linhas de crédito especiais?
LEONARDO ABREU – Se voltarmos a pouco na história de Campos, a agricultura sempre foi o carro chefe. O município chegou a ter 18 usinas e empregar mais de 50 mil trabalhadores desde o plantio à colheita, além do processo de fabricação, até o final da década de 80. Acredito na retomada do setor agrícola da região, por meio da qualificação da mão-de-obra e, principalmente, pela geografia do município. Tendo como principal ferramenta a tecnologia e o conhecimento destas grandes instituições, que têm expertises para orientar quais culturas podem ser cultivadas, visando um melhor custo/benefício.
C24H – Como incentivar e capacitar micro e pequenas empresas e as cooperativas?
LEONARDO ABREU – As novas tecnologias estão no mercado para incentivar o crescimento. As empresas de tecnologia e inovação têm papel fundamental para identificar e orientar os novos investidores. Durante décadas os filhos e netos dos grandes investidores de Campos se afastaram no campo, deixando a terra ociosa. Está na hora de retornar e investir na tecnologia. Terra e água tem só precisa do apoio para ter uma melhor produção. A retomada da agricultura vai refletir no crescimento do município, pois vai gerar emprego, aumentar a arrecadação de impostos no município, além de aquecer o comércio. A moeda voltaria a circular.
C24H – Como fortalecer o comércio em Campos?
LEONARDO ABREU – O aquecimento do comércio está ligado à geração de emprego e a circulação de moeda no município. A modernização do setor, buscando um diferencial para atrair o consumidor, também é essencial nesta retomada. Temos observado que a cada dia o consumidor está mais exigente e buscando melhor preço. Os empresários devem estar atentos e preparados para a concorrência das compras online. A qualidade do produto ou serviço hoje é uma obrigação e não um diferencial. Esta visão precisa ser acompanhada pelo setor.
C24H – Como incentivar segmentos de Tecnologia da Informação e de Cultura Digital, estimulando a criação de produtos inovadores?
LEONARDO ABREU – O acesso à informação e aos produtos por meio da internet é um grande desafio para as empresas físicas. Além de ser criativa, elas precisam acompanhar a demanda do mercado e, principalmente, desta nova geração, que é tecnológica. O comércio físico tem espaço no mercado, mas precisa facilitar a vida do consumidor que está cada dia mais tecnológico e exigente.
C24H – Considerações finais.
LEONARDO ABREU – Por mais de 30 anos a indústria do Petróleo jorrou recursos financeiros para a Campos e cidades vizinhas. Tudo indica que o Poder Público não acreditava que esse bem iria entrar na fase de estagnação. O recurso dos royalties entrou fácil e também saiu sem um planejamento para as gerações futuras. Não foi feito um planejamento ou investimento para geração de emprego e autonomia da cidade, para quando os royalties acabassem. Nos últimos cinco anos estamos acompanhando a queda no repasse e só agora que os poços secaram que foi visto que pouco ou quase nada foi feito para o desenvolvimento das cidades produtoras de petróleo.