Madeleine: Votação para a Prefeitura foi um sinal que há espaço para renovação

Postado por Fabiano Venancio – Em sua primeira experiência eleitoral, na disputa pela Prefeitura de Campos, em 2024, a delegada Madeleine Dickeman (União Brasil) alcançou um capital político de mais de 67 mil votos, o que lhe trouxe credenciais e entusiasmo para continuar contribuindo com suas ideias e projetos, agora como pré-candidata à uma vaga de deputada federal nas eleições de outubro deste ano. Em entrevista exclusiva ao Campos 24 Horas, a pré-candidata que deixou recentemente o grupo do deputado Rodrigo Bacellar (atualmente preso) afirma que prioriza a segurança, o desenvolvimento regional, a geração de empregos e a qualidade de vida da população em seu conjunto de propostas. Faz também uma análise do cenário político e econômico de Campos, com suas potencialidades e desigualdades. Ela ainda demonstra preocupação com o julgamento da ação contra a redistribuição dos royalties, no próximo dia 06. Na entrevista, Madeleine faz críticas ao grupo do ex-prefeito Wladimir Garotinho (PL) que está no comando da Prefeitura. “Não é aceitável que uma cidade que arrecada bilhões tenha mais de metade da população dependendo do Bolsa Família, convivendo com desemprego, salários baixos, transporte precário e uma saúde onde falta o básico…” Veja, abaixo, a entrevista.

“Sim, sou pré-candidata a deputada federal pelo União Brasil — e não é por acaso. É por chamado. Quero ser a voz firme de Campos e dos municípios do Norte e Noroeste Fluminense em Brasília. Chega de representante que some depois da eleição. Sou delegada, não falo de segurança por teoria — falo por prática, por vivência, por enfrentamento real. Sei onde o sistema falha e, mais importante, sei por onde começar a consertar. Segurança pública e combate à violência doméstica não podem ser pauta de discurso: têm que ser prioridade de ação. Mas não basta combater o problema. É preciso construir soluções”, afirmou.

INVESTIMENTOS – A pré-candidata enfatizou a necessidade de atrair investimentos para a região. “Além de delegada, sou de família de comerciantes e sei que a nossa cidade está parada. Com apoio do meu partido, quero articular investimentos, atrair desenvolvimento e colocar nossa região no mapa das decisões estratégicas do país. Campos não precisa de mais um nome. Precisa de uma liderança com coragem, palavra e compromisso. Eu não estou atrás de cargo, mas de resultados”, destaca a pré-candidata, que acrescentou.

“Mandato não é trampolim. É responsabilidade. Sou mulher de palavra. Se eleita, vou até o fim. Sem atalhos, sem abandono, sem desculpas. Venho de uma história de luta. Não herdei privilégios, mas construí cada passo. E é por isso que não aceito a política como meio de enriquecimento ou perpetuação no poder. Sou uma política sem fins lucrativos. Porque servir ao povo não é negócio, é missão”.

EXPERIÊNCIA – A delegada considerou transformadora sua experiencia como candidata à prefeitura de Campos, em 2024, quando obteve 67.354 votos, e sentiu de perto as aflições e as dificuldades da população.

“Foi transformadora e, ao mesmo tempo, reveladora. Porque campanha de verdade não acontece no Instagram, mas no olho no olho. Percorri bairros, distritos, ruas esquecidas. Ouvi a dor de quem espera meses por um exame. De quem pega transporte público todos os dias e não sabe se chega. De quem quer trabalhar, mas não encontra oportunidade. A verdade é simples: o povo não quer discurso bonito. Quer hospital funcionando, remédio na prateleira, transporte digno e emprego na mesa. Hoje em dia, tem muita gente governando para engajamento, mas esquecendo da vida real. E a vida real não cabe em filtro”, declarou.

RENOVAÇÃO – Em sua avaliação, a expressiva votação alcançada nas últimas eleições sinaliza que há espaço para um sopro necessário de renovação. “Receber 67.354 votos, numa primeira eleição, sem ser conhecida pela maioria, não foi só uma conquista. Foi um recado. Um sinal claro de que existe espaço — e necessidade — de renovação. E depois de ouvir tanto, ver tanto e sentir tanto… não dá mais para ignorar esse chamado. Quando o povo chama, a gente responde”, analisou.

MISSÃO – Lançada candidata nas eleições municipais pelo deputado estadual Rodrigo Bacellar (PL), hoje preso em razão de indícios de envolvimento com o Comando Vermelho, Madeleine Dickeman considera que sua missão é com Campos e acrescentou que seguirá seu caminho com independência.

“Tenho gratidão por quem acreditou em mim no início, mas sigo com independência e o olhar totalmente voltado para o futuro. Minha missão é com Campos, com a nossa região e com as pessoas que esperam por mudança de verdade. Minha trajetória política está só começando. E não será construída com atalhos, mas com trabalho, consistência e resultado”, explicou.

ROYALTIES – Sobre a situação de Campos e a região, apreensiva com a possibilidade da perda dos atuais repasses dos royalties do petróleo em ação a ser julgada no próximo dia 6, no Supremo Tribunal Federal (STF), a pré-candidata avalia Campos como um município de imensas potencialidades, mas também de enormes carências. 

“Campos é um gigante com pés de barro. E isso não é falta de recurso, é falta de gestão. Durante décadas, bilhões em royalties passaram pelas mãos de poucos. O resultado? Uma cidade rica em receita e pobre em qualidade de vida. Agora, muitos dos que desperdiçaram esses recursos choram pelo risco de perder o que nunca souberam usar. É o clássico “chorar o leite derramado” — depois de terem deixado a torneira aberta por anos”, disparou.

“Claro que defendemos os royalties, um direito legítimo, uma compensação justa. E estamos unidos nessa luta, confiantes em uma decisão favorável no STF. Mas a pergunta que ninguém quer responder é: o que foi feito com o dinheiro até agora?”, indagou.

CRÍTICAS – “Não é aceitável que uma cidade que arrecada bilhões tenha mais de metade da população dependendo do Bolsa Família, convivendo com desemprego, salários baixos, transporte precário e uma saúde onde falta o básico. Campos tem tudo: localização estratégica, potencial econômico, gente trabalhadora. O que falta não é dinheiro, é gestão séria. E para piorar, o prefeito eleito em 2024 abandonou o mandato que jurou cumprir. Trocou o compromisso com o povo por um projeto pessoal. Isso tem nome: traição. O povo pode até esquecer muita coisa; mas traição, não”.

O PAÍS – No plano nacional, a pré-candidata do União Brasil analisa que os indicadores positivos na economia apresentados pelo atual governo não refletem no dia-a-dia das pessoas.

“A economia pode até mostrar números positivos no papel, mas o termômetro real é outro: é o carrinho do supermercado. E nele, o brasileiro sente — todo dia — que a conta não fecha. A inflação que pesa na mesa não é a do relatório. É a da vida real. E toda dona de casa sabe disso.

Por fim, Madeleine considera que o Brasil hoje segue dividido, polarizado e preso a um ciclo que não resolve os problemas concretos da população. “A promessa de união não se materializou — e o resultado é um país cansado de disputa e carente de solução. É por isso que acredito na necessidade de furar essa bolha. De trazer o debate para o que realmente importa: segurança pública, infraestrutura, geração de empregos, redução da dependência externa. Menos discurso ideológico e mais entrega. É com esse espírito que coloco meu nome à disposição. Porque o Brasil não precisa de mais narrativas, precisa de trabalho sério e resultados. Campos e região não podem continuar esperando”, concluiu.