Polícia recebeu mais denúncias de alunos de colégio onde professor foi humilhado

O delegado titular da 128ª DP (Rio das Ostras), Carmelo Santalúcia, que cuida do caso do professor humilhado dentro de sala de aula, revelou que já recebeu novas denúncias informais de outros casos ocorridos no Ciep Mestre Marçal, no município da Região dos Lagos do estado. De acordo com Santalúcia, a própria vítima, o professor Thiago dos Santos Conceição, de 31 anos, indicou outros dois funcionários que também teriam sido humilhados por alunos da escola. Eles serão procurados para serem ouvidos pela polícia.

— As informações não falam sobre nomes dos autores ou das vítimas. Vamos finalizar essa investigação e, o que for de interesse vai ser copiado para uma nova investigação. Nesse caso são outros fatos, com outras vítimas e outros agressores. Não vamos misturar. O professor nos disse que esses casos são recorrentes — conta o delegado.

Santalúcia afirma ainda que as intimações para os seis alunos envolvidos no caso vão começar a ser entregues nesta segunda-feira. Ele pretende concluir as investigações até o final desta semana. De acordo com o delegado, a ideia é, a partir dos depoimentos, individualizar as responsabilidades de cada um dentro do crime retratado no vídeo. Ao todo, seis alunos estão sendo investigados, sendo um maior de idade e cinco menores.

O reflexo penal é mais grave para o maior de idade, podendo chegar a até nove anos. Vamos tentar ver o que cada um praticou, individualizar as condutas, além de confrontar o que cada um disser. Os depoimentos serão importantes para isso.

O rapaz de 18 anos vai responder por corrupção de menores, dano ao patrimônio público qualificado e desacato, e os outros jovens por fato análogo aos dois últimos delitos. Após o depoimento do professor, no último sábado, uma equipe da Polícia Civil voltou à escola nesta segunda-feira para identificar mais testemunhas e conferir fatos novos que não aparecem no vídeo, como, por exemplo, ofensas raciais feitas a Thiago.

— O professor relatou para a gente que os alunos escreveram a palava “macaco” no quadro da sala de aula. E isso não aparece no vídeo. Pedi que os agentes fossem até lá para definir quais serão os nossos próximos passos dentro da nossa investigação.

O inquérito da 128° DP já ouviu a direção da unidade e testemunhas. A polícia também já fez uma perícia na sala de aula, que observou o quadro quebrado pelo aluno, além de pichações na parede, com símbolos de facções criminosas e desenhos obscenos.

‘Pensei que fosse morrer’, diz professor

Num vídeo que rodou as redes sociais, e chocou e emocionou os brasileiros, o professor Thiago aparece sozinho, exposto, sendo agredido — um estojo é atirado em sua direção e quase o acerta —, intimidado por alunos do Ciep Mestre Marçal. Sua prova foi preenchida com deboches e mais xingamentos. O magistrado disse que, apesar disso ser algo corriqueiro entre os alunos, naquele dia algo estava diferente na sala de aula.

— Olha, eu achei que fosse morrer. Tentei apaziguar a situação, conversando com eles o tempo todo, porque o professor tem essa função de mediador. Os alunos estavam agitados, muito mais do que o normal. Eles faltavam com respeito sempre, faziam terror psicológico, mas a maneira que eles estavam naquele dia não tem explicação — diz.

Em relação ao pedido de perdão, publicado por um dos agressores, na última quinta-feira, Thiago disse que o verdadeiro perdão está na mudança, e afirmou que os alunos feriram toda uma categoria. No seu depoimento, o professor diz acreditar na juventude.

— Acredito na educação e na juventude. Acredito que temos uma boa juventude. Não podemos olhar apenas para o lado ruim. Temos que olhar para o lado bom das coisas. Acreditar nos jovens, pois eles podem mudar o país. Esses meninos precisam de atenção. Os pais precisam ajudar, precisam participar da educação dos seus filhos.

Fonte: Extra