18/17/2015 às 19h – Foto: Divulgação
A assessoria de imprensa do PMDB disse, no site oficial do partido, que o rompimento com o governo anunciado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ) é uma posição pessoal. Para a presidência peemedebista, qualquer decisão partidária deve ser tomada após consulta às instâncias decisórias.
Leia a declaração na íntegra:
“Nota à imprensa sobre a manifestação do presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha
A manifestação de hoje do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é a expressão de uma posição pessoal, que se respeita pela tradição democrática do PMDB. Entretanto, a Presidência do PMDB esclarece que toda e qualquer decisão partidária só pode ser tomada após consulta às instâncias decisórias do partido: comissão executiva nacional, conselho político e diretório nacional.”
A poucas horas de pronunciamento em cadeia nacional de TV, previsto para 20h30 de hoje, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha anunciou rompimento com o governo e disse que, como político, tentará no congresso do PMDB, em setembro, convencer a legenda a seguir o mesmo caminho.
Cunha garantiu que, apesar da decisão, manterá a condução da Câmara dos Deputados “com independência”.
A decisão foi motivada pela acusação de que o peemedebista teria recebido US$ 5 milhões em propina para viabilizar um contrato de navios-sonda da Petrobras para a empresa Toyo Setal, segundo denúncia feita pelo empresário Júlio Camargo em depoimento na quinta-feira (16) ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná.
Cunha reafirmou que há uma tentativa por parte do governo de fragilizá-lo. “Está muito claro para mim que esta operação [Lava Jato] é uma orquestração do governo”, disse. O presidente da Câmara lembrou que, desde junho, o Executivo iniciou uma “devassa fiscal” contra ele e incluiu seu nome na delegacia de maiores contribuintes do país. “Este tipo de devassa, de cinco anos, é um constrangimento para um chefe de Poder”.
O deputado disse que a delação de Camargo é “nula” por ter sido feita à Justiça de primeira instância e lembrou que, como parlamentar, tem foro privilegiado e só pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Cunha disse que seus advogados pedirão a transferência do processo de investigação para o STF. “O juiz não poderia conduzir o processo daquela maneira. Vamos entrar com uma reclamação para que venha [o processo] para o Supremo e não fique nas mãos de um juiz que acha que é dono do país”.
Na quinta-feira, o presidente da Casa disse que está tranquilo e não teme acusações. Ele já havia negado seu envolvimento no esquema investigado pela Operação Lava Jato e acusou o Planalto de articular contra o Congresso Nacional, diante das mobilizações em torno de um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, Camargo foi “obrigado” a mentir sob orientação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e deve perder o direito à delação, porque está dando uma versão diferente do que havia dado anteriormente.
O peemedebista lembrou que, desde a divulgação da lista de Janot com nomes de políticos suspeitos de participar de irregularidades na Petrobras, tem “estranhado” o envolvimento de seu nome e voltou a afirmar que há uma clara motivação política encabeçada pelo governo.
Governo emite nota sobre declarações de Cunha
Nesta sexta-feira, o governo, por meio do blog do Planalto, emitiu uma nota sobre as declarações do presidente da Câmara dos Deputados.
Segundo a nota, desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e durante o governo da presidente Dilma Rousseff, o PMDB vem integrando as “forças políticas que dão sustentação a esse projeto que vem transformando o País” e que o presidente da Câmara anunciou uma posição de cunho estritamente pessoal.
Sobre a declaração de que a Operação Lava Jato é uma “orquestração do governo”, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República afirmou que o governo sempre atuou com total isenção em relação às investigações realizadas pelas autoridades competentes.