
Essa semana, usineiros e produtores de cana de Campos e região conheceram as novidades que podem ser im-plantadas no Norte Fluminense, no que diz respeito ao setor sucroenergético: uso de drone em sobrevoo na lavoura e máquina colheitadeira de cana-de-açúcar, de tecnologia alemã, desenvolvida em conjunto com pesquisadores brasileiros. Para os agrônomos, as novidades são viáveis em termos de custos, chegando até a baratear os gastos atuais.
O agrônomo e professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), José Carlos Mendonça, responsável pela apresentação do drone no evento RioAgro Cana, realizado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), promovido pelo Sindicato das Indústrias Sucroenergéticas do Estado do Rio (Siserj) e organizado pela Fatore e Smartt Mídia, explicou que o equipamento já é usado com sucesso em vários estados, com destaque em São Paulo e no Nordeste.
O drone, que é um equipamento importado, hoje está em torno de R$ 8 mil, fora os acessórios necessários para seu pleno funcionamento, podendo chegar aos R$ 10 mil. Mendonça explica que, se for levado em conta os vários trabalhos que ele poderá executar, como identificação de falhas no plantio para posterior renovação de canaviais, além de apoio à produção do mapeamento georre ferenciado, entre outros, esse custo torna-se mínimo.
– Com o mapeamento cria-se uma imagem e, a partir dela, o produtor poderá fazer análises e observar os locais que têm falhas. E, ainda, quanto se está perdendo e quanto se deve replantar. Olha só o benefício que esse produtor vai ter – acrescenta o agrônomo.
Atualmente esse tipo de trabalho, feito pelo drone, não é realizado em Campos e região, levando-se em consideração a extensão dos canaviais, ficando o produtor sem saber, de fato, o estado de sua lavoura. “O drone veio para ficar. E ele pode ser usado na lavoura e também na produção de madeira, na pecuária, em recursos hídricos e outros”, finaliza Mendonça.
Já a máquina colheitadeira de cana ainda não está sendo usada no país, alías, foi apresentada pela primeira vez em Campos, no RioAgro Cana. O engenheiro agrônomo da Pesagro-Rio, José Márcio Ferreira, que acompanha o projeto há anos, explica que ela tem capacidade de produção de até 200 toneladas/dia, com conceito ecológico de cortar sem queimar o canavial, já que a partir de 2020 estará terminantemente proibida a queimada no país.
O trabalho da colheitadeira tem o intuito de cana crua, de fácil transporte e que não compacta o solo. A colheitadeira corta a cana e em seguida a joga atrás da máquina, onde ela cai devidamente empilhada. O engenheiro agrônomo explica que desta forma ela deixa matéria orgânica no solo, que pode até ser utilizada na próxima safra. Movida a óleo diesel, especialistas afirmam que seu consumo é menor do que um trator convencional, além da economia que o produtor rural terá, já que hoje ele gasta, também com os insumos do caminhão.