segunda, 24 de março de 2014 – Foto: Filipe Lemos / Campos 24 Horas e Ascom
A primeira reunião do Parlamento Regional este ano ocorreu nesta segunda, na Câmara de Vereadores de Campos
A criação de uma câmara técnica para aprofundar a discussão sobre a questão da qualificação da mão de obra na região foi o principal deliberação anunciada pelo Parlamento Regional, em sua primeira reunião este ano nesta segunda-feira (24), na Câmara de Vereadores de Campos.
A câmara técnica contará com a participação de representantes dos governos municipal, estadual e federal, da Firjan e Senai, de instituições de ensino, bem como de representações políticas de cidades polos como Campos e Macaé, além de Quissamã, São Francisco de Itabapoana e Conceição de Macabu.
O presidente do Legislativo campista e do próprio Parlamento Regional, vereador Edson Batista, considerou o debate como bastante enriquecedor, representativo e de excelente conteúdo, suficiente para traçar rumos visando o direcionamento correto das ações.
“O debate foi enriquecedor e, certamente a Câmara Técnica dará continuidade aos estudos e nos trará dados de suma importância para direcionar as ações. A ideia deste grupo é levantar informações do que foi feito, do que ainda falta fazer, apontando caminhos para melhorar a qualificação da região e direcionar este trabalho”, explicou.
Ao abrir o ciclo de debates e apresentações, o diretor geral do Instituto Federal Fluminense (IFF), Jeferson Azevedo, falou sobre a importância da educação como um todo. “Temos que pensar na qualidade da educação. Hoje temos um número elevado de cursos e escolas técnicas formando alunos que nem sempre são aproveitados no mercado, devido à má qualidade do ensino, que estão sendo avaliadas pelo governo. Acredito ainda que a demanda de serviço para daqui a quatro anos deve ser pensada agora para ser direcionada. Assim, parabenizo o Parlamento por levantar esta questão”, comentou.
O coordenador da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Rio de Janeiro (Faetec), Etevaldo Pessanha, fez uma apresentação dos cursos e programas da instituição que está presente em 11 municípios do norte e noroeste do estado. “Há uma crescente preocupação de empresários que apresentaram um estudo onde a conclusão aponta uma perda de investimentos no estado do Rio por falta de mão de obra qualificada.
A carência de professores com qualificação também entrou na pauta dos debates. “Lembrando que um apagão de mão de obra passa também pelo apagão de professores. Tudo isso deve ser encarado nesta discussão”, disse.
O gerente regional da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Luíz Mário Concebida, levantou números conquistados pela instituição e também citou a educação básica. “Precisamos entender que a qualificação passa primeiro pelo ensino e pela motivação. Os estudantes precisam saber sobre as oportunidades oferecidas. Hoje, temos cerca de 150 mil matrículas no Senai Rio, com laboratórios de ponta”, afirmou.
Para os secretários de Trabalho e Renda de Macaé e Campos, respectivamente Alexandre Fernandes e Joilza Rangel, é preciso identificar as necessidades das empresas. “Não adianta construir a casa pelo telhado. É preciso uma educação de qualidade para termos uma boa qualificação para oferecer na medida para as empresas”, disse Fernandes com apoio de Joilza.
“Não podemos fomentar cursos que formam rápido, mas não qualificam. Hoje em Campos, a secretaria abre um diálogo com as empresas para saber suas necessidades”, concluiu.
Para o secretário geral da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo da Bacia de Campos (Ompetro) e secretário Municipal de Petróleo, Energias Alternativas e Inovação Tecnológica de Campos, Marcelo Neves, os alunos precisam aprender de verdade. “Precisamos mostrar a importância não só do diploma, mas de saber do que se trata seu curso quanto à sua excelência de qualidade”.
A opinião também foi da secretária de Desenvolvimento Econômico de Quissamã, Carla Cabral. “A qualidade dos cursos é de suma importância. Hoje contamos com cursos oferecidos pelo IFF e Sistema S, o que elevou o número de pessoas empregadas”.
Celso da Costa, vereador de Conceição de Macabu, solicitou mais apoio para o ensino técnico de sua cidade. “Conceição de Macabu pede ajuda neste setor. O caminho para qualquer país evoluir é este”.
Dando continuidade ao apelo de Celso, o presidente da Câmara de Macabu, Kódia Ramalho, informou em seguida que acabara de falar com o prefeito, Cláudio Linhares, por telefone sobre o assunto. “Vamos enviar um ofício ao Ministério da Ciência e Tecnologia, solicitando um polo de ensino técnico para nosso município”.
A vereadora Linda Mara Silva falou do setor de serviços. “Este é um tema para ser pensado de forma conjunta, como está sendo feito pelo Parlamento. Hoje temos uma demanda muito grande de trabalhadores qualificados nas áreas de serviços como babás, domésticas e cozinheiros. Precisamos pensar nesta mão de obra também. Em Campos, estão se instalando cinco hotéis de qualidade, que irão buscar profissionais qualificados”, alertou.
Patrícia Cherene, do Legislativo de São Francisco de Itabapoana, falou sobre a estimulo aos jovens. “É preciso mostrar a eles a importância do estudo”. Já o vereador de Quissamã, Ronaldo Costa, sugeriu um acompanhamento dos profissionais formados. “Precisamos saber se foi empregado; e saber qual a razão em caso negativo”, lembrou a vereadora.
Para o vereador Marcão, além das grandes escolas como IFF e Faetec, é preciso recursos para uma política de investimentos na empregabilidade. Representando Quissamã, o presidente da Câmara, Marcelo Batista, lembrou do trabalho de divulgação dos cursos. “Eles foram fundamentais para o aumento dos números no município”.
A deputada estadual, Clarissa Garotinho também compareceu à reunião do Parlamento. “A qualificação está sempre presente em meu mandato. O Parlamento Regional dá um grande exemplo para nosso estado, onde a Alerj já deveria ter criado um Parlamento Metropolitano, a fim de buscar soluções para problemas do Grande Rio. Hoje o avanço chega de forma regional e os problemas também. Precisamos de um redesenho da educação técnica para oferecer cursos voltados para a vocação de cada região, a fim de que tenhamos um maior aproveitamento dessa mão de obra”.