Orkut de volta? Página lança petição pedindo apoio e criador afirma em carta que a internet perdeu a alma

Criador da antiga rede social lança manifesto contra o avanço de algoritmos e inteligência artificial, convocando internautas para apoiar a reconstrução de ambientes virtuais focados em conexões humanas reais


  • 09/10/2026, 15h01, Foto: Divulgação.

Campos 24 Horas – O engenheiro de software Orkut Büyükkökten, fundador da famosa plataforma Orkut, voltou a movimentar a web ao publicar uma carta aberta no site oficial do serviço.

No texto, o desenvolvedor argumenta que as plataformas digitais modernas se distanciaram de seu propósito inicial e anuncia uma petição online para mobilizar internautas em prol de redes voltadas exclusivamente a interações humanas.

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O alerta contra algoritmos e inteligência artificial - Na publicação intitulada "Uma internet mais gentil é possível", o criador critica o modelo de negócios predominante no ecossistema de tecnologia nas últimas duas décadas.

De acordo com Büyükkökten, a busca por retenção e tempo de tela transformou usuários em alvos de anúncios publicitários e mecanismos de engajamento que geram isolamento e ansiedade.

O fundador também aponta desafios trazidos pelo avanço recente da inteligência artificial, citando a proliferação de bots, deepfakes e conteúdos sintéticos. Para o desenvolvedor, a aplicação do lema comercial "aja rápido e quebre coisas" comprometeu a autenticidade das relações digitais.

O resgate das comunidades e o histórico de 2022 - A iniciativa atual dá continuidade à movimentação registrada em abril de 2022, quando a página orkut.com foi reativada após anos fora do ar. Naquela ocasião, Büyükkökten declarou que trabalhava na construção de um novo projeto voltado ao combate do ódio e da desinformação, abrindo espaço para cadastro de e-mails de interessados.

No manifesto recente, o desenvolvedor reforça que a principal demanda dos antigos usuários envolve o formato de comunidades. Segundo ele, ao contrário dos feeds operados por algoritmos, os grupos temáticos permitiam o pertencimento e a troca direta entre pessoas com interesses em comum.

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Mobilização digital - A proposta atual busca reunir assinaturas para mensurar o interesse do público em alternativas às redes sociais tradicionais.

A petição e o formulário de apoio estão disponíveis no endereço eletrônico oficial da iniciativa, permitindo também o envio de cartões virtuais entre os participantes.

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Oi de novo.

Sou eu, o Orkut.

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Fiquei em silêncio por um tempo, mas preciso falar com você. O trabalho de toda minha vida tornou-se algo urgente como nunca imaginei. Há mais de duas décadas, criei algumas das primeiras redes sociais. E vi, junto com você, as redes sociais tomarem o rumo errado.

Você lembra de quando a internet era humana? De quando receber uma mensagem de alguém em outro continente parecia mágica? Outra pessoa tinha atravessado o mundo para compartilhar um pedacinho de si. Talvez a conexão durasse só um instante, mas era emocionante porque era real.

O que aconteceu? Vinte anos otimizando tudo para capturar a sua atenção. Feeds construídos em torno do engajamento, não da conexão. Uma geração de crianças entregue a algoritmos que as viciaram, dividiram e as venderam para anunciantes. Não é de surpreender que tenham crescido solitárias e ansiosas.

Eu ainda amo esta indústria, mas é desesperador ver o que ela se tornou. “Aja rápido e quebre coisas”, dizia o lema. Pois bem: as coisas estão quebradas. E agora as máquinas chegaram. A inteligência artificial é uma tecnologia extraordinária, mas está dissolvendo a única premissa que tornou as redes sociais especiais e dignas de serem construídas: a de que havia uma pessoa do outro lado.

Quando as pessoas me contam do que mais sentem falta no orkut.com, elas sempre falam das comunidades. Pessoas que consertavam a mesma moto. Pessoas que pegavam a mesma linha de ônibus. Pessoas que odiavam segunda-feira. Num feed, você é plateia; numa comunidade, você é membro. Esse era o ponto.

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Você já viu o que a IA está fazendo com as redes sociais: bots, lixo de IA, deepfakes, agentes autônomos descontrolados, conteúdo sintético. Sabe o que a IA não consegue criar?

Alegria. Esperança. Gratidão. Encanto. Diversão. Inspiração. Amor. É isso que faz uma vida valer a pena. Cheguei a este mundo sozinho e sem nada, e de alguma forma acabei com tanto. Cada pedacinho disso veio do amor. Então, encontre-o. Dê de presente. Segure firme. Faça crescer. A vida passa rápido, e as máquinas não vão dar mais dela a você.

Vejo um futuro diferente para a internet, construído em torno de pessoas reais, com um ser humano do outro lado de cada mensagem. Um futuro que não gira em torno de algoritmos, olhos capturados e otimização de tempo na tela. A próxima geração merece um mundo melhor, onde suas comunidades recompensem a gentileza, a curiosidade, a amizade, a confiança e a conexão.

Eu quero viver nesse mundo. Sei que você também quer.

Eu sei como chegar lá: vamos reconstruir a internet pela qual nos apaixonamos. Aquela com pessoas autênticas, conexão real e pertencimento genuíno. Mas não consigo construí-la sem você.

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Peço que você se junte ao movimento. Entre em orkut.com e adicione seu nome. Depois, pense em uma pessoa que você gostaria de ter lá com você e envie seu cartão de apoiador para ela. Diga por que pensou nela. Lembre a ela por que você se importa.

Um algoritmo não consegue fazer a vida valer a pena. Mas um amigo consegue. Uma comunidade consegue. Então, vamos parar de otimizar para capturar a atenção e começar a otimizar uns para os outros. E vamos fazer isso do jeito que tudo de bom na minha vida aconteceu: com amor, e juntos.

Vamos tornar a internet humana de novo, juntos!

Fonte: CNN



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