SJB: nova eleição para prefeito e pré-candidatura

sábado, 2 de março de 2013 (Fotos: Campos 24 Horas – arquivo)  – 7h30

Gravidade das denuncias do Ministério Público e da Polícia torna cada vez mais real a chance de um novo pleito. Na foto,os momentos de tensão após operações da PF em 2012

pf sjb 19 capaUma nova eleição para prefeito pode ser realizada este ano em São João da Barra, e a oposição ao atual prefeito José Amaro, o Neco(PMDB), já tem o primeiro pré-candidato. Trata-se do vereador Kaká(PT do B).

O vereador concedeu uma entrevista esta semana ao diretor e apresentador da Rádio Grussaí FM, Luiz Fernando(na foto abaixo).

A cassação de Neco pode acontecer atendendo a um pedido do Ministério Público Eleitoral (MP). Com base em um dossiê apresentado pela Polícia Federal(PF), o MP acusa políticos, entre eles o prefeito Neco, de compra de votos e outros crimes eleitorais.

Rádio Grussaí Luiz Fernando e Vereador CacaA população aguarda penas a sentença da Justiça Eleitoral.

“São muitas as lideranças do município que vêm manifestando apoio ao meu nome. Faço parte de um grupo e essa decisão será tomada em grupo. De minha parte, confesso que o apoio que tenho recebido de vários segmentos tem me motivado a pensar muito a respeito. São João da Barra precisa crescer de fato e essa instabilidade política tem atrapalhado a cidade”, afirmou Kaká.

Relembre o caso e saiba porque a cidade pode ter nova eleição este ano

paulo cassiano prova sjb capaA Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante durante a ‘Operação Machadada’, a prefeita de São João da Barra (SJB), Carla Machado (PMDB), e o vereador Alexandre Rosa (PMDB), candidato a vice-prefeito de SJB pela Coligação São João da Barra Não Pode Parar, que tem como candidato a prefeito Neco (PMDB). Os dois estão na sede são acusados de formação de quadrilha e captação ilícita de sufrágio (compra de votos).

Carla Machado foi presa por agentes da PF depois de ter participado de um comício de Neco, na Praia de Grussaí, quando estava a caminho de uma pousada, na Praia de Atafona. Já a prisão de Alexandre Rosa aconteceu na localidade de Água Santa, no 5º distrito de SJB, na casa do candidato Neco.

Carla e Alexandre pagaram fiança e foram liberados na manhã desta quarta-feira, por volta das 7h30, após exame de Corpo de Delito no Instituto Médico Legal(IML).

Formação de quadrilha e compra de apoio

A motivação da prisão de Carla Machado e de Alexandre Rosa foi em  decorrência de várias gravações de áudio e vídeo, além de depoimentos. NUma das gravações, a Prefeita aparece oferecendo R$ 60 mil para que o comerciante Rodrigo de Abreu Rocha, 33 anos, candidato a vereador de SJB pelo PR, deixasse de apoiar o candidato a prefeito Betinho Dauaire (PR), da Coligação São João da Barra Vai Mudar Para Melhor, e passasse a apoiar a candidatura de Neco. Alexandre Rosa também aparece na gravação durante as negociações, que teriam sido iniciadas com o valor de R$ 80 mil.

Carla Machado, Alexandre Rosa, Neco e mais três pessoas vão responder pelo artigo 41 A, da Lei Nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (captação ilícita de sufrágio – compra de votos), que prevê pena de multa de mil Ufirs (R$ 2.275,20) a 50 mil Ufirs (R$ 113.760,00) e cassação do registro ou do diploma, além do artigo 288 do Código Penal (formação de quadrilha para o fim de cometer crimes), punido com reclusão (prisão) de um a três anos.

paulo cassiano prova sjb 2Confira o que foi dito pelo Delegado Paulo Cassiano

O Delegado da Polícia Federal em Campos, Paulo Cassiano, concedeu entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira(3/10) e revelou os motivos porque a prefeita Carla Machado e o vereador Alexandre Rosa foram presos.

Inicialmente, Cassiano esclareceu dois pontos. O primeiro foi sobre os motivos das prisões. Ele confirmou o que havíamos anunciado: foi por acusação de formação de  quadrilha para compra de votos. E o segundo ponto sobre os motivos porque a ação foi realizada quatro dias antes da eleição.

O que disse Paulo Cassiano sobre as prisões quatro dias antes das eleições – “O crime de quadrilha é um crime permanente. Enquanto dura a permanência, é possível prender em flagrante. Integrantes de uma quadrilha podem ser presos a qualquer momento. É possível prender pela manhã,  a tarde , a noite ou de madrugada, independente da legislação eleitoral.

A Legislação Eleitoral restringe a prisão cautelar de qualquer pessoa ou candidato cinco dias antes da eleição, mas ela excetua as prisão em flagrante. Até quando e a pessoa estiver apertando o dedo de confirma, é possível prendê-la”, declarou Cassiano.

Como atuava a quadrilha, segundo o Delegado – “Temos investigado a atuação da quadrilha nas últimas semanas. O propósito final da quadrilha é  manipular o resultado das eleições , comprando o apoio político de candidatos da oposição.  A  organização aliciava e tentava cooptar candidatos da oposição, mediante a promessa de vantagens econômica ou benefícios na futura admintração municipal. Essas propostas são feitas para que os mesmos desistam de concorrer as eleições”. Ela era a chefe da quadrilha”, disse o Delegado.

Delegado revela o que movia Carla Machado para que comprasse candidatos da oposição – “Durante as investigações, ficou claro para nós que a Prefeita tem tranquilidade na vitória da eleição para prefeito, mas ela detesta a idéia de ter opositores na Câmara. Essa idéia consome a Prefeita. Em virtude disso, ela quer eliminar ao máximo toda a oposição que ela possa ter ou o grupo político dela possa ter na próxima legislatura.

Então, a estratégia é a seguinte: angariar mediante a esses artifícios o apoio político desses candidatos de oposição, a fim de que eles desistam oficialmente de suas candidaturas e declarem apoio público a candidatos dela. E, desta forma, a senhora Prefeita torna mais difícil para que os candidatos que persistem na disputa por parte da oposição,  sejam eleitos”, afirmou .

Delegado revela que há indícios de que três candidatos tenham sido cooptados por Carla Machado. Segundo Paulo Cassiano, os candidatos a vereador Dino Dicalu , Silvano de Grussaí e Alex Valentim, que  integravam o grupo de oposição a Prefeita, estranhamente abandonaram o seu direito de concorrer e passaram a declarar apoio a Neco.

“É difícil entender como um candidato que se esmera em inscrever-se numa agremiação política, investe tempo e dinheiro em uma campanha, a poucas semanas do pleito simplesmente joga tudo pra cima e derepente aquele que é adversário, se torna aliado, declarou o Delegado.

O Delegado revelou que Carla e Alexandre não eram os únicos  integrantes da quadrilha. Ele afirma que há também elementos contra o candidato a prefeito Neco e mais três moradores de SJB – “Não eram os únicos integrantes. Temos também elementos contra o candidato a prefeito Neco. Pretendíamos prender cinco, mas como não era possível do ponto de vista operacional tê-los todos em nossa mira simultaneamente, resolvemos concentrar esforços naqueles que para nós eram os principais alvos”, afirmou.

Provas contra Carla, Neco, Rosa e mais três – O Delegado finalizou dizendo que a Prefeita Carla Machado, o candidato a prefeito Neco(PMDB) e o candidato a vice Alexandre Rosa serão indiciados no inquérito como membros da quadrilha, já que há provas suficientes contras eles. “Há muitas provas, inclusive de áudio e vídeo. Numa delas, a prefeita diz que um determinado candidato está muito caro”, disse o Delegado, que ainda citou mais três nomes que integrariam a quadrilha e que podem ser presos. São eles: Elízio Motos, Renato Timóteo e Alex Firme.