No Congresso já se especula “saída honrosa” de Moraes do STF

Saída evitaria impeachment e uma crise institucional em ano eleitoral


  • 02/09/2026, 17h48, Foto: Divulgação.

Campos 24 Horas – A crise sem precedentes que se instalou em Brasília nesta terça (1º) com a revelação das trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, provocou uma discussão nos bastidores do Congresso: qual seria o caminho para o magistrado deixar o Supremo sem passar por um processo de impeachment.

Nas conversas, uma eventual saída do ministro da Corte é tratada como uma possibilidade real a ser considerada neste momento. (Leia mais abaixo)

Uma fonte ligada ao governo diz que um caminho poderia ser ele assumir algum cargo em uma organização internacional e ir morar fora do país.

Outra possibilidade citada seria a antecipação da aposentadoria de Moraes. Ele está desde 2017 na cadeira de ministro, indicado por Michel Temer (MDB), e ainda pode ficar mais 18 anos, até completar 75 anos. A ideia de um acordo levaria em consideração a possibilidade de ele sair por decisão própria, o que reduziria o clima de guerra dentro do STF e também da Corte com o Congresso; em troca, não se tornaria alvo de investigação criminal.

A expressão "saída honrosa" para Moraes foi usada até mesmo por uma liderança importante do bolsonarismo. O entendimento é que o impeachment é inevitável caso Flávio Bolsonaro vença a eleição; e que, mesmo em caso de derrota do filho do ex-presidente, as novas revelações serão suficientes para a nova composição do Senado pressionar pela abertura do processo a partir de fevereiro, quando assumem os eleitos em outubro.

Aliados de Flávio preparam uma coletiva de imprensa, prevista para esta quarta, para pedir a saída de Moraes do Supremo. Alguns parlamentares, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Carlos Viana (PSD-MG), já entraram com pedidos de impeachment.

"É uma coisa muito grave. Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição dele continuar sendo ministro do Supremo", disse Flávio a jornalistas pela manhã. (Leia mais abaixo)

Os bolsonaristas também estão usando a relação de Moraes com Vorcaro para acusar o ministro de corrupção e questionar as operações contra eles ordenadas pelo magistrado.

O pastor Silas Malafaia afirmou que o mote das manifestações de 7 de Setembro —em especial o ato na avenida Paulista, comandado por Flávio Bolsonaro, em São Paulo— será a saída de Moraes do cargo.

Uma possibilidade aventada nos bastidores é que a investigação apresente nulidades que acabem por enterrar o inquérito contra o ministro. Neste caso, no entanto, a tendência seria que o próprio plenário do STF tomasse a decisão, por maioria.

A dificuldade com esse cenário fica por conta da opinião pública. Como Mendonça tirou o sigilo da investigação, ele deu munição para o universo da política fazer barulho e pressionar pela saída de Moraes.

Por outro lado, uma ala no Congresso aposta que o assunto vai esfriar e que as consequências para o ministro Moraes serão limitadas. (Leia mais abaixo)

Crise afeta a campanha de Lula - O clima é de espanto com o grau de intimidade entre o magistrado e o ex-banqueiro. Congressistas alinhados a Lula admitem que o escândalo deve atingir a campanha à reeleição do petista.

A oposição vai usar a crise nas campanhas, dizendo que Moraes é amigo de Lula. "O amigo de Lula foi desnudado em plena campanha eleitoral. Lula vai dizer que também não é amigo dele?", diz o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).

A avaliação entre congressistas, inclusive da base do governo, é que o eleitorado vê o governo Lula e o STF como aliados durante todo este mandato, em especial por causa do julgamento de tentativa de golpe que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As campanhas vão levar para as redes as informações da relação, como, por exemplo, o fato de Moraes ter editado o contrato do escritório de sua mulher com Vorcaro.

A relação entre o presidente e o ministro vai ser explorada pela oposição; há alguns dias, por exemplo, Lula e Moraes participaram de um jantar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Moraes foi o fiador da reconciliação entre Lula e o senador. Por ora, Alcolumbre não cogita dar andamento aos pedidos de impeachment. (Leia mais abaixo)

Mendonça é visto como politizado - A ação de Mendonça agradou a oposição, mas não foi bem vista por parte da classe política.

Para o centrão e para aliados de Lula, a decisão sobre Moraes terá peso eleitoral contra o petista.

Integrantes do centrão se dizem surpreendidos pelo tamanho da crise. Dois caciques políticos disseram à coluna que o racha no STF vai se aprofundar e que é a guerra deve ficar "mais feia".

Para um governista, Mendonça abriu uma porta que pode ser arriscada para ele próprio: todas as relações do ministro serão revistas.

Ao menos três presidentes de partidos mandaram mensagem a Moraes prestando solidariedade pela exposição à qual o colega o submeteu ao levantar o sigilo das conversas, apurou a coluna. (Leia mais abaixo)

Fonte: Uol



fique bem informado