‘Não tinha um plano B’, fala Gloria Perez sobre a aceitação da trama de Ivana

Ao encontrar Gloria Perez para conversar sobre “A força do querer”, conto que gostaria de ter marcado o papo num bar para fazer uma foto dela brindando o sucesso da novela. A autora, que anda sorrindo de orelha a orelha, solta uma gargalhada: “Só se fosse com um guaraná, porque não bebo cerveja! Não bebo nada com álcool. As pessoas devem achar que bebo para caramba, mas nunca fumei maconha nem me droguei, não bebo álcool. Sou maluca naturalmente mesmo”. É assim, nessa clima, que ela se despede de uma das tramas de maior sucesso do horário nobre. Desde o fenômeno “Avenida Brasil”, de 2012, uma novela não virava assunto nas mesas de bar, nos salões de beleza e nos consultórios médicos.

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Sucesso

“Sinto uma felicidade muito grande das pessoas com a novela. Tudo deu certo, não teve barriga, foi uma caminhada leve, agradável mesmo. Estamos cansados, mas não estamos exaustos, sabe? Foi um momento muito feliz. Gosto quando dizem que minha melhor novela é a última. Mas ‘O clone’, ‘América’ e ‘Caminho das Índias’ também foram muito populares. Não dá para eu dizer que esta foi melhor”.

Fim das novelas

“Desde que eu comecei (no ano que vem, Gloria comemora 35 anos de carreira), ouço que a TV vai acabar, que o cinema vai acabar. Depois passaram a anunciar o fim das novelas para enaltecer as séries. Só que as séries começaram a fazer sucesso quando passaram a beber na água das novelas e a usar os truques do folhetim. Quando o sensacional ficou acima da coerência, o que aconteceu em ‘Lost’, se eu não me engano, as séries começaram a fazer sucesso mundial”.

 

Mudança no ritmo

“As novelas mudaram porque a vida mudou. Antigamente, era preciso esperar uma carta chegar, a gente não podia sair de casa se estivesse esperando um telefonema. As novelas tinham o mesmo ritmo da vida real, e por isso acham que eram arrastadas. A vida hoje é mais rápida, então, a novela tem que acompanhar. Existe celular! O personagem não precisa mais esperar a carta. Não gosto quando as pessoas associam novela à coisa velha, porque isso não é verdade”.

 

Sensação de dever cumprido

“Só vou relaxar mesmo quando o último capítulo tiver ido ao ar. Mas me sinto recompensada com a aceitação e o acolhimento ao trans (Ivan, papel de Carol Duarte). Nem pensei que não pudesse dar certo, não tinha um plano B porque já tinha feito algo parecido em ‘Carmem’ (1987). Eu apresentei o doutor Junot (Maurice Vaneau) como um médico competente, excelente pai, o melhor amigo que alguém poderia ter. Quando todo mundo estava apaixonado por ele, trouxe a questão de ele ser gay. E todo mundo aceitou lindamente. Primeiro, eu tinha que criar a empatia do público com Ivana. Se ela tivesse gritado que era trans no primeiro capítulo, aí, sim, podia ter dado errado”.

Fonte: Extra