domingo, 20 de abril de 2014 – Foto: Campos 24 Horas
Entrevista / César Salles________________________________
Diretor do Centro de Controle de Zoonozes (CCZ)
Não importa se o Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes Aegypti (LIRAa), que é o mapeamento do Ministério da Saúde, indique que Campos esteja dentro do que preconizado (o MS fala de 0% a 1% e o município está com 1,1%), a ordem é continuar na “guerra” contra o mosquito que, nos três primeiros meses deste ano, atingiu nove pessoas, um dos casos importado, ou seja, de pessoa de outra cidade. O reforço contra o Aedes é necessário, segundo os especialistas, porque este mesmo tipo de mosquito chegou a atingir, somente no ano passado, 4 mil e 500 campistas.
Na frente desta batalha está o veterinário com mestrado e doutorado em Medicina Veterinária, além de pós-graduado em vigilância sanitária, César Palma de Salles Ferreira, diretor do Centro de Controle de Zoonozes (CCZ), um apaixonado pela vida do campo e oriundo de uma família quase toda composta por médicos. Para César, além de toda a estrutura que o governo municipal dispõe neste área, tanto de pessoal quanto de tecnologia, ainda é muito importante a participação da sociedade. E, por isso, o órgão tem um departamento de educação específico para o trabalho de conscientização sobre a importância de se combate ao mosquito da dengue, doença que camufla os sintomas, alguns muito parecidos com várias outras doenças. E não é por causa dessa luta que César é careca não, isso começou quando ele tinha apenas 18 anos.
Campos 24 Horas – O senhor diz que Campos está dentro do índice preconizado pelo MS. A guerra contra o mosquito então está vencida?
César Salles – Não, a batalha continua e a gente aqui no CCZ não pára, apesar do índice de 1,1%, considerado de baixo risco. Para chegar a esse número, realizamos mutirões de forma precoce, não esperando a epidemia. De segunda à sexta-feira, durante cinco meses, iniciado ano passado, quase 130 agentes sanitários foram de casa em casa para o trabalho de combate ao mosquito. Além disso, inovamos com a tecnologia de 10 carros fumacês, usando tecnologia de longo alcance (até 35m de distância, anteriormente não passava de 10m).
C24H – E a população, onde entra nessa história?
César – A população, de maneira geral, tem ajudado. E para isso a gente desenvolve um trabalho de conscientização, através do nosso Departamento de Educação, que percorre casas, condomínios como os novos, do Programa Morar Feliz, canteiros de obras, escolas das redes municipal, estadual, federal e particular, além de palestras fechadas em auditórios. São quase 30 palestras/mês, o que corresponde a mais de uma em determinados dias. Daí os resultados…
C24H – Mas o tempo com pouca chuva (janeiro, fevereiro e março) também não ajudou para isso?
César – Ajudou sim, como também outro fator, que é o fato do vírus 4 está circulando ainda no município, o mesmo do ano passado. Isso que dizer que quem teve dengue naquela época, poderá ter novamente, mas de forma mais branda, às vezes, imperceptível. Sabemos também que a dengue tem um comportamento sazonal, com picos de cinco em cinco anos. Você pode ver que o primeiro pico foi em 2008 com 15 casos e, depois, em 2013, com 4 mil e 500. Mas nada disso faz que com não continuemos no combate ao mosquito.
C24H – Se não temos epidemia, o Centro de Referência da Dengue (CRD), que ano passado chegou a ficar congestionado, está funcionando?
César – Está. A sua função não acaba, porque quando o paciente chega ao médico com o quadro clínico da dengue, este é encaminhado para lá, para confirmar ou descartar a doença. E todos sabemos que os sintomas da dengue são muito parecidos com outras doenças. O paciente vai com encaminhamento do médico e em dois dias obtém o resultado. O CRD é um departamento da Saúde, assim como é o CCZ.
C24H – Outro problema em Campos, além do mosquito da dengue, são os roedores…
César – Este mês é o mês de muito rato, porque o final do verão, quando chega o período mais frio, é a estação dos roedores, são meses à frente de reprodução. Por isso agora vamos ter, também, um mutirão para combate ao roedor, o que estamos fazendo um pouco de forma tardia, em virtude de termos que prolongar o mutirão contra a dengue. Vamos começar pela área do Mercado Municipal, avenida Pelinca, Pecuária e Nova Brasília.
C24H – Os demais bairros não serão contemplados com a ação?
César – Toda a cidade. Vamos começar por esses bairros acima, porque são locais que concentram mais residências, prédios comerciais, entre outros. É preciso registrar, ainda, que em Campos, graças a Deus, temos um índice muito baixo de suspeita de leptospirose, apesar da quantidade de roedores. E qualquer denúncia nesse sentido, a população pode fazer pelo 0800-2828822, telefone que serve de solicitação para todos os departamentos do CCZ.
C24H – Que outros departamentos?
César – Temos laboratório de água, por exemplo. É o CCZ que fiscaliza a qualidade da água servida aos munícipes pela concessionária de água do município, estas distribuídas também nas escolas, hospitais e outros. Temos ainda o departamento que faz liberação (ou não) de certificado de inspeção sanitária para quem vai abrir loja de ração ou venda de animal, o departamento de apreensão de animais, o departamento de educação que já falamos acima, além do departamento que cuida do canil e as doações.
C24H – Por falar em apreensão de animais, esse é um grande problema em Campos, cavalos soltos por aí.
César – O CCZ trabalha com denúncia e a partir dela, tem caminhão para recolhimento de animais de grande e médio porte (cavalos, bois, carneiros, porcos e outros) e carrinho para cães e gatos. Os animais chegam aqui, são vacinados, vermifugados e chipados para identificação. No caso dos grandes animais, o proprietário tem até cinco dias para resgate, caso contrário, estes vão para o CCZ Rural, em Itereré, para leilão. Para resgatar, eles tem que pagar multa e diária e se o animal for pego novamente, o proprietário perde a posse. Resgatamos de 8 a 12 animais por semana, a maioria cavalos, com atuação do CCZ de Santo Eduardo a Serrinha.
C24H – E os cães e gatos podem ser recuperados pelos donos?
César – Podem, mas na maioria das vezes, quem deixa um animal assim no meio da rua, é porque não quer mais. Hoje o CCZ tem cerca de 50 cães e 20 gatos para adoção, todos tratados.
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Postado por: Fabiano Venancio