Coletiva: Líderes religiosos falam sobre Caso Natasha

22/06/2015     –    às 17h16      –     Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas
coletiva 22 delegado 22O delegado titular da 134ª DP/Centro, Geraldo Rangel, e membros do Fórum Municipal de Religiões Afro-Brasileiras (FRAB) concederam entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (22), na 134ª DP/Centro, sobre o caso da menina Natasha Reis Teixeira, de 7 anos, que supostamente morreu, no último dia 6,  após receber agressões em um Centro de Umbanda situado no Parque Aurora, em Campos. De acordo com a polícia, Natasha morreu após  ter sofrido asfixia. A mãe da menina e uma mulher que é dona de um Centro de Umbanda,  poderão ser indiciadas(responsabilizadas criminalmente pela morte). Segundo o delegado, a mãe de Natasha presenciou a dona do Centro de Umbanda incorporar um espírito e esganar a menina.

Os representantes das religiões afro-brasileiras falaram sobre termos usados por alguns órgãos de comunicação para divulgar o caso. Segundo eles, algumas abordagens ofendem os adeptos das religiões.

Para o delegado titular da 134ª DP,  algumas palavras usadas para divulgar o caso,  como, seita, ritual, macabro e sacrifício humano, podem gerar discriminação religiosa.

DSC_0254“A Polícia Civil respeita todas as religiões. Estamos buscando informações para tentar entender melhor o que aconteceu no interior daquela casa. No dia em que realizamos a reconstituição do crime, um dos representantes do Fórum Municipal de Religiões Afro-Brasileiras (FRAB) nos acompanhou. Em momento algum usamos palavras que pudessem ofender os adeptos da religião”, ressaltou o delegado Geraldo Rangel, responsável pelo inquérito.

Gilberto Coutinho Júnior, representante de um dos movimentos, diz que o inquérito ainda será concluído.

DSC_0247“Está acontecendo muita perseguição e precisamos  preservar nossa integridade física. Somos interessados no caso e conhecemos a pessoa. Para nossa própria segurança, a verdade precisa aparecer.  Não temos como negar fatos, esclarecendo que ocorreu dentro de uma casa que acontecia reza. Temos que deixar claro que será apurado e o inquérito ainda será concluído”, disse Gilberto.

“Devemos nos unir, são fatos isolados e não podemos generalizar. Criei minha casa em 11 de maio de 1969 e  até hoje não houve nada disso lá dentro. Não é por isso que vou apedrejar aonde aconteceu. A integridade dos terreiros e dos pais de santo deve ser preservada. Deus acima de tudo e cada um com a sua fé. Devemos ser todos unidos em todas religiões para não haver uma guerra santa”, declarou Paulo Roberto Ramos, mais conhecido como Robertinho.

“O fato está sendo apurado e todos nós estamos em busca da verdade real. As pessoas que lá estavam que devem nos explicar o que aconteceu, mas não devemos generalizar isso a religião Umbanda. Alguma coisa aconteceu lá dentro, mas não podemos confundir as informações”, finalizou o delegado Geraldo.

Os representantes da Umbanda que compõem o Fórum Municipal de Religiões Afro-Brasileiras (FRAB) afirmaram ainda que não há nenhum ritual que faça sacrifício de seres humanos. Eles esclarecem  que a umbanda tem como princípios a caridade, fraternidade e a paz. Os  representantes do Candomblé, que compõem a FRAB, também destacaram que,  assim como a Umbanda, o Candomblé não promove ritual com sacrifício humano.

Relembre o caso

Marcas no pescoço da menina mostram que ela foi esganada. Fotos tiradas no IML foram divulgadas pela polícia
Marcas no pescoço da menina mostram que ela foi esganada. Fotos tiradas no IML foram divulgadas pela polícia
A mãe da criança, a dona de casa Glaciane Reis Teixeira, de 39 anos(Foto: Filipe Lemos)
A mãe da criança, a dona de casa Glaciane Reis Teixeira (Foto: Filipe Lemos/ Campos 24 Horas)

centro de umbandaA menina Natasha Reis Teixeira, de 7 anos, morreu após supostas agressões em um  Centro de Umbanda situado no Parque Aurora, Campos. A informação é do delegado o titular da 134ª DP/Centro, Geraldo Rangel, que concedeu uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira(18). A criança morreu após  ter sofrido asfixia, no último dia 6. Ela chegou a ser levada para o Hospital Ferreira Machado(HFM), onde já teria chegado sem vida.
A mãe da menina e uma mulher que é dona de um Centro de Umbanda,  deverão ser indiciadas(responsabilizadas criminalmente pela morte). Segundo o delegado, a mãe de Natasha presenciou a “Mãe de Santo” incorporar um espírito e esganar a menina.

Exames no Instituto Médico Legal(IML) concluíram que a morte ocorreu por “esganadura”. O padrasto da menina chegou a ser preso, mas foi liberado, visto  que a polícia concluiu que ele não estava no Centro de Umbanda.

Delegado  se diz impressionado
O delegado Geraldo Rangel disse durante a entrevista coletiva que a mãe da menina admitiu durante o depoimento na 134ª DP que teria sido ameaçada pela “Mãe de Santo”, que é dona do Centro de Umbanda, para que não revelasse que a criança havia sido esganada.

O delegado revela a versão apresentada à polícia.  “A menina teria sido “rezada” pela Mãe de Santo, que teria incorporado um espírito, que chamam de “obsessor”. Ao tentar puxar esse espírito pra ela, aconteceu a esganadura”, disse o delegado.

Segundo ainda o delegado,  no primeiro depoimento da mãe da menina,  ela teria tentado induzir a polícia a erro,  deixando a culpa cair sobre o M., o padrasto da menina.

A mãe de Natasha e a Mãe de Santo já foram ouvidas. De acordo com Geraldo Rangel, uma responsabiliza a outra pelo ocorrido. “Mas as duas participaram e ambas serão responsabilizadas. A mãe porque trata-se da guardadora, ela é obrigada por lei a proteger a criança. E a Mãe de Santo porque é responsável por tudo que ocorre no local”, enfatiza delegado.

Geraldo Rangel relatou também que em toda sua carreira nunca tinha presenciado um crime como esse. “Isso porque envolve religião e uma criança de sete anos, que foi morta em um centro de umbanda. Não é algo que ocorre todos os dias”, disse o delegado, que destacou que a Polícia Civil respeita todas as religiões.  “O que está sendo apurado é o crime, um homicídio que aconteceu dentro de um terreiro de Umbanda. O que importa  é que estamos concluindo o inquérito e dando a resposta que a sociedade merece, porque envolve uma criança. Não temos dúvida que o crime aconteceu lá dentro(no centro de umbanda). A mãe e a Mãe de Santo confirmaram. Há um laudo pericial que confirma a morte por asfixia de esganadura”, finalizou Geraldo Rangel.

delegado geraldo

Centro de Candomblé
Centro de Umbanda

Mãe da menina falou ao Campos 24 Horas
No início desta semana, a mãe da menina, a dona de casa Glaciane Reis Teixeira, de 39 anos, moradora no Parque Eldorado, em Guarus, prestou depoimento à polícia na tarde de segunda-feira(08). Antes, porém, foi ouvida pelo Campos 24 Horas. Inicialmente, ela levantou suspeitas de que o seu companheiro, um pedreiro de 42 anos e padrasto da criança,  teria agredido Natasha. Confira o que disse a mãe

“Quem viu tudo foi minha filha mais velha. Eu estava na cozinha lavando louça e em momento nenhum eu vi nada. Ele (se referindo a seu companheiro e padrasto) bateu nela na coxa com o cinto. Estavam as duas meninas brincando e ele achou que o pé da menina de sete anos tinha batido no menino de um ano e cinco meses que estava dormindo. Eu não posso falar nada, pois quem viu foi minha filha. Eu estava na cozinha fazendo o jantar. Com medo do padrasto, a menina mais velha fugiu de casa e foi parar no Fundão sozinha. Na terça-feira, ele tinha dado um tapa nela e ficou com a marca no pescoço. Na quarta-feira, ela foi para a UPA com febre, deu que estava com a garganta inflamada”, declarou a mãe.