Estimular um ambiente de inovação e de empreendedorismo, ao mesmo tempo em que é um desafio para muitos países, incluindo o Brasil, é também uma forma de promover o desenvolvimento social e econômico. (leia mais abaixo)
Superar os atrasos não é tarefa fácil, mas iniciativas que nascem dentro de instituições de ensino são promissoras ao integrar novas ideias, estimular a inovação, buscar soluções para os setores produtivos e promover a aplicabilidade do que está sendo pesquisado por seus estudantes e pesquisadores.
Nesse cenário, o Mestrado Profissional em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (Profnit) tem desempenhado um papel importante ao estimular a cultura empreendedora e a aproximação e integração entre universidades e empresas.
Ofertado a nível nacional, conta com um Ponto Focal Fluminense, em Campos dos Goytacazes-RJ, no Instituto Federal Fluminense (IFF), em parceria com a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
A primeira turma iniciou no segundo semestre de 2018, e os 29 alunos farão suas primeiras defesas de dissertação até dezembro deste ano. O coordenador do Ponto Focal e diretor do Polo de Inovação do IFF, Rogério Atem, relata que diversas pesquisas estão sendo desenvolvidas.
“São pesquisas voltadas para inovação e empreendedorismo na região, que vão desde a criação de start-ups inovadoras, produtos específicos como tijolos ecológicos e sistemas de monitoramento ambiental, proteção de marcas e indicações regionais, bem como análises do próprio ambiente de inovação da região”, conta.
O aluno do curso e empresário, Alexandre Azeredo, 35 anos, se interessou pelos estudos devido à possibilidade de aprofundar seus conhecimentos sobre inovação. Além de gostar, ele é empreendedor de longa data e tinha um projeto já em mente de criar uma start-up.
“A ideia de criar uma start-up veio um pouco antes do mestrado, mas até então eu não sabia como colocar em prática uma empresa de tecnologia, e o Profnit apresentou a possibilidade de eu poder criar negócios reais dentro do programa, então isso foi determinante”, relata ele que tem formação em Gestão de Marketing e uma pós-graduação em Negócios internacionais e Logística.
A empresa, Skiuhub, nasceu com a ideia de ser uma plataforma com um conjunto de soluções para instrutores de habilidades ofertarem cursos presenciais, mas um mês antes do lançamento veio a pandemia do novo coronavírus, e o projeto teve que ser repensado e ajustado aos novos tempos, então, além de cursos presenciais, também serão ofertados cursos online, mas apenas ao vivo para, segundo Alexandre, manter a qualidade do ensino. “A gente percebeu que a grande demanda era a interação ao vivo ou, pelo menos, em tempo real, sendo assim a gente chega no produto final que é ter uma plataforma de anúncios e vendas de cursos presenciais e online ao vivo”, diz.
São os próprios instrutores que determinam o conteúdo programático, frequência e carga horária, e a plataforma auxilia no acompanhamento dos estudantes, administração de dados, avaliações e métricas. “Nossa start-up é uma tecnologia que vem para empoderar a habilidade que as pessoas têm, fazer com que elas possam ganhar dinheiro usando a sua habilidade e, literalmente, ensinando outras pessoas”, acredita, acrescentando que a relação econômica da empresa com os instrutores é baseada em uma porcentagem na mensalidade do aluno. “Então, na verdade, os professores, ou seja, os detentores da habilidade nunca pagam nada para usar nosso serviço. É uma inovação na forma de as pessoas adquirirem habilidades”.
A previsão é de que o negócio seja lançado em um prazo de dois meses, com o site entrando no ar em março ou abril de 2021. Alexandre destaca que o mestrado o ensinou como acontece todo o processo de inovação dentro das empresas, a ler o que está acontecendo no mercado e o que vai acontecer no futuro, o que também foi relevante para a abertura da sua start-up.
“O mestrado me auxiliou a entender o cenário, como me posicionar com a minha empresa, como buscar meios de aprender inovação e empreendedorismo inovador fora do padrão que a gente sempre foi ensinado. Porque uma empresa de tecnologia não é igual empreender no negócio físico que você tem estoque, que você tem controle de validade. Não. Trata-se de uma programação para futuro, de um mercado globalizado, internacional, então está tudo hoje muito conectado, os negócios inovadores são baseados todos em desenvolvimento, programação e é totalmente diferente do simplesmente abrir um negócio de economia tradicional”, avalia.
Como não poderia deixar de ser, a dissertação de mestrado de Alexandre será em cima da criação da sua empresa com registro de software e relatório técnico sobre como funciona a plataforma, arquitetura do software, branding da marca e o modelo de negócio. Sua pesquisa, com aplicação prática, é apenas um dos muitos frutos gerados pelo ambiente nas instituições de ensino que têm muito a contribuir, por meio de suas ações e inter-relações com a sociedade e o setor produtivo.
“O mestrado, mesmo ainda sem defesas, já estimulou a criação de empresas e a reformulação da gestão de outras. As análises das políticas de inovação na região certamente influenciarão o futuro do ecossistema de inovação e empreendedorismo regional”, acredita Rogério.
“Tem muita coisa acontecendo no mundo para a gente ficar parado no tempo e simplesmente não lembrar que todo o mercado está mudando. Sendo assim, essas empresas precisam inovar, elas precisam colocar em prática planos bem estudados, planos bem estruturados para que possam sobreviver a esse período de transição, se adaptando a novas maneiras de ganhar dinheiro ou, às vezes, se adaptando a um completo modelo de negócio diferente do que ela faz hoje”, arremata Alexandre.
Inscrições para nova turma podem ser feitas de 02 a 08 de novembro
O Instituto Federal Fluminense (IFF), um dos 32 pontos focais do Brasil, oferta 15 vagas na seleção para 2021. As inscrições poderão ser realizadas das 12h do dia 02 de novembro até as 18h de 08 de novembro, pela internet, na página do Profnit Nacional, no endereço http://www.profnit.org.br/pt/exame-nacional-de-acesso/.
Poderão se inscrever candidatos portadores de diploma de qualquer curso de nível superior – graduação – emitido por instituição oficial e reconhecida pelo MEC; concluintes do último semestre ou ano, desde que apresentem respectivo diploma ou documento provisório no ato da matrícula; e brasileiros natos ou naturalizados com diplomas emitidos por instituições estrangeiras desde que, no ato da matrícula, apresentem o diploma reconhecido por instituições devidamente autorizadas pelo MEC.
O Exame Nacional de Acesso consiste em duas etapas: Etapa 1 (Prova Nacional), a ser realizada no dia 05 de dezembro; e Etapa 2 (Análise Curricular), de 18 a 20 de janeiro de 2021. A seleção será realizada em caráter nacional, mas com competição entre candidatos restrita ao âmbito do Ponto Focal escolhido.
O Profnit é um curso gratuito, presencial, com duração máxima de 24 meses. No IFF, as aulas acontecem no Polo de Inovação, em Campos dos Goytacazes-RJ, às quintas e sextas-feiras, nos períodos diurno/noturno (pode variar a cada semestre). A Linha de Pesquisa é em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação em Núcleos de Inovação Tecnológica.