Sucesso na internet, Alice, de apenas 2 anos, ficou famosa nas redes sociais após repetir diversas “palavras difíceis”, como oftalmologista, proparoxítona, estapafúrdio e propositalmente. A dicção e a habilidade na hora de repeti-las deixaram os internautas apaixonados. (leia mais abaixo)
“Meu Deus do céu, posso ouvir esse vídeo em looping!”, escreveu uma das seguidoras no Instagram da Alice —comandado pela mãe, Morgana Secco. (leia mais abaixo)
A criança também adora cantar e repetir histórias que os pais leem para ela. Por diversas vezes, a mãe comenta que Alice não tem contato com telas —celular, televisão ou computador— e que, muitas vezes, é ela quem pede para brincar com as “palavras difíceis”. Os vídeos da menina viralizaram tanto que o perfil do Instagram já passou de 1,7 milhão de seguidores. (leia mais abaixo)
Ver essa foto no Instagram
Com 2 anos, é esperado que as crianças já falem tão bem assim?
Segundo as especialistas consultadas por VivaBem, não. Na opinião delas, Alice é uma criança “fora da curva”, ou seja, que apresenta a habilidade mais desenvolvida do que o esperado nesta idade. (leia mais abaixo)
“As crianças passam por um período de aprendizado da linguagem e, geralmente, é a partir dos 3 anos que ela apresenta uma fala mais adequada”, explica Moema Lamori, coordenadora do serviço de fonoaudiologia do Hospital São Vicente de Paulo (RJ).
Antes disso, é comum que elas balbuciem as palavras, comecem a entender algumas sílabas e cometam alguns “erros” ao pronunciá-las. (leia mais abaixo)
Mas o aprendizado, assim como em outras áreas —como o ato de andar— pode variar de acordo com a criança, conforme esclarece Mariana Hipolyto, pedagoga e fonoaudióloga especialista em linguagem e dificuldade de aprendizagem.
“Não há como determinar uma data exata que sinalize a ‘normalidade’ da fala. Até porque a linguagem oral tem inúmeras particularidades. Algumas crianças têm um processo mais rápido, enquanto outras mais lento. Mas com 2 anos, a criança não apresenta vocabulário tão rico assim”, conta. (leia mais abaixo)
E, claro, Alice convive em um ambiente com bastante estimulação. Ela faz aulas de música —que aguarda ansiosamente a semana toda—, adora ler gibis e livros, além da brincadeira de repetir palavras ou rimas.
Tudo isso é muito importante para o desenvolvimento da fala, e de outros aspectos cognitivos no geral, para os pequenos —principalmente nesta idade, na qual ocorre maior facilidade para aprender, de acordo com a pediatra Sandi Sato, da Maternidade Brasília (DF). (leia mais abaixo)
“Hoje em dia, a gente fala muito da saúde das crianças nos primeiros dias de vida até os 2 anos, quando ocorre maior estímulo cerebral positivo e, infelizmente, negativos também. Tudo que for positivo nessa idade vai levar a um melhor desenvolvimento da criança.”
A médica cita ainda a importância do aleitamento materno, responsável por oferecer diversos benefícios às crianças. “Além de hábitos saudáveis como contar histórias, brincar, ouvir música e interagir com as pessoas, tudo isso ajuda no desenvolvimento cognitivo da criança.” (leia mais abaixo)
Veja algumas dicas para estimular a fala dos pequenos:
- Falar da maneira correta, mas não corrigindo, e sim usando a palavra certa. Mesmo sendo fofo de observar, a repetição “incorreta” atrapalha no entendimento delas. O legal é mostrar como é o jeito certo de pronunciá-la;
- Ler livro ao lado delas, mostrando o que é cada imagem. Exemplo: “Olha essa árvore verde com maçãs vermelhas”. Pergunte: “Qual a cor dessa casa?”;
- Conversar com a criança ao longo do dia. As que são muito solitárias tendem a ter um atraso na linguagem;
- Estimular com brincadeiras ao ar livre;
- Cantar, apresentar músicas que a(o) pequena(o) goste;
- Evitar o uso de eletrônicos. (leia mais abaixo)
Evite o excesso de telas
Segundo a pediatra, antes, esse contato com os eletrônicos era visto como um auxílio para o desenvolvimento da parte cognitiva, mas hoje isso mudou.
“O contato com a tela tem esse efeito reverso e até promove um atraso do desenvolvimento cognitivo. Isso porque a tela não permite uma integração. O aprendizado da fala vem da convivência com a pessoa e com o ambiente”, explica Sato. (leia mais abaixo)
O celular ou a televisão apenas transmitem a informação, mas não de uma forma que seja trabalhada com a criança. “É importante que o adulto faça essa ponte com a linguagem, ou seja, decifre-a para a criança: contando histórias, de forma lúdica, e nomeando os objetos”, diz Lamori.” (leia mais abaixo)
Ver essa foto no Instagram
O melhor a se fazer nessa fase, para que a criança vá adquirindo novas habilidades, como a linguagem, é que ela aprenda a socializar e fique o máximo possível afastada dos eletrônicos. Vá ao parquinho, à praia, conte histórias, leia livros”, acrescenta a pedagoga e fonoaudióloga. (leia mais abaixo)
QI acima da média?
Segundo as especialistas, pode ser, sim, um sinal, mas ainda é muito cedo para afirmar algo. A facilidade e o interesse na fala de Alice podem ser apenas resultados de uma estimulação mais intensa da família, que é o que acontece mesmo.
“Existe toda uma metodologia que usamos para identificar se a criança apresenta altas habilidades (conhecido como superdotados). O fato de Alice falar diversas palavras além do esperado para a idade mostra que ela observa muito o ambiente e escuta muito bem as músicas, por exemplo. Essa é minha percepção”, explica a pediatra da Maternidade Brasília. (leia mais abaixo)
“Isso mostra que ela tem uma alta aptidão, mas ainda é precoce para afirmar algo.”
Fonte: Viva Bem