Em entrevista à DW, relatora especial das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas critica a decisão de Bolsonaro de transferir atribuições à pasta da Agricultura. “É um retrocesso”, diz Victoria Tauli-Corpuz.
A transferência da responsabilidade pela demarcação de terras indígenas e quilombolas da Fundação Nacional do Índio (Funai) para o Ministério da Agricultura é vista como um retrocesso pela relatora especial da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz.
A decisão do presidente Jair Bolsonaro é parte de uma medida provisória publicada na quarta-feira (02/01), dia seguinte à posse. Pelo Twitter, o chefe de Estado defendeu que é preciso “integrar” os povos indígenas à sociedade brasileira e que “menos de um milhão de pessoas vivem nesses lugares isolados do Brasil, exploradas e manipuladas por ONGs”.
Em entrevista à DW, Tauli-Corpuz classificou as declarações do presidente de “racistas e discriminatórias” e alertou: “Entrar em territórios onde indígenas vivem em isolamento voluntário pode levar ao desaparecimento ou ao genocídio desses povos.”
Para a ativista filipina, tais ações representam um descumprimento de compromissos internacionais por parte do Brasil, o que pode comprometer inclusive o futuro da Floresta Amazônica. “A demarcação de terras indígenas que incluem florestas é uma das formas mais efetivas de salvar essas florestas e a biodiversidade remanescentes do planeta”, observou.