
Coluna Arena Olímpica/Magno Prisco
XXII – Jogos Olímpicos – Moscou – 1980
Com a participação de 5.179 atletas de 80 nações. Esta foi a edição com o menor número de participantes, devido ao maior boicote da história olímpica, quando a influência da política no esporte chegou a seu ponto mais alto e decisivo. O Presidente norte-americano Jimmy Carter anunciou o boicote de sua nação aos Jogos de Moscou, convocando seus aliados pelo mundo a darem o mesmo exemplo; 69 países seguiram o caminho dos Estados Unidos, levando estes Jogos a um esvaziamento que afetou bastante o nível técnico.
MASCOTE MISHA – O presidente soviético Leonid Brejnev lamentou a interferência política em eventos criados para sustentar a paz, enquanto isso, durante o discurso, os painéis espelhados formavam uma mensagem pacífica О спорт, ты – мир! em português: “Ó, esporte, tu és a paz!” A famosa cena do choro do mascote Misha também foi uma das indiretas, já que o ursinho lamentava a ausência das delegações que participavam do boicote.
ALEKSANDR DITYATIN – O soviético Aleksandr Dityatin tornou-se o nome dos Jogos ao arrebatar oito medalhas nos oito eventos masculinos da ginástica olímpica – três delas de ouro. Após conseguir o ouro no salto com vara, o polonês Władysław Kozakiewicz, farto das vaias da plateia soviética, que torcia pelo atleta local Konstantin Volkov, mandou para ela um gesto obsceno internacionalmente difundido, conhecido no Brasil como “banana”.
EDUARDO PENIDO/MARCOS SOARES – Na disputa do remo, modalidade dois sem, um observador distraído que olhasse para o pódio da premiação imaginaria que estivesse vendo a vida em dobro. O boxeador cubano Teófilo Stevenson conquistou sua terceira medalha de ouro seguida na categoria superpesados. O alemão-oriental Waldemar Cierpinski igualou-se em títulos ao lendário etíope Abebe Bikila conquistando o bicampeonato na maratona olímpica. O iatismo ou vela, fez a alegria do Brasil conquistando duas inesperadas medalhas de ouro, através dos velejadores Marcos Soares e Eduardo Penido, dois garotos de 20 anos, na classe 470 e Alexandre Welter e Lars Bjorkstrom na classe Tornado.*João Carlos de Oliveira, ainda recordista mundial do salto triplo, teve que se contentar novamente com o bronze. A União Soviética foi campeã.