Levy deixa Governo e será substituído por Nelson Barbosa

18/12/2015    às 17h42     Foto: Divulgação 
LevyO ministro do Planejamento Nelson Barbosa vai assumir o Ministério da Fazenda no lugar de Joaquim Levy. O anúncio oficial será feito ainda nesta sexta-feira (18). O nome de Barbosa já vinha sendo especulado há alguns dias. O JB, inclusive, já havia antecipado, no último dia 14, que importante mudança aconteceria no mercado financeiro.

Joaquim Levy já vinha dando sinais de que estaria deixando o Ministério da Fazenda. Na manhã desta sexta-feira, ele se reuniu com jornalistas e adotou um discurso no qual admitia que já vinha tocando no assunto com a presidente Dilma Rousseff. Levy afirmou que quaisquer mudanças na equipe econômica dependeriam de o governo definir quais são suas prioridades.

Com a ida de Barbosa para a Fazenda, um nome que aparece com força para assumir do Planejamento é o do diretor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), Luiz Guilherme Schymura.

Joaquim Levy

Evitando confirmar se estaria de saída da pasta, Joaquim Levy disse a jornalistas nesta manhã não querer criar constrangimentos para a presidente Dilma Rousseff. “O ano fiscal se encerrou. Isso abre tantas alternativas. Meu objetivo não é criar nenhum tipo de constrangimento ao governo. Temos de ter clareza [sobre] qual é a prioridade nas diversas demandas do governo e da presidente. Qualquer mudança vai depender disso”, declarou.

Os jornalistas foram insistentes em buscar qualquer indício sobre sua possível saída do cargo, mas Levy se manteve firme em não confirmar ou negar a notícia. Ele se conteve em pontuar as mudanças que a equipe econômica conseguiu implementar em 2015 e seu comprometimento com reformas estruturais.

Levy também diminuiu os efeitos da troca de ministros da Fazenda no mercado financeiro. “Tudo tem risco. As pessoas olham o risco, mas o importante é olhar o retorno. [O país] precisa manter certos rumos e concluir as reformas para não ficar parado. Acho que é isso o que estou tentando falar”, opinou.

Sobre as afirmações de que ele teria adotado tom de despedida em reunião no Conselho Monetário Nacional (CMN), dizendo que não estaria na próxima reunião do órgão, o ainda ministro não negou as aspas. Ele disse apenas que os conteúdos debatidos nesses encontros são secretos.

“Só posso dizer que hoje lembrei a alguns o que dizia meu ex-colega Pedro Malan [ministro da Fazenda de 1995 a 2002] em relação às reuniões do Conselho Monetário Nacional. Tudo o que é dito nesta sala permanece exclusivamente nesta sala. Não tenho entendimento do que vocês falaram. Vocês [jornalistas] não devem ficar exacerbando a incerteza”, acrescentou Levy.

Nesta semana, o Congresso Nacional reduziu a meta de superávit primário em 2016 de 0,7% (R$ 43,8 bilhões) para 0,5% (R$ 30,5 bilhões) do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016. O ministro defendia enfaticamente a meta inicial, mas o governo conseguiu reduzir o valor para evitar o corte de R$ 10 bilhões no Bolsa Família para o próximo ano.

Inicialmente, o governo tentou incluir um mecanismo para abater investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e gastos com epidemias e desastres naturais, mas um acordo de líderes na Comissão Mista de Orçamento (CMO) derrubou o dispositivo, que permitiria que o esforço fiscal fosse zerado no próximo ano.

“Essa foi uma vitória não da Fazenda, mas do Congresso. O importante é ter meta clara. Mas é importante lembrar que a meta clara também pressupõe disposição de [o Congresso] garantir receitas necessárias [como a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira] para o Executivo executar orçamento aprovado. Não dá tarefa para alguém sem dar os meios. Isso mostra a independência e o funcionamento harmônico entre os poderes”, afirmou Levy.